Dnit suspende recuperação da BR-386

O projeto para recapeamento da BR-386 entre Soledade e Triunfo, trecho de 152 quilômetros, passa por readequação do Dnit. A qualidade do asfalto prevista no contrato, homologado em fevereiro, será elevada a pedido da construtora Conpasul. As reformas estão suspensas até o fim de julho, quando a mudança deve ser concluída.

De acordo com o diretor da empresa, Nilto Scapin, a análise dos técnicos da autarquia sobre os materiais necessários tornou-se defasada devido aos atrasos para começar a obra. “Foi estipulado um asfalto comum. Mas precisamos de um mais resistente, do contrário não vai funcionar.”

Apenas um pequeno trecho da rodovia federal foi recuperado antes de os trabalhos serem interrompidos. Desde então, a construtora mantém operação tapa-buracos e roçadas. A partir da readequação, o investimento de R$ 31 milhões também aumentará. “É um material mais nobre”, alega Scapin.

Conforme edital, os serviços começam no quilômetro 248,2 da BR, em Soledade. Mas o diretor da empresa adverte que a sequência da obra – pontos a serem recapeados – depende de análise dos engenheiros do Dnit. “Faremos conforme a necessidade, nos pontos mais críticos.”

A polícia rodoviária classifica como ruim a condição da BR-386 na região. Para o chefe do Núcleo de Policiamento da PRF de Lajeado, Leandro Wachholz, a situação está pior do que na época das concessionárias de pedágio. “Se comparado às ERSs, ainda estamos razoáveis.”

Filmagens podem comprovar avaliação

Desde o encerramento contratual com a Sulvias, em abril do ano passado, pouco foi feito. Além de buracos e desníveis, a capoeira cresce às margens da via. A vegetação cobre parte das placas de sinalização, acostamento e dificulta o escoamento da água em diversos pontos.

Para o Wachholz, todo o perímetro precisa de melhorias. A maior dificuldade, segundo ele, é percebida entre Forquetinha e o fim da duplicação, em Estrela. Depois disso, Pouso Novo e cercanias se tornam a região mais perigosa.

A fim de comparar as atuais condições da BR com a época em que encerrou a concessão dos pedágios, a PRF registra imagens da rodovia. Um percurso de 500 quilômetros – ida e volta entre Soledade e Tabaí – foi filmado há um ano. “Na semana que vem faremos nova filmagem para comparativo.”

O inspetor indica cinco prioridades: melhorar o sistema de drenagem em vários pontos; Ordenar o trânsito com criação de trevos amplos; Criar faixas laterais para o trânsito urbano; Construir um viaduto no acesso a Conventos; Implementar um túnel nas imediações da Florestal Alimentos.

Chance de acidentes aumenta

Wachholz alerta para os riscos causados pela falta de manutenção da rodovia. “Às vezes, com chuva, a via contribui mais para acidentes do que o carro e condutor.” A condição pode ter causado a morte Alcides de Souza Farias, 81, e Olinda Pereira Farias, 79, na última quinta-feira, dia 05.

A Brasília conduzida pelo idoso teria aquaplanado, invadido a pista contrária, e colidido contra uma carreta bitrem carregada com adubo. O acidente aconteceu às 13h, no km 220 da BR-386, divisa de Soledade com Mormaço.

O motorista do caminhão, Anderlei Fábio Poletti, saiu ileso. “Tinha quase um palmo de água na pista”, informou o condutor. De acordo com a polícia local, além da quantidade de água, o mau estado do carro também colaborou para o acidente.

Série de atrasos

A reforma estava prevista para iniciar nas primeiras semanas de 2014, mas trâmites burocráticos retardam o início dos trabalhos. O primeiro entrave foi discutido na Justiça ainda no ano passado.

Em novembro, a empresa Traçado Construções e Serviços, de Erechim, venceu o pregão eletrônico. Contudo, a segunda colocada – Conpasul Construções e Serviços, entrou com recurso desclassificando a vencedora. Como o contrato entre a empresa e Dnit foi assinado apenas em fevereiro, a ordem de serviço levou ainda mais tempo para ser liberada: no fim de março.

você pode gostar também Mais do autor

Comentários

Carregando...