Em Roca Sales, exemplos exitosos de sucessão rural

Nos últimos anos, o tema sucessão rural ganhou espaço na mídia, repercussão entre as empresas e cooperativas e aos órgãos que atuam junto ao meio agrícola. Programas são realizados e desenvolvidos, visando assegurar a permanência do jovem no campo.

A Dália Alimentos, por exemplo, há um ano desenvolve o projeto-piloto Sucessão Rural com 11 jovens associados. São aulas de gerenciamento ministradas mensalmente, desde fevereiro, quando os participantes recebem orientações sobre administração da atividade e dos bens, calculando receita e despesa.

Mas a cooperativa também investe nas famílias que não fazem parte do projeto, fomentando que os jovens associados busquem renda no local de origem, onde nasceram e foram criados. No município de Roca Sales, exemplos exitosos de sucessão são diagnosticados. Para manter e dar continuidade às obras dos pais, expandindo e ampliando a produção, os filhos trabalham lado a lado, às vezes tomam a frente e investem na sucessão.

Para o técnico de suinocultura da região, Danilo Lodi Rissini, “a adequação às novas tecnologias e à escala de produção fez com que as propriedades buscassem ampliar sua produtividade e viabilidade financeira.”

Gustavo Fleck: ampliação e visão de futuro

Em Linha Marechal Floriano (Linha Brasil), Gustavo Fleck (24) está investindo R$ 160 mil na edificação de uma nova pocilga de 60 metros de cumprimento, automatizada e com capacidade para alojar 440 cabeças em terminação. A previsão é que o prédio receba o primeiro lote no início de 2014. Ele já possui um galpão com 90 metros de cumprimento e 560 suínos, instalado há quatro anos.

Sobre o novo investimento, conta que foi decidido em conjunto com os pais Moacir (58) e Marilene (53), e o irmão Mateus (18). “Como a Dália abriu novas vagas para terminação, resolvi me inscrever. Também não pretendo sair da propriedade, gosto de trabalhar com porcos e morar no interior. Não dá tanto serviço e a remuneração é boa”, considera. Determinado, Fleck também está concluindo a moradia própria, para onde pretende se mudar até o fim do ano. Atualmente, ele vive com os pais.

Toda a família atua na propriedade de dez hectares. Além dos suínos, criam 13,5 mil cabeças de frangos. Para o novo galpão, ele projeta o investimento com um diferencial: cortina d’água. O técnico Danilo Lodi Rissini explica que o sistema prevê a ventilação da instalação, onde o ar passa por uma cortina d’água, melhorando a temperatura, e, posteriormente, é jogado dentro da instalação pelo sistema de ventilação. “Com isso, é possível melhorar a ambiência e o bem-estar dos animais nos períodos de calor”, explica.

Sidinei José Bera (37): rumo à terceira pocilga

Há 11 anos, Sidinei José Bera (37) e os pais Lirio (64) e Naides (56) trabalham na suinocultura. Começaram com dois prédios, com capacidade para 1,1 mil suínos. Agora, em fase final de edificação, está o terceiro empreendimento com disposição para 500 animais, totalizando 1,6 mil cabeças alojadas no sistema de creche.

Berá saiu de casa aos 14 anos. Foi morar na cidade para trabalhar em uma indústria moveleira, mas quatro anos mais tarde decidiu retornar, por não se adaptar à rotina com horário e ao trabalho em ambiente fechado. “Aqui é outro mundo. A gente faz o nosso horário e trabalhar na agricultura é bom e rentável”, declara.

A propriedade, também situada em Linha Brasil, tem 7,5 hectares onde ainda é desenvolvida atividade leiteira e, dois hectares, são dedicados à produção de uvas.

Geremias Werner (22): atividade consolidada

A família Werner, de Linha Júlio de Castilhos, sempre trabalhou com suínos. Os pais Ignacio (60) e Beatriz (51) deram início à atividade, há mais de três décadas, quando trabalhavam com o ciclo completo. O filho Geremias (22), que há dois anos associou-se à cooperativa, está no terceiro lote no novo galpão, que aloja 500 cabeças e recebeu investimento de R$ 95 mil. No total, a família possui duas pocilgas que juntas abrigam 1,2 mil leitões.

Em 2009, a UPL passou por reformas e foi transformada em creche. Segundo o pai, “a gente queria por ele (filho) no compromisso, por isso reformamos e ampliamos para mantê-lo em casa, ajudando a gente”, acredita.

O jovem busca a sucessão rural e está animado com os trabalhos na suinocultura. Conta que ficou três anos e meio estudando em um internato e, como atuava na área da fazenda na escola, tomou ainda mais gosto pelos afazeres agrícolas. “Não consegui me adaptar, gosto da lida no campo e estar em casa é bem melhor”, comenta.

Ele cursa Administração de Empresas à distância e quer se aperfeiçoar para o melhor gerenciamento da propriedade. Além de suínos, a família se dedica ao plantio de milho na propriedade, com dez hectares.

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