Diversificação na agricultura vira garantia de renda aos produtores

A propriedade de Sélio Antônio Guzon (69) é daquelas onde se encontra “de tudo”. Nos 11,6 hectares são dois açudes, horta orgânica, plantação de eucalipto e parreira de uva, além de criação de abelhas, ovelha e gado. Enquanto algumas das atividades focam a produção para consumo de seu Sélio e da esposa, Lourdes Primaz Guzon (64), outras garantem os rendimentos do casal. “Tudo é aproveitado”, afirma o agricultor.

A propriedade dos Guzon é exemplo de diversificação – uma realidade da maioria das famílias agricultoras do Vale do Taquari, de acordo com o assistente técnico regional da área de Organização Econômica da Emater, Alano Thiago Tonin. Segundo ele, o trabalho com mais de uma cultura permite otimizar a mão de obra da propriedade.

Com produção de 500 quilos de mel por ano e uma média de 170 peixes a cada 18 meses, Seu Sélio e dona Lourdes se dividem no serviço e contam com o auxílio de mais uma pessoa para o trabalho na horta. Aos poucos, a plantação de legumes e verduras tem sido reduzida. Embora seja a mais rentável, é a que mais dá trabalho.

Com o apoio da Emater, o casal investiu em melhorias no vinhedo, aumentando a produtividade das uvas, utilizadas para fabricação de suco e vinho artesanal. A família também apostou na piscicultura, com a abertura um novo açude. “O seu Sélio diminuiu e, com o tempo, vai parar com a olericultura (produção de hortaliças). Ele diminuiu a necessidade de mão de obra e ampliou sua renda com o vinhedo e a piscicultura”, detalha o chefe do escritório municipal da Emater de Forquetinha, Ivan Cesar Tremarin.

Renda dividida

Com a diversificação, a família Guzon obtém rendimentos com atividades que demandam menos mão de obra do que a olericultura. Além disso, o dinheiro entra em diferentes épocas do ano e não deixa seu Sélio no vermelho. “Não são rendas expressivas em cada atividade, mas a soma de todas gera uma renda satisfatória e um esforço físico adequado às necessidades do casal”, explica Tremarin.

Seu Sélio gosta da experiência. “Minha produção sempre foi assim”. Se tivesse menos idade, comprava uma caminhonete para vender os produtos. “Só não faz dinheiro quem não quer”, acredita. Para o agricultor, é preciso trabalhar, no mínimo, com duas culturas para ter sucesso na produção.

Na opinião de Tremarin, o trabalho com mais culturas permite que o produtor não fique dependente financeiramente de apenas uma atividade. “Com a diversificação, o agricultor fica menos sujeito às oscilações de mercado, obtendo várias fontes de renda anual e também aos riscos climáticos como estiagem, granizo, vendaval, excesso de frio ou calor”, explica.

Saiba mais

Embora não haja um dado oficial, conforme a Emater regional, a diversificação de culturas é uma realidade em quase todas as famílias produtoras rurais do Vale do Taquari. Enquanto algumas, como a de seu Sélio Guzon, tiram o sustento da produção variada, outras se valem da diversificação para consumo próprio – o que também influencia na renda familiar, já não precisam comprar o alimento.

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