Daer adia conclusão de acessos outra vez

Promessas contrastam com a realidade na abertura do último ano de gestão do governador do Estado, Tarso Genro. Das nove obras de pavimentação dos acesso municipais, previstas para serem concluídas até 2014, apenas duas estão prontas. Outras duas seguem paralisadas. Duas estão em andamento e três sequer começaram.

Contratos antigos, muitos iniciados há mais de 15 anos, são o principal entrave do Daer. A condição, por exemplo, emperra o asfaltamento da ERS-421, no trecho entre Boqueirão do Leão e Sério. A obra está paralisada desde dezembro do ano passado, depois que o saldo contratual esgotou, forçando a abertura de nova licitação para concluir os serviços remanescentes. Cerca de 70% do cronograma foi concluído pela Construtora Giovanella.

Mesma situação ocorre no trecho entre Forquetinha e Sério, da mesma rodovia. O serviço segue em andamento, apesar de o Daer informar haver dinheiro apenas para a conclusão até o quilômetro 16, atingindo por volta de 70% da obra. Máquinas administradas pela mesma empresa devem deixar o trecho nas próximas semanas.

Frustrações também enfrentam famílias que residem às margens da ERS-424, rodovia que liga Forquetinha a Canudos do Vale. A obra foi paralisada em abril do ano passado, restando apenas 200 metros a serem pavimentados. O embargo se deve à readequação do projeto, pois moradores exigiram a construção de um ponte sobre o Arroio Araguari em vez de uma galeria. A alteração está ocorrendo, informa o Daer.

Em três, serviço sequer começou

Conforme informado pelo Daer na semana passada, pendências contratuais impedem o início das obras nos acessos a Capitão (ERS-482); Coqueiro Baixo (ERS-425) e Travesseiro (entre a VRS-811 e a VRS-311). Não há previsão de conclusão para as rodovias.
Nos acessos aos municípios de Capitão e Coqueiro Baixo, o início trava em pendências com a Construtora Beter. No caso de Travesseiro, o problema está no contrato com a Construtora Conpasul, que passa por repactuação.

O atraso na conclusão do asfaltamento de acessos aos municípios põe em risco o desenvolvimento econômico.

“Não sabemos o que fazer”

Prefeito de Travesseiro e representante da Amvat na Comissão dos Municípios Sem Acesso Asfáltico, Ricardo Rockenbach, diz que sempre esteve otimista quanto às promessas, mas nos últimos meses se tornou desacreditado.

Em relação à VRS-811, rodovia de acesso a Travesseiro, promessas recorrentes são feitas pelo governo estadual e pela construtora. No entanto, a obra custa a começar. “O tempo está passando e não sabemos o que fazer.”

Nos próximos dias, a comissão se reúne com o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, João Victor Domingues, para debater sobre o andamento das obras. “A partir daí, tomaremos uma posição”, ressalta Rockenbach.

No Estado, 128 seguem sem acesso

Levantamento divulgado em dezembro pela Famurs aponta que moradores de 128 municípios gaúchos vivem em locais sem acessos asfálticos.

De acordo com a entidade, em 2011, o Estado tinha 104 obras de ligações municipais a serem feitas. Conforme o Plano de Obras do Governo do Estado, 35 delas estariam prontas até o fim de 2013. No entanto, apenas 13 foram finalizadas dentro do prazo, restando 91 trechos para este ano.

Em relação ao cronograma do Daer, 22 obras estão atrasadas, somando mais de 300 quilômetros. Das 92 obras de acesso asfáltico não concluídas, 21 estão paralisadas e 27 sequer foram iniciadas.

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