Dália Alimentos lança Escola do Leite e anuncia início das aulas para outubro

Estruturada na entrada do Clube Comercial de Encantado, a Escola do Leite atraiu olhares do público que prestigiou a aula inaugural de mais um projeto pioneiro e inovador da Dália Alimentos.

O programa, que inova os moldes da assistência técnica fornecida aos produtores de leite da cooperativa, foi apresentado na manhã desta quinta-feira, dia 15, com aula inaugural proferida pela diretoria da Dália Alimentos e convidados.

O presidente do Conselho de Administração, Gilberto Piccinini, disse ser mais uma data marcante para a Dália Alimentos. “De forma associativa, a cooperativa sempre pensou seus projetos.” Inteirou a proposta de escola, que inova o formato de assistência técnica fornecido aos produtores. “É um projeto inovador e desafiador. Que a Escola do Leite seja uma oportunidade de aprendizagem e desenvolvimento a estes associados. Vamos inovar o futuro da assistência técnica.”

O presidente Executivo da Dália Alimentos, Carlos Alberto de Figueiredo Freitas, fez a apresentação da escola e ressaltou os motivos que levaram a Dália Alimentos a investir no modelo diferenciado de assistência técnica. “A escola quer evoluir e proporcionar aos produtores um número maior de horas de assistência técnica.” Justificou o modelo atual de assistência, que além de obsoleto, é caro e pouco eficiente. “O técnico visita pouco as propriedades e o produtor recebe poucas horas de assistência.”

Freitas lembrou que o projeto só foi possível após viagens à região da Galícia, na Espanha, referência em produção leiteira no mundo. O presidente apresentou dados do Programa Geral de Leite da Dália Alimentos, que tem 1,8 mil produtores, 24 mil vacas em lactação e uma produção diária/vaca de 18 litros de leite. Também fez referência ao Vale dos Lácteos, que tem 57 produtores, um rebanho de 3,6 mil animais – todos registrados na Associação dos Criadores de Gado Holandês do RS (Gadolando) –, e uma média de 28 litros de leite por vaca/dia.

Em 2011, segundo Freitas, a cooperativa estabeleceu metas para que os produtores tivessem uma atividade leiteira ainda mais rentável. Revelou que a meta estipulada pela Dália, para cada vaca, é de 28 litros de leite/dia. Entretanto, este índice está em 18 litros/dia no Programa Geral. “Este foi um dos inúmeros motivos que nos levaram a trabalhar com a possibilidade da Escola do Leite.”

Explicou, ainda, que o produtor que participará da escola não terá mais assistência técnica na propriedade, com exceção daqueles que investirem em projetos ou realizarem investimentos em alimentação, construções e genética. “As dúvidas diárias deverão ser sanadas durante as aulas.”

Acerca do futuro da Escola do Leite, Freitas adiantou que o objetivo da Dália é estruturar uma camionete para cada região de abrangência da cooperativa, atingindo 100% dos produtores com certificação nos 121 municípios que a Dália está presente.

E mais, futuramente, a Escola do Leite poderá se transformar num projeto mais abrangente, ofertando cursos de atualização e aperfeiçoamento contínuos, substituição da camionete por um centro de educação de produtores em regime de internato, com períodos curtos e manutenção do conhecimento através da atualização à distância.

Autoridades elogiam pioneirismo da Dália e falam do setor leiteiro

O presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Frederico Périus, destacou o sistema cooperativo e a produção leiteira. Apresentou um balanço, enaltecendo as 1.033 cooperativas existentes no Estado, os 2,2 milhões de associados e os 121 mil produtores de leite, sendo que destes, 65 mil são de cooperativas. “O leite é campeão em geração de mão-de-obra. É um importante elemento de desenvolvimento, que ajuda a manter o jovem nas propriedades.”

