Custos crescentes emperram a competitividade brasileira

O Brasil não corre risco de sofrer um “apagão logístico”, ou seja, haver o colapso total dos sistemas de transporte. O que vamos sofrer cada vez mais, se não houver investimentos pesados em infraestrutura, é com o crescente custo dos transportes, impactando na redução da competitividade dos nossos negócios.

O alerta é do professor, consultor e especialista em logística Paulo Renato Menzel, que palestrou em workshop promovido pela Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) e Câmara de Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT) na noite da última quinta-feira, dia 15. Ele discorreu sobre o tema “Quanto custa não ter logística” para uma plateia de cerca de 40 empresários, executivos e estudantes da área.

Informou que a evolução do custo logístico do estado do Rio Grande do Sul é de 19,2% do produto interno bruto (PIB), relação maior do que o custo nacional e, “o pior, é que este custo vem crescendo”. Comenta que este índice deveria ser de, no máximo 6,2% – observado nos países mais desenvolvidos. O restante, ou seja, o percentual adicional, “é pago por todos nós”.

Rodovias novas

O especialista trouxe vasto material em que traçou o diagnóstico completo da realidade brasileira no setor, aprofundando os cenários das situações enfrentadas nas estradas, portos, ferrovias, hidrovias e aeroportos. O seu alerta é de que os governantes precisam olhar com urgência a questão da produtividade e rever os investimentos em infraestrutura, sob pena de as dificuldades enfrentadas no transporte de mercadorias “engessarem” a já penalizada competitividade da indústria nacional.

Na questão das rodovias, por exemplo, Menzel entende que duplicar não é a saída ideal. O certo seria construir estradas totalmente novas, para atenderem a tecnologia de caminhões e veículos modernos. As rodovias atuais, lembra, têm concepção de projeto de mais de 50 anos de existência, defasada para as novas necessidades.

Planejamento

Em termos empresariais, aconselha o uso do planejamento sistemático para otimizar processos e reduzir os custos internos, área onde é possível aos executivos atuar.

Também enfatizou a necessidade de fortalecer as entidades representativas para que estas possam reivindicar junto aos governos iniciativas e ações que contribuam para a melhoria da competitividade nacional como um todo. Apesar do quadro difícil encontrado em todos os modais de transporte, o especialista terminou sua apresentação com mensagens de motivação e pregando “a união dos empresários e da sociedade para a construção de um futuro melhor”.

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