“É preciso tomada de decisão por estratégia, não por dinheiro”, afirma Mario Ponci

Que a Chilli Beans é uma marca de grande expressão no mercado, com mais de 600 pontos de venda e presente em dez países, isso muitos talvez já soubessem. Mas foram os bastidores da exitosa trajetória da empresa de óculos de acessórios, contados pelo cofundador Mário Ponci, que impressionaram a plateia de cerca de 700 pessoas na noite desta terça-feira, dia 27, no Teatro do Centro Cultural Univates, em Lajeado. O 3º Encontro Estadual de Jovens Empresários foi realizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Lajeado em parceria com o Curso de Administração da Univates. A programação teve ainda a participação de jovens empresários de três organizações gaúchas – de Lajeado, São Leopoldo e Porto Alegre – que apresentaram seus cases. Maurício Cavichion, da Tribeca Eventos, não pôde estar presente por motivos particulares. Ponci foi diretor de expansão da Chilli Beans por 15 anos e afirmou: “é preciso tomada de decisão por estratégia, não por dinheiro. Porque se a estratégia é bem feita, o dinheiro vem”.

O palestrante contou para o público sobre os percalços do início da empresa paulista, no final dos anos 90, as ações pensadas para tornar a marca da pimenta referência de consumo e transformar os óculos em artigos de moda. “Os outros vendem óculos, nós acessórios de moda, essa é nossa marca”, afirmou. Ponci relatou ações tomadas para crescer, a maioria delas baseadas na construção da marca. “A gente sempre pensa em ideias que façam as pessoas interagir com a marca e isso dá um grande resultado”, comentou, citando como exemplo a presença em festas eletrônicas e inovações como o espelho digital. O equipamento foi instalado nas lojas para permitir a experimentação, oferecendo interatividade.

Ponci também falou sobre a estratégia de patrocinar grandes eventos, como uma edição do Big Brother, e a presença com uma loja sustentável no Rock in Rio. Citou o marketing gerado a partir de famosos posando com óculos da Chilli Beans e a inserção do seu mix em revistas de grande circulação usando produtos de preço alto dos concorrentes como escada. As lojas têm um estilo despojado, do ambiente e da comunicação, aos funcionários. “A Chilli Beans preza muito por quem contrata. São pessoas que se identificam com a empresa e se doam a ela. Prova disso é que mais de 30 colaboradores tatuaram a marca”, orgulha-se. O executivo deixou a empresa no fim de 2014 e deu início a Dom 48, empresa de expansão de franquias.

Cases

A etapa dos cases de empreendedorismo jovem foi aberta pela Spirito Santo, grife de moda masculina de Porto Alegre. O diretor Andreas Mentz falou sobre o desafio inicial de fazer uma alfaiataria diferente, e não o terno comum. “E o legal é que começamos por cima. Quem faz terno, faz camiseta, mas o contrário não, é mais difícil”, salientou, observando o atual mix variado da marca. Na Spirito Santo, todos os ternos têm nome, as lojas têm chopeira e buscam proporcionar experiências com os clientes, como o Dia do Noivo.

A nutricionista Bianca Trevisol, de Lajeado, relatou sua caminhada como empresária à frente da Vovó Faz Bolo e da Inttegra Alimentos. As empresas familiares, com participação dos pais e mais dois irmãos, são a realização de um sonho. A empresa de bolos caseiros surgiu primeiro e já tem mais de 30 variedades no mercado, além da primeira franquia aberta neste ano, em Santa Cruz do Sul. “Eu não vendo bolos, simplesmente. Para mim, o principal é fazer as pessoas se sentirem bem”, disse. “Como empresária, não se pode pensar quanto dinheiro vai dar, mas porque a gente quer este dinheiro. É esse o propósito que nos move. Por isso eu conheço o sonho de cada pessoa que trabalha comigo”, exemplificou, afirmando a valorização à equipe.

A Tridel, que criou o inovador SuperCooler, foi apresentada pelos sócios Ricardo Gazzola e Rafael Schiavoni. Junto com mais um sócio, eles tocam em São Leopoldo a empresa que tem como produto o acessório que resfria uma lata de bebida em dois minutos. “Hoje quando apresentamos o produto e como funciona, parece simples demais. Brincamos que daí é só beber para crer”, comentou Schiavoni. Mas o começo não foi fácil, partindo do básico que era as pessoas acreditarem que a engenhoca que gelava latinhas realmente daria certo. A empresa tem a patente nacional do produto e já projeta ganhar seu primeiro milhão, mesmo tendo começado as vendas há menos de um ano.

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