Economista dá dicas para reverter a desindustrialização no Brasil

Com uma apresentação didática e minuciosa, o economista da Federasul e professor titular do mestrado em Economia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), André de Azevedo, prendeu a atenção de lideranças empresariais, políticas e da comunidade que participaram da reunião almoço (RA) promovida nesta segunda-feira, dia 12, pela Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) e Câmara de Indústria Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT). Ele apontou as causas do processo de desindustrialização. Comentou que a solução não é fácil, mas apontou alternativas para reverter a realidade vivenciada hoje pelo país.

Reprimarização das exportações

Azevedo informou que participação das exportações de produtos primários cresceu muito acima da média das exportações nos últimos anos. A esta realidade dá-se o nome de “reprimarização das exportações”. É um processo que vem ocorrendo em muitos países, mas em um ritmo inferior ao brasileiro. Isto deve-se a uma “combinação virtuosa” para o país, que aliou uma grande expansão da demanda internacional com uma elevação significativa de preços.

Contraditoriamente, explica o palestrante, embora esteja ganhando significativas reservas com as exportações de commodities primárias, isto significa perda de participação da indústria no PIB. Há igualmente perda de participação do emprego industrial no total e o aumento do afastamento tecnológico em relação às nações líderes.

O grande volume de exportações também gera entrada de recursos estrangeiros no país. Isto acaba supervalorizando a moeda local em relação às de outros países e, consequentemente, reduzindo a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Educação de qualidade

Em sua fala, Azevedo alertou que o país está deixando de receber indústrias intensivas de alta tecnologia por falta de mão de obra qualificada. “Para as indústrias se instalarem aqui é preciso estímulos fiscais e matéria-prima. E esta matéria prima, hoje, é a mão de obra qualificada que se consegue com uma educação básica de qualidade”, enfatiza. Por outro lado, internamente também há destinação de maior volume de benefícios do governo para as empresas que já detém alta tecnologia em detrimento daquelas que precisam de maiores investimentos para avançar neste sentido.

A China, de um tempo para cá, atraiu várias empresas fortes, pois lá e em outros países não existe a burocracia existente no Brasil, além deles terem investido em educação básica de qualidade, compara. “A produtividade chinesa cresceu 10,4% em um ano, graças à educação de qualidade fomentada pelo país para atrair indústrias intensivas em tecnologia”.

Burocracia

O palestrante também abordou a questão da cultura burocrática do país. “A burocracia no Brasil é tão grande que quando o governo é trocado, troca-se em média 20 mil cargos em todo o país. Em outros países, como a Inglaterra, por exemplo, a cada mudança de governo, apenas 200 cargos de confiança são trocados. Ao final da palestra, o palestrante respondeu à questões sobre a burocracia em órgãos estatais, como a Funai e Fepam.

Integraram a mesa principal, ao lado de Azevedo, os presidentes da Acil e CIC-VT, respectivamente, Alex Schmitt e Ito Lanius; o vice-prefeito de Lajeado, Vilson Haussen Jacques Filho; e a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Ivanete Maria Fracaro.

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