Em terra de erva-mate, leite dá lucro para família em Arvorezinha

A região Alta do Vale do Taquari caracteriza-se por ser uma forte produtora de erva-mate. Diversos produtores extraem da planta que dá origem ao chimarrão o sustento de centenas de famílias. Em Arvorezinha, um dos municípios com o maior número de indústrias ervateiras no Estado, um produtor se destaca em outra atividade: a bovinocultura leiteira.

Luis Carlos Marchese (46) é associado da Dália Alimentos e, no município, é o maior produtor de leite da cooperativa com 1,1 mil litros ordenhados diariamente. Sua propriedade está localizada em Linha Quarta Tomé, distante apenas um quilômetro da sede do município. Em meio a uma grande área plana com 43 hectares, sendo apenas 12 cultiváveis, Marchese desenvolve a atividade ao lado da esposa Zeli (42) e dos filhos Mateus (19) e Eloísa (4).

A família conta com o auxílio do pai e do irmão de Marchese, que participam das tarefas do trato, da ordenha e do cuidado com os animais, quando necessário. O produtor, que no passado trabalhou na cidade, no ramo da hotelaria e também plantou em torno de 50 mil pés de fumo por safra, hoje desenvolve a atividade leiteira com projeções de ampliação para o futuro.

O rebanho é constituído por 81 animais, entre vacas, novilhas e terneiras. Destas, 40 estão em lactação, produzindo mais de mil litros de leite por dia. O rebanho holandês, de alto padrão genético, e a excelente produtividade, fez com que Marchese participasse do Programa Vale dos Lácteos da Dália Alimentos. Com uma média de 28 litros de leite/vaca/dia, a propriedade é uma das 56 que integram o projeto, que objetiva qualificar a produção de toda a cadeia leiteira.

Marchese recorda o início difícil, quando teve que abandonar o trabalho no hotel, do qual era dono, e mudar-se para o interior em busca de renda para sustentar a família. “O negócio não estava sendo viável, então compramos a terra e começamos a plantar fumo. Com o tempo fomos deixando de plantar alguns pés de fumo e começamos a comprar algumas vaquinhas a mais. Assim que conseguimos um rebanho bom, abandonamos totalmente o fumo e hoje só trabalhamos com o leite”, lembra.

Na época, eram apenas três vacas leiteiras, resfriador a tarro e ordenha manual. Com o tempo, o rebanho foi ampliado para 19 animais e, assim, sucessivamente. A família também produz silagem, com a fabricação de cerca de 700 toneladas por safra.

Ampliação e sucessão

O desejo de Marchese é ampliar as instalações com a construção de um moderno free stall no sistema semiconfinamento, orçado em R$ 250 mil. No ano de 2003 construiu uma sala de ordenha, que já se encontra em funcionamento. Em médio prazo, pretende ampliar as instalações, gerando maior produtividade e eficiência.

O desejo não é só de Marchese, mas também do filho Mateus. O jovem formou-se Técnico em Agropecuária em dezembro passado e, em breve, iniciará o estágio na Dália Alimentos. Aliando o conhecimento teórico do curso ao prático da propriedade e do estágio que virá, Mateus acredita que poderá vir a ser o sucessor do pai dentro de alguns anos. “Pretendo trabalhar um tempo fora, adquirir mais conhecimento para depois ajudar a tocar os negócios em casa”, garante o jovem.

Perfil da assistência técnica

O Técnico em Agropecuária, Júlio de Sordi (33), é quem atende a propriedade de Marchese. Formou-se no Colégio Agrícola de Guaporé no ano de 1998 e atende a 313 produtores nos municípios de Anta Gorda, Relvado, Doutor Ricardo, Ilópolis Putinga, Arvorezinha, Itapuca e Nova Alvorada.

De Sordi também é responsável pela execução da Escola do Leite, que neste ano terá aulas na região de Progresso, a partir do mês de abril, juntamente com o técnico Gabriel Pozzebon. Na empresa desde 2004, assegura que a assistência técnica define quem permanecerá na atividade futuramente, pois as propriedades precisam ser administradas como empresas, cada vez mais focadas nos pequenos detalhes para gerar os melhores resultados. “Desta maneira conseguimos fazer a fidelização do produtor associado, com o desenvolvimento conjunto de ideias e debate sobre mudanças e melhorias do cotidiano das propriedades leiteiras”, comenta o técnico.

No caso da propriedade da família Marchese, segundo De Sordi, busca seguir o que é repassado através da equipe técnica do Programa Vale Dos Lácteos. “Eles sabem que essas informações são discutidas em conjunto antes de serem implementadas nas propriedades. Assim, havendo a compreensão destas orientações, o trabalho e o resultado esperados se tornam fáceis quando se trata do desenvolvimento e crescimento do leite de maneira geral.”

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