Duplicação BR-386: Movimento de protesto ganha adesão regional

A histórica mobilização, inicialmente coordenada pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT) para pressionar a Fundação Nacional do Índio (Funai) a liberar os dois quilômetros restantes para a duplicação da BR-386, junto à aldeia indígena, em Estrela, ganha adesão regional. Em mais uma reunião preparatória para o movimento que acontece em 15 de março, realizada nesta terça-feira, dia 18, na Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil), dezenas de entidades comunitárias confirmaram apoio à iniciativa. A comunidade vai concentrar-se em 15 de março, das 09 às 13 horas, no posto Laguinho, em Estrela, estacionando caminhões e carros e portando faixas e cartazes para pressionar o órgão.

O ato pode, inclusive, resultar na interrupção do trânsito da BR, também chamada de Estrada da Produção, uma das mais importantes do Estado e com circulação de cerca de 20 mil veículos diariamente. A duplicação entre Tabaí e Estrela está atrasada pela demora na liberação em definitivo do trecho, apesar de inúmeras reuniões realizadas e visitas de comitivas à sede do órgão federal, em Brasília.

Novas adesões

Os organizadores esperam a adesão de mais organizações nos próximos dias. As entidades, sindicatos, clubes de serviços e movimentos diversos da comunidade que querem apoiar a mobilização devem enviar mensagem com brevidade para o email cic@cicvaledotaquari.com.br.

“A comunidade do Vale do Taquari não aguenta mais tantos desmandos, falta de vontade política e indefinição que impedem a liberação do trecho da aldeia indígena para concluir as obras. Enquanto isso, vamos acumulando, de forma absurda e irresponsável, as perdas econômicas e de valiosas vidas humanas”, desabafa o presidente da CIC-VT, Oreno Ardêmio Heineck.

Aumento da velocidade

O movimento também prevê a pressão sobre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para o aumento do limite de velocidade na BR 386. A comunidade tem assistido a colocação de placas novas no trecho duplicado indicando como velocidade máxima 80 quilômetros por hora. A CIC-VT entende que o limite máximo no trecho duplicado, e até Porto Alegre, pode ficar entre 100 e 110 quilômetros por hora. Por isso, no dia 15, será organizada uma carreata com dezenas de caminhões trafegando na velocidade mínima entre Estrela e Canoas, o que deve provocar grande engarrafamento no trecho.

“Vamos mostrar ao DNIT que, até por uma questão de justiça – já que outras rodovias em condições não tão boas têm limite maior, a velocidade máxima da BR 386 tem que ser aumentada em definitivo”, adianta o líder empresarial.

Saiba mais

A Funai condiciona a liberação à conclusão da nova aldeia (já em construção) prevista para terminar no fim de 2015. As entidades regionais criticam esta posição, pois resultará num gargalo de dois quilômetros de pista simples entre trechos duplicados.

O consórcio Conpasul e Iccila, responsável pela obra de 33,5 quilômetros entre Tabaí e Estrela, estipula a entrega para, no máximo, junho. Depois disso, segundo Heineck, as máquinas deixam o trecho, tornando a duplicação incompleta nos dois quilômetros não liberados, de forma imotivada, pela Funai. A partir daí, seria preciso uma nova licitação para concluir a obra, podendo este gargalo permanecer por mais de dez anos.

Segundo informações, já não há mais sequer um indígena morando na faixa de domínio da BR. A única instalação que existe, no trecho próximo à entrada de Bom Retiro do Sul, é uma cabana usada para venda de artefatos típicos. “Sempre nos preocupamos com que os direitos dos indígenas fossem assegurados. Como sua nova aldeia está em construção e eles residem em casas fora do traçado da nova pista de rodagem, não há qualquer razão, de ordem técnica ou legal, para este inexplicável atraso na liberação”, frisa Heineck.

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