Crédito a baixo custo e capacitação são fertilizantes para as alfaces

Junte vontade, R$ 2 mil, uma caixa de mudas de alface e a formação de gestão em agronegócio. Prepare a terra fértil de um coração sonhador e então nascerá mais um Microempreendedor Individual (MEI).

Paulo Roberto Meinerz (31) é MEI. Em Linha Lenz, ele quer ser o rei da alface sem agrotóxico. Agrega carinho ao produto, faz da profissão um propósito diário de aprendizado e encontrou no Sebrae e no Programa de Microcrédito Gaúcho a chance de construir um futuro. Ele é um dos mil “patrões” já beneficiados pelo incentivo que soma R$ 2,5 milhões em fomento no Vale do Taquari.

Paulo quer ser o dono da marca Vênus. Já desenvolveu o rótulo e projeta lançá-lo no mercado. Na mitologia grega, a deusa Vênus está intimamente ligada ao alface. Vênus escondeu o pequeno Adônis em um pé da verdura e transformou a planta em algo sagrado. “Por isso eu escolhi esse nome. Ele representa o que eu sinto pela minha produção.”

Na pequena fração de terra de Paulo, sagrado mesmo é o trabalho. Paulo formou-se junto de outros agricultores assistidos pelo Sebrae, e aprendeu que quem planta colhe – mais ainda quando se tem a produção monitorada com eficiência.

Paulo largou o livro de registro manual e lançou no computador o controle do fluxo de produção. Os nove mil pés de alface produzidos por mês são contabilizados no sistema. “Eu sei quanto cada cliente consome, qual a preferência e quanto eu preciso produzir”, garante.

Entre as sete variedades de alface, a crespa é a favorita. Paulo também aprendeu que o dinheiro é da empresa e não dele. Faz retiradas daquilo que julga necessário. Paga a ajuda dos pais, o insumo, e o que sobra guarda para reinvestir. Hoje ele paga, com juros de 0,41% ao mês, uma linha de crédito de R$ 2 mil. O dinheiro financiado pelo governo do Estado possibilitou a instalação de uma cobertura à plantação.

A lona protege do calor, da radiação solar e até de eventual excesso de chuva. “Melhorou muito o meu produto. A perda é menor e qualidade é notável. O consumidor deseja alface diferenciada. Quem não atende essa expectativa fica para trás no mercado”, resume.

O esmero reflete na colheita. Um pé da alface crespa que brota na Linha Lenz pode pesar até 700 gramas – quase um quilo de saúde produzido a partir da sapiência do gestor. Agricultura é diferente de agronegócio. Agronegócio é o futuro. Paulo trabalha hoje para ser o que espera nas próximas décadas: o rei da alface, “Vulcano”, esposo de Vênus – sem mito, a sua alface.

Conhecimento, a semente da produção

Foi por meio do Sebrae que Paulo descobriu sobretudo que poderia utilizar crédito para alimentar seus sonhos de empreendedor. Ele queria ser patrão no campo. Assistiu ao curso, foi diplomado e atualmente multiplica o conhecimento. “Eu entendi como deve funcionar a venda, o controle da produção e até mesmo o marketing. As pessoas não valorizam a imagem, mas ela é fundamental tanto quanto a qualidade de todo o processo”, dissemina.

Valmor Mantelli Júnior é gestor de Projetos do Agronegócio do Sebrae Vales do Taquari e Rio Pardo. Mantelli compara a lavoura de Paulo com uma indústria. No campo da inovação, fica para trás quem se segura na raiz do passado. “O produtor que não avança em tecnologia naturalmente enfrenta dificuldade”, sentencia.

De acordo com o gestor, é de 50% o ganho no agronegócio que tem como foco a administração e a controladoria dos processos rurais. “Para permanecer nesse meio é preciso estar preparado”, reforça.

Qualificação em grupo é grátis

O Sebrae funciona como um agente facilitador de resultados. Mantido pela contribuição social das empresas, o órgão financia a formação de quem quer empreender: 80% do valor de uma consultoria é pago pelo Sebrae; os 20% restantes, pelo contratante.

No caso do agronegócio, com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), não custa nada. “São essas duas entidades que bancam a diferença, basta que os produtores se organizem em grupos”, sinaliza Mantelli.

Nas comunidades, uma turma de dez produtores que realizam atividades no mesmo ramo (leite, carne, hortaliças) consegue contratar a formação do Sebrae. O escritório regional funciona em Lajeado e atende pelo telefone 3710-1697. Os editais para criação de novos grupo são lançados próximos do fim do ano, ou no início do ano seguinte. Já é possível para pedir informações.

Microcrédito financia mil empreendedores

A agente de microcrédito Ivaniza Freitas afirma que já facilitou a tomada de R$ 2,5 milhões para mil microempreendedores do Vale do Taquari. A partir de R$ 100 e até R$ 6 mil ela alimenta sonhos como o de Paulo. Foi com ela que ele contratou os R$ 2 mil a serem pagos em oito parcelas. “Nós trabalhamos na parceria com o Sebrae. Ele (Sebrae) qualifica, nós financiamos os projetos”, diz Ivaniza.

O programa de Microcrédito Gaúcho foi criado em 2012. Contudo, no Vale do Taquari, Ivaniza trabalha desde março de 2014.

Ivaniza atende junto a várias prefeituras e ajeita a papelada para liberar o dinheiro via Banrisul. “Não precisa sequer ter conta no banco. É feita uma ordem de pagamento.” A agente de crédito atende nos telefones 9891-8798 e 9269-7369.

você pode gostar também Mais do autor

Comentários

Carregando...