Confederação alemã de cooperativas pretende ampliar parceria com a Languiru

A Cooperativa Languiru está posicionada como referência no agronegócio gaúcho, prova disso são as frequentes visitas de comitivas internacionais, a mais recente no dia 06 de setembro, quando representantes da Deutscher Genossenschafts- und Raiffeisenverband (DGRV), em bom português, Confederação das Cooperativas da Alemanha, estiveram em Teutônia.

Os primeiros contatos iniciaram há três anos, quando a Organização das Cooperativas do Rio Grande do Sul (Ocergs) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), ofereceram a possibilidade da troca de experiências com a central alemã. A Languiru, a partir de então, vem fortalecendo esta relação por meio de idas e vindas.

O vice-presidente Renato Kreimeier, o assessor administrativo Silério Hamester e o engenheiro ambiental Tiago Feldkircher buscaram conhecimentos relacionados à auditoria e à bioenergia na Alemanha. Em agosto de 2012, a Ministra da Agricultura da Alemanha, Ilse Aigner, e parlamentares alemães conheceram o trabalho de diversificação das atividades estimulado pela Languiru.

Enviados pelo Ministério da Agricultura da Alemanha, desta vez o intuito da comitiva foi captar os resultados obtidos pela cooperativa com o intercâmbio e averiguar a possibilidade de ampliar o desenvolvimento de projetos. Acompanhados dos representantes do sistema Ocergs/Sescoop-RS, assistente administrativo Matheus Loro da Soledade Dias e gerente de monitoramento José Máximo Daronco, a comitiva foi integrada pelo coordenador de projeto da DGRV, Arno Boerger; coordenador de relações internacionais da DGRV, Christoph Plessow; e auditor de projeto Hartwig Breternitz.

Escritório Central

A comitiva foi recebida no Escritório Central pelo presidente Dirceu Bayer, pelo vice-presidente Renato Kreimeier e pelo engenheiro ambiental Tiago Feldkircher. Conversando em alemão, a direção da cooperativa apresentou o case e o filme institucional da Languiru. “Agregamos valor à matéria-prima e, dessa forma, conseguimos nos posicionar como a cooperativa mais diversificada do Rio Grande do Sul. As propriedades dos associados, que chegam a ser formadas por duas a três famílias, têm em média dez hectares. O jovem se vê estimulado a voltar para a agricultura em função das condições que a cooperativa oferece e programas do Governo Federal. Hoje, há muita tecnologia disponível no meio rural”, contextualizou Bayer.

O presidente destacou o trabalho de outras cooperativas que “complementam a Languiru”, como Certel e Sicredi, além do trabalho de intercooperação em vigor com as cooperativas Aurora e Piá. Segundo Bayer, a Languiru vivencia um novo momento em sua história e a capacitação dos colaboradores para atender as necessidades da cooperativa se torna cada vez mais necessária. “É uma honra e responsabilidade muito grande receber esta visita. Estamos profundamente empenhados no acerto do projeto, prova disso são os profissionais que já enviamos para a Alemanha com o intuito de buscar novos conhecimentos”, relembrou.

Bayer ressaltou as ações socioambientais da cooperativa, entre elas as estações de tratamento de efluentes nas indústrias e os biodigestores na Unidade Produtora de Leitões (UPL) de Bom Retiro do Sul. “Nossa cooperativa cresceu muito em termos de parque industrial e, por isso, temos a necessidade de tratar os resíduos industriais da forma mais adequada possível”, destacou.

Continuando a programação, Kreimeier apresentou o case da cooperativa e falou sobre tudo que envolve a Languiru, desde os benefícios direcionados ao quadro social até números relacionados à produção, exportação e projeção de faturamento. Já Feldkircher contribuiu com o seu testemunho sobre a viagem que fez à Alemanha em novembro de 2012, quando conheceu sistemas de geração e utilização de bioenergia.

