Em Brasília, ANTT prevê 5 pedágios. Em Lajeado, críticas se multiplicam

Duas reuniões – em Lajeado e Brasília – alteraram outra vez o cenário do plano de concessões de rodovias federais. ANTT deve ampliar trecho da BR-386 até Sarandi, e implantar cinco praças de pedágio, uma a mais em relação ao projeto inicial. Líderes regionais cobram tarifa única nas praças. Valor mínimo deve ficar próximo de R$ 7,90.

O Grupo de Trabalho formado por líderes regionais segue negociando com técnicos da ANTT para tentar baixar os valores das tarifas pré-indicadas no edital de licitação. Ontem, em reunião na sede da Empresa Pública de Logística (EPL), novas obras para Estrela e Lajeado foram solicitadas pelo Codevat e a proposta de tarifa única foi consolidada.

De acordo com a presidente do Codevat, Cíntia Agostini, presente no encontro realizado em Brasília, os investimentos indicados pelo grupo de trabalho para o Vale do Taquari foram orçados em mais de R$ 470 milhões. Entre essas, um túnel interligando bairros em Estrela, e também alterações em acessos a bairros e municípios lindeiros.

Cíntia também confirma a ampliação do trecho da BR-386 a ser concedido. Inicialmente, seriam 260 quilômetros entre Canoas e Tio Hugo. Agora, a proposta é repassar à iniciativa privada mais 47 quilômetros, agrupando os municípios de Carazinho e Sarandi ao pacote proposto pela União.

Com esta ampliação, explica Cíntia, a ANTT prevê uma quinta praça de pedágio na BR-386. No projeto inicial, eram quatro – em Montenegro, Fazenda Vilanova, Soledade e Tio Hugo. A sugestão é instalar esse novo ponto de cobrança neste trecho entre Tio Hugo e Sarandi. Segundo Cíntia, a proposta de levar a concessão até a cidade de Iraí foi descartada.

“Isso implicaria em aumento da tarifa por km, que poderia chegar a R$ 0,15. Hoje, discutimos algo em torno de R$ 0,11. E o acréscimo de uma quinta praça na BR é uma forma de diluir o valor das demais, e manter os investimentos previstos”, diz Cíntia.

Ainda de acordo com a presidente do Codevat, a ANTT considera viável a possibilidade de implantar uma tarifa única para todas as oito novas praças previstas para o Estado – além da BR-386, o plano estipula pedágios nas BRs 290 e 101. Segundo Cíntia, antes da quinta praça, o valor discutido estava em torno de R$ 7,90.

O plano de concessão prevê a licitação de 467,7 quilômetros de rodovias federais. Os investimentos em recuperação, conservação, operação, implantação de melhorias e ampliação de capacidade devem chegar a R$ 7,9 bilhões ao longo de 30 anos de concessão, entre essas, duplicação da BR-386 e construção de vias marginais, trevos e passarelas.

Nova reunião em maio
A ANTT confirma para o dia 1º de maio o fim do prazo de sugestões ao edital e ao contrato de concessão. No entanto, informa Cíntia, as reuniões com o Grupo de Trabalho formado por representantes dos vales do Taquari, Alto do Botucaraí e Caí seguem.

Uma nova reunião foi agendada pela ANTT para o dia 11 de maio, em Porto Alegre. Desde fevereiro, já foram realizadas quatro audiências públicas no Estado, em Lajeado, Soledade, Montenegro e também na capital gaúcha.
Audiência na Univates
Ontem à noite, no auditório do prédio 11 da Univates, em Lajeado, empresários, políticos e técnicos participaram de reunião coordenada por duas comissões da Assembleia Legislativa.

Os trabalhos foram conduzidos pelos deputados estaduais Enio Bacci (PDT), proponente do encontro, Ronaldo Santini (PTB) e Adão Villaverde (PT). Único representante do Vale do Taquari na asssembleia, Bacci defende a exclusão da BR-386 do plano de concessão caso não haja consenso entre governo federal e representantes da região.

Superintendente Regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) — órgão ligado ao governo federal –, Hiratan Pinheiro da Silva, fala sobre os problemas financeiros da União para manter obras e manutenção da BR-386. “A obra de duplicação foi paralisada em 2016 por falta de recursos. Só havia R$ 2 milhões para o ano.”

Segundo ele, é necessário mais de R$ 100 milhões por ano só para manutenção da principal rodovia federal do Vale do Taquari. No entanto, para 2017, explica o superintentende, o Dnit precisa receber em torno de R$ 1,4 bilhão para manter obras e melhorias. “Mas deve chegar menos de R$ 700 milhões”, lamenta.

Outro membro da mesa, o engenheiro Ricardo Froner, chama a atenção para os critérios de investimentos previsto pelo plano de concessão. De acordo com ele, a BR-386 representa 43% do tráfego medido pela equipe da ANTT dentro das rodovias que serão concedidas. “E mais de 70% dos investimentos serão para a BR-386.”

Em contrapartida, alguns vereadores, prefeitos e ex-prefeitos da região se manifestaram contrários ao plano de concessão apresentado. O empresário, Leandro Eckert, por exemplo, cobra sistema de cobrança por quilômetro rodado. Mesma posição do vereador de Lajeado, Ildo Salvi.

Prefeito de Marques de Souza, Edmilson Dörr, se manifesta favorável. “Em Pouso Novo eles também querem”, afirma.

O Gestor de Taquari, Emanuel Hassen de Jesus rebate. “Em todas as audiências, 90% das pessoas são contra este plano apresentado.”

Fonte Jornal A Hora

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