Criadores de suínos enfrentam novas dificuldades com queda nas vendas

Quilo vivo a R$ 2,50 proporciona margem estreita de lucro, argumentam criadores

Vale do Taquari – A pós a crise nos custos de produção, no ano passado, a suinocultura brasileira volta a ter tropeços com a redução nas exportações e na queda do consumo no mercado interno. Nem mesmo a diminuição nos preços da soja e do milho no último trimestre, que barateou o custo da ração, melhorou a rentabilidade do setor. Hoje, a remuneração recebida voltou a ficar abaixo de R$ 3 o quilo de suíno vivo, conforme monitoramento feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). A baixa no preço causa preocupação aos criadores pelo fato disso ocorrer na entrada do inverno, quando o mercado sempre está aquecido.

Com as vendas embargadas pelos dois principais compradores – Rússia e Ucrânia -, o Brasil tenta redirecionar o excedente para o mercado interno, onde o consumo também está em baixa. A expectativa é de que o consumo caia cerca de 2,4%. A previsão é de que a média de consumo interno em 2013 seja de 14,6 quilos per capita. De acordo com avaliação do presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador, a situação começou a agravar-se nos últimos 20 dias, com a queda dos preços no mercado brasileiro e a suspensão dos embarques para a Ucrânia. “Hoje se fala em R$ 2,50 a R$ 2,60 por quilo, entregue na indústria”, coloca o presidente.

Criador esperançoso

Folador enfatiza que após a difícil situação enfrentada em 2012, o criador de suínos mostrava-se esperançoso em melhorar a renda, mas isso durou pouco. O que preocupa, diz ele, é que há contas antigas para serem saldadas e por isso se espera uma rápida reversão do quadro. A questão externa é muito mais comercial do que sanitária, lembra o dirigente da Acsurs, e por isso a necessidade de muita negociação. A única promessa, em termos de novos clientes, é a China, mas esta adquire muitos miúdos de suínos, e em pequenos volumes. Enquanto isso, o mercado brasileiro ainda precisa ser melhor trabalhado, já que também existem outras proteínas de origem animal que são concorrentes, além do consumo depender muito de uma melhor renda, concluiu o presidente.

você pode gostar também Mais do autor

Comentários

Carregando...