Dieta para Vacas Leiteiras é tema de curso do Centro de Treinamento de Teutônia

O Centro de Treinamento de Agricultores de Teutônia (Certa), em parceria com a Emater/RS-Ascar e com o Colégio Teutônia, realizou entre terça e quarta-feira, dias 7 e 8, o primeiro módulo do Curso de Dieta para Vacas Leiteiras. A capacitação – que foi oferecida pela primeira vez e contou com a participação de agricultores e extensionistas dos municípios de Bom Retiro do Sul, Progresso, Nova Bréscia, Teutônia, Salvador do Sul e Santa Cruz do Sul – terá continuidade nos dias 18 e 19 de novembro, quando ocorre o segundo módulo.

Entre os assuntos abordados na primeira etapa estão, introdução para dieta de ruminantes, fisiologia digestiva, variáveis das exigências nutricionais, planilha de gerenciamento de rebanho, cálculo de dietas e práticas de coletas de dados diversas, com pesagem da vaca, período de lactação e última inseminação, entre outros. Na segunda etapa serão realizados estudos de caso, com a avaliação da gestão e dieta dos rebanhos participantes, além de serem abordados temas como doenças metabólicas, mineralização e sanidade.

O objetivo da capacitação, de acordo com o coordenador dos cursos do Certa, técnico agrícola da Emater/RS-Ascar, Maicon Berwanger, é qualificar a produção leiteira, a partir daquele que é um dos principais problemas encontrados pelos técnicos, no trabalho de campo. “A nossa intenção é orientar os produtores sobre como alimentar a sua vaca, trabalhando não apenas aspectos relacionados ao volume de alimento oferecido ao animal, mas também a quantidade de nutrientes que serão disponibilizados ao rebanho nesse processo”, salienta.

Para Berwanger, os resultados alcançados por esse tipo de trabalho mostram que, em muitos casos, os produtores de leite se surpreendem com o potencial do plantel que eles já possuem em suas propriedades. “A tendência de alguns produtores é de acreditar que apenas o melhoramento genético é capaz de garantir uma boa produtividade, sendo que o manejo nutricional pode ser o responsável não apenas por dobrar o volume de leite produzido, mas também de qualificar a parte reprodutiva, numa espécie de movimento inverso”, explica.

A capacitação também serviu para inaugurar oficialmente o Rincão Digital do Certa, sendo esta a primeira vez que os agricultores tiveram contato com o programa de computador Boviter, por meio do qual poderão fazer o controle de seu rebanho. Para o jovem produtor Felipe Paloschi, da localidade de São Luiz, em Progresso, a qualificação é importante por possibilitar a troca de experiências entre os envolvidos. “Em muitos casos é um aprendizado que podemos também levar adiante e repassar para outros bovinocultores”, ressalta.

Por meio da produção de leite do rebanho composto por cinco vacas, a família de Maicon produz 35 quilos de queijos por semana, que são vendidos para vizinhos, parentes e amigos. “E se tivéssemos mais, venderíamos mais”, garante. Como produtores de tabaco, sentem-se felizes por possuírem outras fontes de renda, sendo que, além do fumo, produzem hortifrutigranjeiros para o consumo próprio. “A gente nunca pode apostar exclusivamente em uma cultura já que, no ano passado, por exemplo, tivemos muitas perdas por conta da estiagem”, diz.

Para o bovinocultor Luiz Osvaldo Fink, de Linha Glória, Bom Retiro do Sul, a produtividade do rebanho tem aumentado, conforme ele investe em capacitações. Há cerca de um ano e meio possuía 70 animais que, juntos, produziam 1,2 mil litros diários. “Hoje, com o melhoramento genético, tenho 49 vacas em lactação que produzem quase o mesmo volume de leite”, observa. Qualificando o manejo nutricional, Fink, que é técnico em agropecuária, acredita que possa chegar aos 1,5 mil litros de leite por dia, com o mesmo número de vacas em lactação.

Preocupado em diversificar a propriedade, o agricultor também trabalha com suinocultura, piscicultura, silvicultura, erva-mate, soja, milho e trigo. “Hoje, não podemos ficar reféns apenas de uma produção, já que o mercado é muito dinâmico”, analisa. Em sua propriedade, também não descuida da parte ambiental, tendo cisterna para reaproveitamento da água, sendo o próximo passo a implantação de um sistema de irrigação. “Além disso, também procuro deixar uma boa cobertura vegetal, mantendo também uma área verde para os animais”, diz.

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