“Há um novo cenário para o agronegócio, e nisso o atendimento técnico e os incentivos oferecidos pela Languiru contribuem para a redução da idade média dos nossos associados. Buscamos o crescimento mútuo da cooperativa, do quadro social e dos colaboradores. A Languiru é feita de pessoas e estão todos de parabéns pelo trabalho realizado”, enalteceu Kreimeier.

Indústria de Laticínios

Na Indústria de Laticínios, instalada em Teutônia, a comitiva foi recepcionada pelo gerente Lauri Reinheimer e pelo coordenador de controle de captação Paulo Eidelwein. Lá, os alemães conheceram números relativos à porcentagem de captação em regiões e municípios, volume de leite recebido e aspectos sobre a qualidade do leite. Impressionados com os processos desenvolvidos na indústria, os visitantes até sugeriram que a cooperativa crie um selo de qualidade para diferenciar seus produtos nas gôndolas dos supermercados.

Balanço da visita

Conforme Breternitz, que ainda não tinha visitado a Languiru, a intenção do projeto de cooperação bilateral entre DGRV e sistema Ocergs/Sescoop-RS é prestar apoio às cooperativas gaúchas. Neste momento, o foco seria a capacitação de auditorias internas e recursos humanos. “Para nós (DGRV) é importante identificar quais são as possibilidades de prestação de serviços e consultoria via Ocergs/Sescoop-RS. Aqui na Languiru, pude perceber quais são as demandas da cooperativa, o que vai me ajudar bastante a escrever o relatório da visita”, observou.

Para o auditor, os projetos somente terão êxito se forem desenvolvidos com cooperativas que têm gestão e estabilidade, como a Languiru. “Eu estou impressionado com a qualidade da cooperativa, mas, principalmente, com a evolução dela nos últimos dez anos. Seguramente, a Languiru é um dos melhores exemplos do cooperativismo gaúcho e terá papel muito importante nos projetos que poderão ser desenvolvidos”, garante.

O que é o acordo bilateral

O projeto é executado pelo Ministério de Alimentação, Agricultura e Defesa do Consumidor (BMELV) da Alemanha. Os parceiros brasileiros são o Sescoop/RS, vinculado à Ocergs, e ambos fazem parte do sistema de cooperativismo brasileiro representado pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Também faz parte do Sistema a Escoop, primeira Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo do país, localizada em Porto Alegre.

O parceiro alemão é a DGRV, que é a confederação das cooperativas e entidades de auditoria do sistema cooperativo alemão. No Projeto, a DGRV pode contar com o know-how de especialistas de instituições e organizações das cooperativas e dos centros de formação como, por exemplo, a Academia das Cooperativas Alemãs. Em decorrência do Projeto, já foram firmados acordos de cooperação com organizações alemãs – por exemplo, nas áreas de laticínios e fontes alternativas de energia.

O objetivo da cooperação consiste em fortalecer as estruturas do cooperativismo no setor agropecuário do Rio Grande do Sul. O Sistema Cooperativo e de Aprendizagem do Cooperativismo amplia sua possibilidade de assessorar e atender as cooperativas agrícolas, de qualificar seus funcionários e de melhorar as estruturas existentes no setor.

Com isso, as cooperativas se tornam mais eficientes e conseguem, no longo prazo, oferecer serviços competitivos para as propriedades rurais a elas associadas. Assim, aumentam a produtividade, a eficiência e a sustentabilidade do setor agropecuário do Rio Grande do Sul.

Áreas de atuação importantes

– Qualificação de técnicos e lideranças, bem como o desenvolvimento de recursos humanos de acordo com as necessidades reais;

– Melhoria das auditorias interna e externa e qualificação dos auditores;

– Fortalecimento da intercooperação entre as cooperativas no Rio Grande do Sul;

– Promoção de contatos e relações econômicas com organizações alemãs.

você pode gostar também Mais do autor

Comentários

Carregando...