Dália apresenta Projeto-piloto Sucessão Rural na Suinofest

Há cinco meses, a Dália Alimentos deu início ao Projeto-piloto Sucessão Rural, com ênfase em Gestão de Empreendimentos Rurais. E foi este tema que a cooperativa abordou na última sexta-feira, dia 7, durante seminário realizado paralelamente à 12ª Suinofest, em Encantado.

Jovens produtores que integram o projeto, além de pais, irmãos e demais familiares prestigiaram as explanações que ocorreram junto ao Parque João Batista Marchese.

O presidente do Conselho de Administração da Dália Alimentos, Gilberto Piccinini, iniciou enfocando o que levou a cooperativa a desenvolver o projeto-piloto que, já no próximo ano, deverá ser ampliado para as demais regiões de abrangência da Dália.

Lembrou a realização de uma pesquisa aplicada junto a 120 jovens, onde foi diagnosticado que 86% dos entrevistados gostariam de dar continuidade ao trabalho dos pais, permanecendo na propriedade rural. No contraponto, 94% opinaram não saber o que significa o termo Sucessão Rural, e 84% disseram já ter conversado com alguém da família sobre o assunto.

Quanto aos pais, 65% opinaram que aceitam e, inclusive, apoiam a sucessão deles na propriedade. O equivalente a 11% respondeu que os pais aceitam, devido aos investimentos em instalações, equipamentos, novas tecnologias, animais, além de outros aspectos realizados na propriedade.

Em torno de 10% dos jovens disse que os pais aceitam a ideia de sucessão, mas que o jovem não quer permanecer na propriedade. Já 6% afirmou que os pais aceitam, mas que existe uma forte resistência nos investimentos e, também, em aceitar suas opiniões, bem como deixar que eles tomem alguma decisão.

De acordo com Piccinini, por meio da pesquisa foi possível diagnosticar o que o jovem pensa sobre o assunto e quais as chances deles permanecerem na propriedade. “Para a nossa surpresa, a grande maioria dos entrevistados deseja dar continuidade ao negócio e patrimônio dos pais.”

Após a pesquisa, tabularam-se os dados e procurou uma alternativa para evitar este êxodo, promovendo a sucessão rural. Então, iniciou-se uma série de reuniões com professores e direção da Dália Alimentos, na tentativa de avaliar a melhor maneira de iniciar o projeto. “Para isso, houve a contratação de psicóloga e pedagoga para desenvolvimento do projeto, além de reuniões com os conselheiros de Administração, delegados e lideranças da região 5, escolhida como piloto”, detalha.

Após todo esse processo, o projeto foi explanado aos pais e filhos com início do processo de inscrições. Hoje são 12 famílias participantes dos municípios de Encantado, Nova Bréscia, Doutor Ricardo, Coqueiro Baixo e Relvado.

O professor Lucildo Ahlert também falou no evento. Ele enfocou a metodologia das aulas e também o processo de gerenciamento junto as famílias.

O Projeto-piloto Sucessão Rural teve início no começo de 2013. As aulas ocorrem uma vez por mês, sendo ministradas por Ahlert. A duração é de um ano, com enfoque na gestão rural. Já foi realizado o levantamento patrimonial, visita individual com programas de gerenciamento e colocação no sistema, a fim de possuir o balanço social.

Também foi realizado o levantamento de custos operacionais, receita, dados de produção para a busca de soluções que visem o melhoramento dos resultados. No próximo mês, iniciam-se as visitas às propriedades, feitas pelo professor e pelos técnicos. Isso, para debater junto às famílias, a simulação de custos e benefícios. Os próximos encontros ocorrem nos dias 8 de julho, 12 de agosto, 9 de setembro, 14 de outubro, 11 de novembro e 9 de dezembro.

Depoimentos

Alguns participantes relataram acerca da experiência de participar do projeto. Cláudio Luis Martini (27), de Linha Arroio Bonito, Coqueiro Baixo, disse que nunca havia ouvido falar de sucessão, tampouco gestão rural. “Logo no primeiro encontro percebi que, com este curso, poderia melhorar muito o meu trabalho.”

Agora, passados seis meses desde o início, Martini conta que obteve um vasto conhecimento, que o auxiliou a melhorar os resultados e controlar a gestão financeira da propriedade. “Sempre trabalhei no interior. Por duas vezes fui trabalhar fora, mas não deu certo. Eu trabalhava em outro lugar pensado no serviço que eu tinha em casa. Então, percebi que podia ganhar mais melhorando as coisas em casa”, revela.

Depois que integrou o projeto, o jovem conta que passou a ver o patrimônio que tinha e também deixar tudo mais bem organizado. “Tudo de teórico que aprendo nas aulas, quando chego em casa, aplico na prática.” A família, composta pelos pais Ari (53) e Lourdes (50), e pelo irmão Marcos (19), atua com leite, aves e fumo.

Isolda Senter Valgoi (46) é esposa do produtor associado Jaime Valgoi (52) e mãe de Josias (25). Na condição de mãe, ela ressaltou a importância da participação do filho nas aulas. Para ela, o projeto vem ao encontro das famílias rurais que têm interesse de permanecer na propriedade. “Diante de um mercado tão inseguro, essa insegurança é repassada, gerando medo de frustração aos jovens. E a maioria prefere trabalhar sem fazer qualquer contabilidade, com tamanho receio. Por isso, o curso traz uma luz no fim do túnel, pois eles poderão planejar e elaborar o melhor caminhar a ser seguido, dando segurança e proteção ao seu patrimônio, fazendo valer o seu trabalho.”

Ela enfatiza que o projeto propicia a troca de ideias entre pais e filhos. “Esse diálogo, aliado à troca de experiências, é essencial para que a família se mantenha unida e prospere.” E completa: “toda equipe da Dália está de parabéns, pois o sucesso de uma empresa depende da harmonia e do empenho de ambas as partes, tanto cooperativa quanto cooperador”, finaliza.

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