Em todo o Estado: Identificação de bovinos de leite

O governo do Estado anunciou, na última semana, que irá realizar a identificação do rebanho de bovinos de leite em todo o RS, começando pelo Vale do Taquari. A decisão foi tomada durante reunião entre o secretário estadual da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa), Luiz Fernando Mainardi, e o presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa da Sanidade Animal (Fundesa), Rogério Kerber.

A identificação será feita por meio de brincos e chips eletrônicos e buscará ampliar os mecanismos de controle de doenças com base no Programa Estadual de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Bovinas/Bubalina (Procetube), instituído este ano pelo Estado. A projeção é de que, em até oito anos, todas as propriedades que criam bovinos para a produção de leite e carne no Estado estejam certificadas, possibilitando compilar os dados das propriedades em um sistema informatizado e unificado, que vem sendo desenvolvido pela Procergs.

O consultor da Câmara Setorial do Leite, Oreno Ardêmio Heineck, vê muitos benefícios no projeto. “A identificação individual dos bovinos leiteiros é imprescindível ao saneamento das áreas geográficas dos municípios quanto à tuberculose e brucelose bovinas”, afirma. Segundo ele, a escolha do Vale do Taquari para o início dos trabalhos se deve à iniciativa pioneira. “Acho que o que mais influenciou na escolha foi o fato de os municípios da Comarca de Arroio do Meio (Arroio do Meio, Capitão, Coqueiro Baixo, Nova Bréscia, Pouso Novo e Travesseiro) terem, lá em 2009, encarado formatar um projeto piloto nacional e manter em funcionamento. Tiveram uma visão de futuro fantástica, aplicando recursos em algo que muitos não aplicariam”, relembra.

Heineck explica que a identificação individual permite ter a rastreabilidade bovina leiteira, o que poderá, em breve, refletir na economia regional. “Os dois juntos – rastreabilidade e sanidade – logo, logo serão exigências dos consumidores de derivados lácteos, nos mercados nacional e internacional. A importância disso é que estaremos à frente dos demais nesses requisitos, o que é bom para todos, refletindo positivamente na economia dos municípios e da região”, adianta.

Quem adere

A proposta do governo é implantar o projeto em apenas alguns municípios da região e, conforme os trabalhos forem evoluindo, expandir as propriedades atendidas. Além das seis cidades da Comarca de Arroio do Meio, onde todos os bovinos já foram oficialmente identificados, outros municípios do Vale do Taquari aderiram ao projeto: Anta Gorda, Arvorezinha, Colinas, Cruzeiro do Sul, Doutor Ricardo, Encantado, Ilópolis, Lajeado, Marques de Souza, Roca Sales, Santa Clara do Sul, Westfália.

O que muda

O projeto pode acarretar mudanças para os consumidores de leite e derivados, conforme explica o consultor. “Eles (consumidores) passarão a ter, à disposição, derivados lácteos de qualidade oficialmente rastreada e comprovada. Essa identificação também permitirá às indústrias aumentar os tipos de derivados lácteos para consumo”, observa.

Produtores também poderão notar mudanças com a identificação nos animais. Segundo Heineck, esses bovinos e sua produção valerão bem mais, já que o consumidor saberá exatamente de onde vem a matéria-prima, como ela funciona e se está ambientalmente correta. “Ao mesmo tempo, será uma ferramenta de gestão importantíssima para o próprio produtor. A tendência a médio e longo prazos (máximo de seis a oito anos) é de não haver mais mercado para bovinos sem identificação. Todo o trânsito desses animais também será controlado por meio da identificação. Enfim, nossa bovinocultura de corte e de leite entrará numa realidade própria de países de Primeiro Mundo, apta a alargar sua presença nos mercados nacional e internacional”, observa.

Como funciona

A identificação feita por brincos e chips eletrônicos é indolor para os animais. A numeração é do Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov), do Ministério da Agricultura, que destina a cada município uma série numérica registrada nos brincos bovinos. “É tipo seu RG. O acompanhará enquanto estiver vivo e estará, por meio desse número, no sistema de controle. Isso permitirá ao produtor implantar outros controles de qualidade nos seus animais, usando essa identificação individual”, explica.

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