Economista Patrícia Palermo expõe desafios do próximo governo

Propostas para a economia do Brasil pautam discursos nesta época de eleição. Na última sexta-feira, dia 3, o assunto foi dissecado pela economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo, em reunião-almoço da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Estrela (Cacis) realizada em parceria com o Sindilojas Vale do Taquari.

Cerca de 100 pessoas estiveram no Estrela Palace Hotel, em Estrela, para assistir à apresentação, que teve didática simples em razão de Patrícia também ser professora universitária. O presidente que assumir o país em 1º de janeiro de 2015 terá em sua mesa uma extensa lista de desafios, classificados como estruturais pela palestrante. No topo das necessidades estão obras de infraestrutura. “A notícia ruim é que não há dinheiro. O governo está fechando as contas no vermelho. A boa é que sempre tem gente querendo investir. O Brasil é um país vasto em oportunidades”, abrandou.

A educação também deve ser prioridade. Patrícia compartilhou informação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2013 que aponta que o brasileiro tem, em média, 7,6 anos de estudo. “Como a gente quer ter competitividade?”, aludiu. No rol das necessidades estão também a burocracia, a instabilidade de regras e a complexidade tributária. São 4,6 milhões de normas editadas entre 1988 e 2012, mostrou a economista. “Simplificar a legislação é outro desafio e já será uma grande coisa”, comentou. Fazer políticas de controle da inflação e recuperar a trajetória de queda da taxa de juros, por meio da fiscalização dos gastos públicos, completaram a lista.

Patrícia afirma que haverá mudanças, independente de qual candidato se eleger. “A gente vai sofrer igual. Só podemos escolher como sofrer, se será mais rápido ou se vamos ficar amargurando”, colocou em relação ao impacto das medidas necessárias para o crescimento econômico.

Contexto

Patrícia se deteve no cenário dos últimos anos, marcado pela distribuição de renda e geração de empregos, mas que agora é de retração. De acordo com a economista, a situação é resultado, entre outros fatores, do gerenciamento macroeconômico, redução da transparência e excessiva tolerância com a inflação.

O Brasil é a sétima economia do mundo, com R$ 4,8 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB). Quando esse montante é dividido entre a numerosa população, o país passa para 62º no ranking do PIB per capita (R$ 24 mil ao ano). “O problema não é apenas a distribuição. A renda é ainda insuficiente, pois é muito baixa. Precisamos crescer mais para sermos igualmente ricos”, frisou a economista.

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