Crescimento da agropecuária anima, mas PIB do RS cai 0,6% no trimestre

Elpidio Driemeyer (69) se mantém otimista no campo. Nos 23 hectares que possui na localidade de São Jacó, em Teutônia, produz soja, trigo, milho e feno. Com o auxílio do filho, na preparação da terra com o maquinário necessário, ele trabalha cerca de dez horas por dia.

Na visão do agricultor, os fatores climáticos são determinantes para o bom desempenho da agricultura. “O pessoal faz duas vezes silagem na mesma área. A segunda vez dá melhor que na primeira. A produtividade é espetacular nos últimos anos. Eu já passei por três secas em cinco anos. Em termos climáticos, está muito bom”, avalia.

A soja produzida na propriedade de seu Elpidio é vendida para uma cooperativa e, depois, segue para a indústria. O milho é usado na alimentação de galinhas poedeiras e o feno também é comercializado. Aposentando e ganhando um salário mínimo, o produtor rural de São Jacó não pretende parar. “Há 30 anos, se produzia 60/70 sacos de milho. Hoje, chega-se a 200. Os custos aumentaram, mas, mesmo assim, recompensa. Nos últimos quatro, cinco anos, em termos climáticos, de preço e cotação, nunca esteve tão bom”, destaca.

Setor primário em destaque

O trabalho realizado por seu Elpidio foi um dos responsáveis pelo destaque da agropecuária na economia gaúcha no último trimestre. Isso porque, segundo análise publicada ontem pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) do Rio Grande do Sul, o Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho teve queda de 0,6% no segundo trimestre de 2015 (em relação aos primeiros três meses do ano) – foi o quinto trimestre seguido de redução da economia local. A queda só não foi maior devido ao desempenho da agropecuária, que teve crescimento de 15,6%.

De acordo com o relatório, a redução na arrecadação de impostos (-4,8%), a queda do comércio (-7,3%) e o desempenho preocupante da indústria (-9,1%) estão entre os principais responsáveis pela diminuição do PIB estadual. No acumulado do primeiro semestre, a indústria de veículos automotores, reboques e carrocerias caiu 30% em relação ao mesmo período de 2014. O comércio de veículos também preocupa: houve redução de 20% no comparativo com o primeiro semestre do ano passado.

Índice reforça principal característica do Estado

Embora a queda do PIB estadual aponte para uma tendência negativa, a economista Cíntia Agostini explica que o índice é menos assustador do que o desenhado no cenário nacional. Isso porque, a média brasileira foi de -1,9% no trimestre – uma redução três vezes maior do que a apresentada no Rio Grande do Sul. “E o bom resultado do agronegócio mostra a nossa característica mais forte. A agropecuária teve queda em outros estados, mas foi beneficiada aqui pela exportação. Com câmbio valorizado, estamos produzindo e vendendo mais, principalmente a safra de grãos, que cresceu de forma significativa”, avalia.

Sobre a queda do desempenho da indústria, entretanto, Cíntia argumenta que não é novidade. “O setor vem decrescendo há mais períodos, e é o que mais está sofrendo com essas dinâmicas”, explica. A economista também esclarece que o índice só deve se estabilizar em 2016, e que conjuntura não é favorável ao Estado. “Dependendo das medidas que foram tomadas, isso pode piorar. Se a desoneração de certas empresas for retirada e aprovarem um pacote de impostos, nossa indústria pode cair ainda mais, porque perderemos competitividade. Será muito complicado para todo mundo”, alerta.

Desempenho da agropecuária no 2º trimestre de 2015 (Comparação com o mesmo período de 2014)

Produtos – Produção (em %) – Área (em %)
Arroz – 5,3 – 1,2
Banana – 0,6 – -0,2
Batata – 11,8 – 4,2
Cana-de-açúcar – -19,2 – -9,1
Cebola – -13,9 – -11
Feijão – -13,8 – -11,8
Fumo – 0,6 – -2,6
Maçã – -13,3 – -6,3
Mandioca – -2,2 – 12
Milho – 4,5 – -6,7
Soja em grão – 20,4 – 5,6
Tomate – 89,2 – 89,8
Uva – 7,8 – -0,5

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