Empresários locais temem impactos com pedágios na BR

Viagem de ida e volta poderá custar quase R$ 30 só em pedágios. Transportadoras e empresas de transporte de passageiros devem ser as primeiras a sentir o aumento nos custos de operação.

O novo projeto de concessão da BR-386 apresentado pela ANTT é considerado melhor do que a proposta original apresentada em fevereiro. No entanto, líderes locais e empresários são unânimes ao questionar o valor teto da tarifa, definido em R$ 7,48 pelo Ministério dos Transportes.

A intenção é unir Codevat, Câmara de Indústria e Comércio (CIC) e representantes dos usuários das rodovias para minimizar os impactos financeiros.

As previsões são preocupantes. Para o presidente da CIC do Vale do Taquari, Ito Lanius, a necessidade de retirar os tributos embutidos nos custos das tarifas é urgente. “Tem muita tributação sobre a tarifa. É mais um argumento que defendemos: esse pedágio é uma ajuda para o governo que já arrecada demais. Não se justifica tributar, também, este serviço”, sustenta ele.

 

Esta é a mesma tese defendida pelo vice-presidente da Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Rio Grandeo do Sul (SETCCERGS), Frank Woodhead. Para ele, que também atua como conselheiro da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), o governo federal precisa abrir mão dos tributos sobre os pedágios.

“A questão com o Ministério dos Transportes me parece encerrada. Nosso problema agora são os impostos. Vamos fazer uma frente única para buscar a redução dos preços das tarifas. Estão muito altos. E minha tese é simples: a União deixa de fazer as obras e ainda faz dessas obras um recolhedor liquido de impostos. É absurdo”, reitera.

Para Woodhead, a redução do preço do quilômetro cobrado – de R$ 0,13 para R$ 0,11 – foi uma “grande conquista” do Grupo de Trabalho (GT) formado por líderes regionais dos vales do Taquari, Alto do Botucaraí e Caí. “O projeto final melhorou bastante, mas os representantes dos usuários ainda estão descontentes com o valor. Nossa meta é baixar para R$ 0,09. Com isso, a tarifa teto ficaria na faixa dos R$ 6”, acredita.

Assim como o vice-presidente da SETCERGS, a presidente da Codevat, Cíntia Agostini, também demonstra apreensão com os impactos da tarifa. Nesta quinta-feira, às 17h, ela se reúne com representantes da CIC-VT para debater as medidas que serão tomadas, agora, junto ao Ministério da Fazenda para amenizar os efeitos dos tributos. “Não vai ser fácil fazer com que a União desista dos impostos”, resume.

 

 

 

Quase R$ 1 milhão em pedágios
Para o diretor de uma transportadora lajeadense com sede – também – em São Paulo, Diego Tomasi, o novo cenário montado com a possibilidade do retorno dos pedágios é “preocupante”. Por mês, cerca de 120 caminhões da empresa passam pelo menos duas vezes pela principal rodovia do Vale do Taquari. Hoje, sem custos com pedágio. Mas, a partir do segundo semestre de 2018, as coisas mudam.

Calculando de acordo com a tarifa-teto divulgada, e baseando-se nos preços cobrados por eixo de caminhão em relação aos veículos, ele estima um gasto superior a R$ 80 mil por mês a partir do início da cobrança dos pedágios. Por ano, chega a quase R$ 1 milhão.

“Um custo médio de R$ 900 por dia só em duas das novas praças da BR-386. Fora as cargas que saem no sentido norte, para Fontoura Xavier e Tio Hugo. Não é muito, mas sempre tem. Etnão chegamos a uma média de R$ 80 mil por mês, para andar por um bom tempo ainda em pista simples”, reitera.

Segundo Tomasi, que ainda gasta cerca de R$ 5 mil com pedágios da EGR todos os meses, o repasse destes custos será imediato aos clientes. Cita que o fluxo na região não tem como diminuir pois a maioria dos contratantes são da região do Vale do Taquari.

“Mas o repasse do valor do frete terá que ser de forma imediata. E, consequentemente, nossos clientes vão repassar aos clientes finais”, comenta. Ele aposta em um impacto forte para o consumidor final. Para o empresário lajeadense, o aumento dos produtos ao chegar às mãos do cliente final pode chegar a até 3%, dependendo da mercadoria.

 

De 8% a 12% de aumento nos fretes
Woodhead também faz estimativas para os aumentos nos custos dos fretes. Segundo ele, os preços devem aumentar entre 8 e 12% a partir do início das cobranças. Para tentar amenizar esse impacto, o representante do sindicato sugere alterações nos critérios de tarifas para os caminhões. De acordo com a proposta da ANTT, o máximo será de seis vezes a tarifa-teto para utilitários com seis eixos.

“Na média mundial, em países como Austrália, Estados Unidos, Alemanha e França, por exemplo, os caminhões pagam em meia quatro vezes o valor pago pelos motoristas de carro. No Brasil, em alguns estados, essa cobrança chega a nove vezes a tarifa-base. Enfim, é o custo desta situação calamitosa em que estão as finanças públicas e nossas estradas”, resume.

Ainda sobre a situação dos impactos sobre a produção, Ito Lanius reitera a ideia de que o governo precisa participar dos investimentos em melhorias e manutenção das estradas pedagiadas como forma de baixar as tarifas. “Mesmo que não seja tão assustadora, assim mesmo entendemos que não podemos onerar tanto a nossa produção. E vai impactar, em curtíssimo prazo vai ser o transporte e logo depois será repassado para a sociedade. É mais um imposto.”

 

ANTT prevê benefícios
Além da duplicação entre Lajeado e Carazinho, da terceira pista entre Lajeado e Estrela com novas pontes no trajeto, e das passagens inferiores de acesso aos bairros Olarias e Conventos, anunciadas nesta semana como parte dos investimentos previstos pela ANTT, além de vias marginais em diversos pontos, o projeto de concessão da rodovia prevê retorno financeiro aos municípios.

A ANTT estima um retorno próximo de R$ 1,6 bilhão em imposto aos municípios ao longo dos 30 anos de contrato. Só em Lajeado, onde o ISS é próximo de R$ 14 milhões, haverá incremento de R$ 1,4 milhão ao ano.

O contrato prevê um repasse, por parte da concessionária, superior a R$ 50 milhões em 30 anos para a realização de pesquisas de desenvolvimento tecnológico. Além de outros R$ 30 milhões para ações relacionadas ao trânsito e a prevenção de acidentes, com aparelhamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A concessionária terá, ainda, a obrigação de instalar 312 câmeras de alta resolução em 100% dos trechos concedidos das BRs 386, 290, 101 e 448. Com isso, toda a BR-386 será monitorada por meio de uma central de operações coordenada pela concessionária. Além disso, o edital prevê sete postos de atendimento aos usuários, com banheiros, mapas, água potável, e outros benefícios.

Por fim, a proposta também exige a instalação de pelo menos 12 Bases de Serviços Operacionais e quatro postos de pesagem. A empresa também precisa disponibilizar 13 ambulâncias, 17 guinchos, três caminhões-pipa, três caminhões boiadeiros e nove viaturas para inspeção do tráfego.

 

 

Fonte Jornal A Hora

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