Desafio de mover o porto agora está na manutenção da hidrovia

O novo diretor de portos da Superintendência de Portos e Hidrovias do Rio Grande do Sul (SPH), o estrelense Cristiano Nogueira da Rosa, já conhece a nova “missão” do Porto de Estrela, que passou às mãos do Estado em agosto do ano passado. Agora é preciso gerir a navegação nos 86 quilômetros do canal, que sai da cidade de São Gerônimo, na Região Carbonífera, até Estrela. Esse serviço até então era executado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Segundo o diretor de portos da SPH, quando o comando do porto era da União, a dragagem e manutenção do canal era feitas pela Administração de Hidrovias dos Sul (AHSul), órgão ligado ao Dnit. Agora, com o domínio estadual da hidrovia, e o caixa com “baixo calado” do governo Sartori, Rosa explica que é preciso criatividade para dar sequência ao trabalho. “Vamos tentar manter o convênio com a AHSul. A meta é unir esforços para movimentar o nosso porto e as demais hidrovias do estado”, complementa.

Junto de Rosa assume o comando local do porto de Estrela, Antônio Carlos Busnello. Ele é o novo diretor, que será oficializado no cargo em 15 de abril. Busnello também tem uma grande tarefa no modal: movimentar alguma outra coisa que não seja areia.

Busnello conta que apenas o mineral embarca do porto, via Taquari. “Estamos trabalhando para manter tudo limpo e organizado. Agora é unir forças para deixar o canal com capacidade de navegação e abrir as portas à operação”, detalha.

Para ser navegável a qualquer tipo de embarcação, o Rio Taquari e a hidrovia que leva ao porto precisam ter, no mínimo, 2,5 metros de profundidade. Por conta das características geográficas do rio, em determinadas épocas do ano a profundidade, também chamada de calado, diminui. Em outras, a areia e as pedras se acumulam no leito do rio, em função das cheias. Para manter a navegação, é preciso um trabalho constante de dragagem que, de acordo com a SPH, deverá ser dividido com a AHSul.

Relembre o caso

O Porto de Estrela está em uma área do município, cedida ao governo do Rio Grande do Sul. A estrutura composta por armazéns, cais e equipamentos de operação portuária eram de propriedade da Companhia de Docas do Maranhão (Codomar) que, até 2014, pagava R$ 50 de aluguel ao governo gaúcho para operar o local.

Com a nova lei de portos – 12.815 – de 2013, foi permitida a operação provada da navegação. Um ano depois, o processo de “devolução” do modal ao Estado foi realizado.

A partir de então, a Prefeitura de Estrela e o governo do RS buscam alternativas para tornar atrativo o transporte hidroviário a um operador de logística privado. Este poderá se instalar no porto depois de se habilitar em uma licitação. No entanto, o fato “novo” mostra que é preciso garantir a navegação em todas as estações do ano nos 86 quilômetros de navegação.

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