Encontro em Arroio do Meio promove resgate e uso das sementes crioulas

Promover o resgate e as perspectivas de uso das sementes crioulas, ajudando em sua preservação. Este foi um dos objetivos do 7º Encontro Municipal de Sementes Crioulas realizado na última quinta-feira, dia 22, no Salão Paroquial da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Arroio do Meio. Com o tema “Milho crioulo: um novo tempo”, mais de 100 pessoas debateram, trocaram sementes e experiências e partilharam a degustação de alimentos produzidos a partir de sementes crioulas.

“É um tema que tem gerado, a cada ano, maior interesse, dada a importância da preservação das sementes e das mudas crioulas”, ressalta o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar André Michel Müller. Para o agrônomo, encontros do gênero são importantes justamente para que os cultivos possam ser compartilhados e disseminados. “É uma forma de garantir a manutenção das variedades disponíveis e os resultados têm sido satisfatórios, com muitas espécies ainda preservadas”, salienta.

O gerente regional adjunto da Emater/RS-Ascar, Diego Barden dos Santos, ressaltou a posição favorável da Instituição em relação aos cultivos baseados em preceitos agroecológicos. “É uma forma de garantir a preservação genética dessas espécies”, afirma. O adjunto citou ainda o Ano Internacional da Agricultura Familiar, celebrado em 2014, por decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em reconhecimento a contribuição da agricultura familiar para a segurança alimentar e para a erradicação da pobreza no mundo. O vice-prefeito Áurio Scherer chamou os cultivos crioulos de “sementes da vida”, ressaltando a necessidade de que se tenha um cuidado especial com elas, para que perdurem por muitas gerações.

O encontro é promovido pela Emater/RS-Ascar, Secretaria Municipal da Agricultura, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Grupo dos Agricultores Ecologistas da Forqueta, Comunidades Católica e Evangélica da Confissão Luterana, Comissão Pastoral da Terra e Juventude Rural. O apoio é da Articulação de Agroecologia do Vale do Taquari (AAVT) e da Secretaria Municipal de Educação.

Um banco com mais de 400 tipos de sementes

Circulando pelo evento, a agricultora Oldi Helena Jantsch é uma verdadeira celebridade. Conhecida no município de Cruzeiro do Sul, onde reside, pelo apelido de Tiririca, ela é uma das principais incentivadoras do uso de sementes crioulas. Sem revelar o local onde se encontra o tesouro, garante ter mais de 400 espécies de mudas do gênero preservadas e catalogadas. E cada encontro de sementes é uma oportunidade para que ela repasse parte de seus cultivos, se aproprie de outros, troque e compartilhe com os presentes.

Tiririca, que coordena a Comissão Pastoral da Terra, na diocese de Santa Cruz do Sul, explica que o trabalho de preservações de sementes crioulas, funciona num sistema de rede, envolvendo mais de 330 integrantes de diversos países sul-americanos e até da Europa. “O objetivo desse grupo é o de fortalecer o trabalho em agroecologia e os bancos de sementes, garantindo a soberania alimentar”, explica. Para Tiririca, o ideal seria que cada município mantivesse o seu próprio banco. “É algo que pode ser alcançado por meio do trabalho em parceria e com o empenho dos produtores rurais”, diz.

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