EGR frustra região ao retroceder em projetos de mobilidade

A primeira audiência entre o Conselho Comunitário das Rodovias Pedagiadas da 7ª Região (Corepe 7) e diretores da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) foi considerada um banho de água fria em um outono já não tão quente. Projetos assegurados na gestão passada da autarquia, como a inclusão de rodovias e a melhoria em trechos críticos, foram descartados.

Segundo o presidente do Corepe 7, Luciano Moresco, o sentimento coletivo é de frustração. “Ninguém aponta uma solução para a sociedade. Só se fala em falta de dinheiro. Para quem vamos pedir ajuda?”, indaga.

Moresco diz que os projetos para repassar a ERS-128 (Via Láctea) para a gestão da EGR e a melhoria no trevo de acesso a Arroio do Meio (ERS-130) foram “abandonados”. O presidente explica que o colegiado formado pelo Corepe 7, que é quem decide o que fazer com os recursos do pedágio, havia apontado essas obras como essenciais. “A ‘nova’ EGR diz que vai analisar outra vez esses pedidos. Parece que estamos falando de outro Rio Grande do Sul, em outro planeta. Toda vez que há troca de governo ocorre isso”, critica.

Segundo a presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cintia Agostini, além da decepção, a EGR transmitiu a sensação de surpresa no encontro realizado ontem na Prefeitura de Muçum. “A empresa analisa estradas não pedagiadas com grande movimento. Nos próximos dois meses teremos surpresas com o surgimento de mais praças de pedágios”, projeta Cintia.

Segundo o diretor técnico da EGR, Milton Cypel, a questão da Via Láctea se repete em outras regiões do Estado. Ele explica que, atendendo aos pedidos dos Corepes, a estatal realizou melhorias em diferentes estradas, contrariando o regimento interno da empresa. “Isso foi apontado pelo Tribunal de Contas do Estado como uma prática que é contrária ao que compete à empresa”, justifica.

Cypel diz que a situação está prestes a se desenrolar em favor das estradas não-pedagiadas. A alteração no regimento da EGR permitirá que a manutenção feita na ERS-128 e na ERS-130 voltem a ser executadas. “Estamos no trâmite burocrático, agora. Passada essa etapa, estará tudo resolvido outra vez”, tranquiliza o diretor.

Empréstimo para duplicação

A única notícia boa da EGR para o Vale é a possibilidade da entrada de um recurso externo na ordem de R$ 400 milhões. Um banco de investimento com sede na Bolívia acha atraente o faturamento da estatal – cerca de R$ 17 milhões por mês -, e valida como fiador a arrecadação da estatal.

Com isso, o projeto para duplicação da ERS-130 e demais rodovias de Muçum a Venâncio Aires pode se tornar uma realidade. “Antes de termos essa certeza não vamos custear um estudo para que seja engavetado”, explica Cypel. Segundo ele, somente com a confirmação do empréstimo milionários o Vale pode sonhar com mais uma estrada em quatro vias.

Não há interesse na BR-386

De acordo com o diretor técnico da EGR, não existe a possibilidade da transferência da administração do trecho da BR-386 no Vale do Taquari para a estatal.

Cypel explica no modelo de gestão das rodovias anterior à EGR, as praças de pedágio eram organizadas por polos. “Hoje nós gerimos por linhas. Pegamos uma rodovia e administramos ela em toda a sua extensão”, pontua. Assim, não há chance da retomada da cobrança na rodovia federal.

No entanto, a EGR tem apetite por outras estradas gaúchas, especialmente aquelas que têm maior movimentação e ainda não têm a cobrança. “Mas na região do Corepe 7 não haverá alteração por enquanto”, assegura.

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