Empresa interrompe linha de transmissão

A única ligação entre a região e a rede nacional de energia é considerada o ponto mais frágil do sistema. Durante o debate Pensar o Vale realizado na quarta-feira, dia 9,  especialistas do setor alertaram para o risco de apagão em caso de pane na linha de transmissão de Nova Santa Rita.

Duas obras foram planejadas para solucionar a fragilidade do sistema. Licitadas em junho 2013, as construções de uma linha de transmissão entre Garibaldi e Lajeado e uma nova subestação na maior cidade do Vale garantiriam oferta de 160 megawatts adicionais à região.

Os projetos deveriam ser entregues em 2016, mas a empresa vencedora do leilão, a MGF Energy, sequer iniciou os trabalhos. De acordo com o secretário estadual de Minas e Energia, Lucas Redecker, a companhia ganhou o direito sobre as obras ao incluir um preço muito abaixo do custo de mercado.

“A abertura da licitação foi fruto da capacidade de organização dos líderes e entidades do Vale, mas tivemos azar”, revela. Lembra que a MGF também venceu o certame para a construção de outra linha de transmissão entre Candiota e Bagé e uma subestação na Serra.

O conjunto de obras compreende a linha de 47 quilômetros de extensão entre Garibaldi e Lajeado, e outra linha, com 16,4 quilômetros dentro de Lajeado, além das subestações. Diante do atraso, os órgãos nacionais e estaduais ligados ao setor buscam uma alternativa para os projetos.

Conforme Redecker, uma das possibilidades é a abertura de uma nova licitação. Segundo ele, a hipótese não agrada por representar uma demora ainda maior para as obras. “Seriam no mínimo mais seis anos até a conclusão das construções.”

Outras opções seriam a convocação da segunda colocada no leilão ou a elaboração de um contrato emergencial com outra empresa. Em 2013, empresas tradicionais do setor, como Eletrosul, Grupo CEEE, Copel, Abengoa e Elecnor participaram do pregão.

Empresa intimada

Na segunda-feira, dia 14, a questão será debatida no Comitê de Planejamento Energético do Estado (Copergs). Conforme o secretário, a Aneel intimou a MGF Energy a prestar explicações, mas não obteve respostas. Esclarecimentos sobre o andamento das obras também foram pedidos pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), pela cooperativa Certel e pela concessionária RGE. Segundo Redecker, a empresa não teria nem encaminhado o licenciamento ambiental para o empreendimento.

Na avaliação do secretário, se hoje o Vale do Taquari precisa dessa ligação para evitar o colapso do sistema, também é preciso avaliar a possibilidade de construir a longo prazo uma terceira linha de transmissão. “A região tem potencial para produzir energia e alcançar a suficiência. Se atualmente é abastecida pelo Sistema Nacional, pode no futuro exportar eletricidade.”

Capacidade perto do limite

Presidente da Certel, Erineo Hennemann afirma que a ligação entre Garibaldi e Lajeado teria capacidade de garantir segurança de abastecimento por, no mínimo, 15 anos. Segundo ele, a demanda energética do Vale é de 280 megawatts, chegando próxima do limite da rede.

“Temos capacidade para suportar até 320 megawatts e a nova linha garantiria oferta de mais 160 megawatts. Agora, o nosso risco é muito elevado”, alerta. Para Hennemann, o crescimento de cerca de 5% ao ano da região exige uma solução rápida, uma vez que o consumo aumenta em percentuais ainda maiores.

Obra parada
Os projetos do lote D do leilão de transmissão de 2013 incluem a linha de 47 quilômetros e 230 kV de tensão entre Garibaldi e Lajeado e outra ligação de 16,4 quilômetros dentro de Lajeado com a mesma tensão. A licitação vencida pela MGF Energy engloba ainda duas subestações de energia, sendo uma em Lajeado e outra na Serra, e uma linha com 49 quilômetros de extensão entre Candiota e Bagé. As obras deveriam ser entregues no primeiro semestre de 2016.

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