Economista-chefe da Fiergs faz análise do atual cenário

Economista chefe da Fiergs na reunião almoço na CACIS, Estrela

André Nunes de Nunes avaliou momento econômico do país, fez uma perspectiva de recuperação e as medidas necessárias para que esta resulte em sólida expansão

A polêmica situação econômica que pauta o cotidiano de gaúchos e brasileiros foi o tema central da reunião-almoço da Câmara do Comércio, Indústria e Serviços (Cacis) de Estrela, realizada na última sexta-feira, dia 26. O tradicional evento contou, em sua última edição, com a palestra do economista-chefe da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), André Nunes de Nunes. Os presentes ao Estrela Palace Hotel tiveram como pauta a análise do profissional intitulada “Cenários e Perspectivas para a Economia do Brasil e Rio Grande do Sul.”

Entre os temas abordados por Nunes estiveram a atual instabilidade do cenário mundial; a “bolha” do setor público brasileiro e a origem da crise atual; a grande recessão e os reflexos no mercado de trabalho, como também a crise gaúcha e industrial e seus respectivos impactos setoriais. Nunes, de reconhecida experiência e premiada trajetória, vencedor por exemplo do prêmio 2015 de economia do Ministério da Fazenda, destacou que apesar das circunstâncias atuais, o cenário internacional é incrivelmente favorável à economia brasileira. “Questões como a polêmica eleição norte-americana e outros motivos deixam o cenário externo bastante favorável aos países emergentes. Por exemplo, estamos enfrentando um novo processo de impeachment e este ocorre, de certa forma, com tranquilidade. O pior já passou, a maioria sobreviveu apesar de quedas e os menores terão motivos para voltar a crescerem. Reflexo da maior confiança do mercado em geral, inclusive internacional, no cenário local. É preciso, contudo, saber aproveitar estas chances”, avalia ele. “Estamos por nos recuperar de uma das maiores recessões da nova história, muito pelo resultado do atendimento das demandas locais.” Mas reitera. “Recuperação é diferente de expansão. São situações distintas, apesar de paralelas.”

Medidas necessárias

Contudo, de acordo com Nunes, para que este caminho se perpetue, vire uma expansão e não dependa da situação externa, é preciso que se tomem medidas, e ainda assim os reflexos positivos virão a médios e longos prazos, mesmo que a perspectiva para 2017 já seja melhor do que o corrente ano, pois o número de incertezas deve diminuir. “É preciso limitar a expansão das despesas nacionais e a partir do crescimento estabilizar a dívida bruta. Sem crescimento, mesmo que este seja processo mais longo do que outros que já vivemos, não temos como conseguir chegar a um lugar tranquilo. Não há uma fórmula mágica para isso ainda”, ressalta. “Para que se dê mais corpo à nova expansão é preciso estimular o consumo interno e de produtos internos, num fortalecimento da industrial local”, destaca Nunes. “É necessário, para tanto, alterar a estrutura institucional do Estado e do Brasil. Entre a série de medidas está limitar o crescimento das despesas e aprovar a reforma previdenciária, por mais polêmico que isso seja”, finalizou Nunes.


MEIRE BROD

Fonte MEIRE BROD - DOBRO COMUNICAÇÃO

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