O secretário adjunto e diretor geral da Secretária de Agricultura do Estado, Cláudio Fioreze, no ato representando o titular da pasta, Luiz Fenando Mainardi, parabenizou a Dália Alimentos pela iniciativa ousada e inovadora. “A Escola do Leite apresenta componentes diferentes. Com certeza, a experiência e iniciativa será referência para todo o Estado e também para o Brasil”, enfatizou. Ressaltou que o leite é uma alternativa para a agricultura familiar e que é preciso haver um ajuste entre a oferta e a demanda. Fez uma crítica à cadeia produtiva, classificando-a desorganizada e que ainda faltam políticas públicas de fiscalização para combater, por exemplo, o episódio de desencadeou a operação do Leite Compensado.

Representado o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Alexandre Trindade Leal, discorreu acerca do Plano Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite (PNQL). Colocou que o objetivo é promover a melhoria da qualidade do produto e a segurança alimentar, garantindo e viabilizando que as instruções normativas 51 e 62 sejam cumpridas fielmente. Exaltou a importância da higiene em toda a cadeia produtiva e afirmou que hoje o maior problema no Brasil ainda está ligado à higiene, o que é fácil de resolver. Apresentou tópicos para alcançar a qualidade, para o que faz-se necessário sensibilização, comprometimento e capacitação. “Neste último quesito podemos encaixar a Escola do Leite, em que os produtores serão os maiores beneficiados com este novo sistema de educação e assistência técnica”, ponderou, emendando que: “a qualidade do leite não é cara, ela simplesmente não tem preço.”

O subprocurador geral de Justiça do Ministério Público (MP), Marcelo Lemos Dornelles, raciocinou sobre a atuação do MP em suas várias áreas de abrangência. Foi enfático ao traçar a atuação e o envolvimento do órgão na cadeia produtiva do leite, frisando o trabalho da Comarca de Arroio do Meio no projeto contra a erradicação da brucelose e tuberculose no rebanho e no caso do Leite Compensado. Sobre a sanidade animal, destacou que a região é a maior do país, em número de animais certificados, elogiando o índice. Quanto aos problemas no leite, mencionou o crime, a fraude, o dano ao consumidor, os problemas de saúde pública e a sonegação fiscal. E alertou: “temos que aproveitar as crises para melhorar.” Para finalizar, assinalou que a operação Leite Compensado está longe do fim e que terá novas etapas. “Serão mais fases e muita gente irá se surpreender. Nessa fraude ninguém é inocente”, pronunciou, referindo-se a todos os envolvidos. Leal foi taxativo ao afirmar que não enxerga diferença entre o corrupto e um adulterador de leite. “Os fraudadores são uma parcela muito pequena e quem quiser ser um bom produtor sempre vai se dar bem.”

Aulas em outubro

As aulas da Escola do Leite iniciam-se no dia 2 de outubro, com o primeiro módulo sobre Gestão e Planejamento da Atividade Leiteira. A primeira propriedade a receber a camioneta Sprinter equipada com sistema de som, áudio, vídeo e material didático será a de Arlei Parisotto, em Linha Doutor Borges de Medeiros, em Anta Gorda.

O projeto consiste em uma escola montada sobre rodas, que vai se instalar em propriedades estratégicas, abrangentes da região de Anta Gorda. Nos locais serão ministradas aulas práticas e teóricas para todos os produtores.

Durante o encontro, realizado mensalmente, os produtores de leite poderão sanar dúvidas e observar, na prática, como qualificar a produção, além de interagir com os demais produtores e parceiros da atividade.

Profissionais que integram o corpo técnico da Dália Alimentos, além de convidados, serão os professores que irão falar aos produtores. Entre os conteúdos abordados na Escola do Leite, estão os seguintes módulos: 1) Gestão e Planejamento da Atividade Leiteira, 2) Produção de Alimentos Volumosos, 3) Manejo Nutricional do Rebanho, 4) Melhoramento Genético, 5) Instalações e Conforto Animal, 6) Criação de Terneiras e Novilhas, 7) Reprodução de Vacas Leiteiras, 8) Qualidade do Leite e Manejo de Ordenha, 9) Controle de Mastites e 10) Sanidade do Rebanho.

Ao término de dez meses, o produtor que frequentar todas as aulas receberá um certificado de conclusão do curso.

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