Cultivo de hortaliças muda a realidade de famílias rurais de Progresso

Os agricultores Nésio e Marli, da família Almeida, e as filhas Aline e Alice eram, há cerca de sete anos, plantadores de fumo na localidade de Apiteri, interior do município e Progresso. Sem renda fixa – já que dependiam do êxito da safra de tabaco – e com dificuldades para sobreviverem à custa de seu trabalho, os Almeida viram a sua situação mudar há quatro anos, quando a Emater/RS-Ascar passou a incentivar a diversificação produtiva através do cultivo de pepinos em estufas.

Tudo começou em uma atividade de campo, realizada na propriedade de um agricultor da localidade de Morro Azul, onde os Almeida conheceram a produção de pepinos e saíram maravilhados. “Acho que, se pudéssemos, começaríamos a produzir pepino naquele mesmo instante, deixando o tabaco para trás, se isso fosse possível”, recorda Marli. A produção não começou naquele instante, mas nas semanas seguintes. Após a aquisição de algumas mudas, fizeram o plantio da olerícola. “As nossas primeiras vendas foram para um comerciante que passava de carro, comprando”, lembra.

Com o dinheiro que ganharam foram investindo na ampliação do negócio, que rapidamente cresceu. “Hoje, chegamos a produzir cerca de 50 toneladas de pepinos por ano, que são vendidos para uma agroindústria do município”, explica Marli. A boa resposta dada pela venda da hortaliça possibilitou a diversificação da produção. Hoje, na estufa da família, encontram-se também alface, rúcula, couve-flor, brócolis e couve-chinesa, entre outras variedades. As vendas são realizadas na feira municipal, a cada 15 dias, o que garante uma renda permanente para a família, além de garantir a sua subsistência.

A extensionista da área social da Emater/RS-Ascar de Progresso, Simone Wobeto, explica que nem sempre é fácil, para os produtores rurais em situação de vulnerabilidade social, modificarem os seus paradigmas. “Às vezes é um trabalho contínuo, que exige repetição, empatia e capacidade de enxergar as necessidades do outro”, pondera. Simone lembra que a família Almeida era produtora de fumo há muitos anos. “Tanto que, quando conseguiram adquirir um pedaço de terra, a primeira ideia deles foi ampliar a produção de tabaco”, ressalta.

Hoje a área destinada ao fumo reduziu. “São apenas 20 mil pés, sendo que já tivemos mais de 80 mil”, afirma Nésio. A diversificação da propriedade atingirá outros patamares, com a implantação de uma estufa voltada ao cultivo de morango em substrato, além da colocação de um entreposto comercial para a produção de ovos. Ao olhar para trás, a família Almeida sente orgulho do que construiu. “Hoje trabalhamos, produzimos e temos o que comer, o que garante uma boa qualidade de vida”, salienta Marli.

Sobre as mudanças no estilo de vida, a produtora até brinca. “Acha que é fácil sustentar essas meninas?”, sorri, apontando para as filhas que também trabalham na propriedade e que também motivaram as mudanças implementadas. Para Simone, a família Almeida é exemplo de superação, já que não ficou parada, esperando as coisas caírem do céu. “Ao contrário, buscou informação e qualificação”, analisa. “Claramente é uma família que lutou por uma vida mais digna e conseguiu, com muito trabalho, esforço e empenho”, finaliza a extensionista.

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