Congresso técnico amplia debates em torno da erva-mate

O segundo dia do Congresso Estadual de Sustentabilidade da Cadeia Produtiva da Erva-mate, que integra a Turismate, teve inicio na manhã desta sexta-feira, dia 13, com painéis de Fábio Soares Pires, engenheiro florestal e mestrando da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Ivar Wendling, pesquisador da Embrapa Florestas e o empresário de Heroldo Secco Junior, da MateSpress, que falou sobre estratégias de mercado e marketing. Quase duzentas pessoas participaram.

Pires falou sobre o aplicativo C7-Ilex que é um sistema de atualização automática para acessar cadastro, localização e envio de dados relevantes para a cadeia produtiva. O aplicativo esta sendo desenvolvido pela UFSM em parceria com o Instituto Brasileiro da Erva-mate (Ibramate).
Segundo o diretor executivo do Ibramate, Roberto Ferron, este sistema vai auxiliar a cadeia produtiva da erva-mate.

O segundo painelista, Ivar Wendling, falou dos trabalhos da Embrapa Florestas para o desenvolvimento do setor ervateiro. Lembrou do início dos trabalhos com erva-mate. “A Embrapa começou com a coleta desse patrimônio histórico. Após esta etapa realizamos testes e estudos de melhoramento genético. Os testes foram feitos em diferentes regiões do brasil e demonstraram que temos excelente potencial com técnicas de melhoramento genético.”

Ele destacou que tais levantamentos permitem possibilidades de diferenciação, como sabor e teor de cafeína. “Com isso podemos estabelecer novas alternativas já que a estrutura do consumo do chimarrão já está estabelecida. Com relação a novos produtos, temos que focar o desenvolvimento com estratégia empresarial para novos usos.” Segundo ele, podem ser melhorados muitos aspectos do produto, selecionando opções de alta e baixa cafeína, além de outros cerca de 200 componentes. ” Temos que trabalhar com a clonagem quando falamos de novos produtos, a fim de multiplicar a qualidade de uma planta.” Mostrou dados com relação ao uso do clone e sementes. Segundo ele, a técnica não prejudica a produtividade, de acordo com a comprovação de testes. “Temos que avançar e precisamos montar uma rede de produtores específicos que queiram fornecer material para empresas. Esta planta tem tudo, mas temos que transformar isso em inovação e novos produtos, para que seja mais rentável.”

Sobre o aplicativo

Segundo Pires, desenvolvedor do aplicativo e integrante do Laboratório de Geomática da UFSM, que atua sob a supervisão de Enio Giotto, falou dos tipos de cadastros que poderão ser acessados pelo aplicativo. “Propriedades, árvores superiores, viveristas em grupos Físico e Jurídico, industrias ervateiras, produtores e indústrias fabricantes de insumos e equipamentos que integram a cadeia produtiva da erva-mate podem se beneficiar com este sistema.” O acesso será móvel, através do celular para alguns casos e via site do Ibramate para outros usuários.

Aplicativo vai possibilitar acesso a dados reais

Conforme o diretor executivo do Ibramate, Roberto Ferron, a ferramenta vai permitir acesso a dados e informações reais. A previsão é de que o sistema possa ser implementado já no ano que vem. “Estamos negociando com a Emater-RS para que sejam os executores nesta fase inicial, que requer trabalho em campo.”

De acordo com Ferron, a previsão é cadastrar 13 mil propriedades em todo Estado, cerca de 230 ervateiras, de 50 a 70 viveiros e 15 fábricas de equipamentos. ” Não temos certeza destes números e calculamos que deve levar em torno de cinco anos pra conclusão do processo.”

Ele reforça que os benefícios para a cadeia são enormes. Para os ervateiros esta ferramenta de gerenciamento vai permitir inclusive obter informações sobre tamanho da propriedade, quantas árvores estão a pleno sol, entre outros aspectos.

Para os produtores, esta ferramenta servirá ainda para revelar dados sobre custos e receitas, áreas e árvores mais produtivas, entre outros dados relevantes.

O potencial do mercado internacional

O proprietário da MateSpresso, Heroldo Secco Junior, empresa de chás com estratégia de mercado internacional, falou sobre embalagem, exposição do produto, preço, visão de Mercado e marketing. “Temos que vender qualidade visual e sensorial. Estes atributos não estão sendo explorados pelo chimarrão e se quisermos crescer e obter valores mais altos, temos que nos diferenciar.”

Explicou que, quando se pretende focar vendas internacionais, aspectos como classificação, padronização, cumprimento de normas internacionais e investimento em marketing são fundamentais.

Apresentou informações sobre o comportamento quanto ao consumo do chá. “Erva-mate é chá e temos que entender o consumidor pra saber como ele quer ingerir este produto.” O painelista disse ainda que o cliente moderno exige rapidez e praticidade. “Temos que nos adaptar e evoluir com olhar para novas embalagens e conceito de produto.”

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