Condomínios suinícolas: Em Sério, a exceção à regra

Na contramão do mercado, o Condomínio Suinícola de Sério, na localidade de Paredão, interior do município, no Vale do Taquari, dedica-se exclusivamente à produção de leitões para integrá-los à Cooperativa dos Suinocultores de Encantado Ltda. (Cosuel). E mostra que toda regra tem exceção. Fundado há 11 anos por um grupo de agricultores e após passar por dificuldades, hoje conta com 12 sócios e produtividade ajustada. Com 559 matrizes, o condomínio produz, em média, 1,1 mil leitões/mês. O ano passado foi o melhor em termos de resultados econômicos, garante Joseli José Favaretto, atual presidente.

Em sua estrutura administrativa, a diretoria, eleita anualmente, em forma de rodízio entre proprietários, garante pluralidade nas decisões. Favaretto explica que a cada dois meses são feitas reuniões de avaliação com os sócios, quando são tomadas as decisões sobre investimentos, ajustes e acompanhamento financeiro. Assegura que, se os resultados são positivos, o grupo pode definir a divisão de parte dos resultados. “Quando o saldo em caixa não é positivo, seguramos o que tem e fazemos a divisão do resultado no fim de cada gestão”, explica.

A granja é formada por quatro galpões, sendo dois para gestação e dois para a maternidade, onde ocorre o nascimento dos leitões. A estrutura de pessoal é enxuta. Os serviços são realizados por quatro funcionários e as matrizes fornecidas pela Cosuel em forma de comodato. Para cada 100 quilos recebidos, os criadores devem entregar 200, quando as porcas vão para o abate, o que ocorre depois de sete ou oito gestações.

O preço do quilo do leitão é regulado pelo valor pago ao suíno para o abate, hoje ao redor de R$ 2,93 o quilo vivo. “Um quilo de leitão vale o preço de 4 quilos de suíno gordo.” Eles são desmamados aos 21 dias, com peso médio de 6,5 kg, e transferidos aos criadores denominados “crecheiros”, onde ficam por 42 dias e são repassados aos criadores “terminadores”, que concluem a engorda, por cerca de 90 a cem dias, quando alcançam em média 110 kg.

O suíno na economia do município

  • A criação de suínos ocupa a terceira posição entre as atividades do setor primário. A fatia é de 10,89%.
  • A liderança é da avicultura, que representa 54,65%, seguida pela fumicultura com 19,73%.
  • Somente na quarta posição está a produção de leite, com 7,26%.
  • Enquanto a produção de frango está presente em 43 propriedades, o tabaco é cultivado por 349 famílias e o leite em 131. Enquanto isso, presente em só 22 propriedades, o suíno consegue estar entre as três principais atividades locais, conforme dados de 2013.
  • O secretário da Agricultura Luciano da Silva confia no potencial da suinocultura. “A produção de suínos tem muito espaço para crescer.” Ele destacou que o município tem dado apoio à atividade.

A sintonia fina da produção de leitões no Vale do Taquari

Tecnologia de controle

  • Conforme o gerente da granja, Rodrigo Fabiano de Abreu, cada leitão tem o acompanhamento do nascimento ao abate. “Quando o leitão nasce, recebe uma marcação na orelha que permite acompanhar o histórico do seu desenvolvimento.” As porcas, além da marcação, possuem um chip na orelha que serve para realizar a rastreabilidade e identificar eventual problema ou acompanhar a produtividade do leitão. Cada parto deve gerar uma ninhada entre 10 e 13 leitões.

Energia elétrica

  • A energia elétrica é fundamental para o bom funcionamento das atividades da criação. Além da iluminação, ela é necessária para o sistema de aquecimento dos animais, fornecimento de água e alimentação. Por isso, todo empreendimento tem de ter um plano B no caso de quedas de energia. O condomínio tem um gerador, acionado sempre que acontece uma interrupção no fornecimento. Mas, conforme o presidente do condomínio, Joseli Favaretto, o abastecimento é muito eficiente na região. “Em condições de normalidade não verificamos problemas, apenas quando acontecem temporais, mas isto não é culpa da Certel. E eles são rápidos em restabelecer a energia quando ocorrem quedas.”

Água de fonte natural

  • A água que abastece o Condomínio é proveniente de fonte natural, com bombeamento feito até um reservatório e de lá direto para o uso na granja. “A água é um problema. Somos muito dependentes da chuva. Se fica alguns dias sem chover, começamos a enfrentar dificuldades no abastecimento”, observa o presidente. Ele disse que o melhor seria ter água de poço artesiano. O secretário municipal da Agricultura de Sério, Luciano José da Silva, adianta que está em estudo a perfuração de um poço artesiano para abastecer todas as propriedades da localidade de Paredão, onde o condomínio de suínos estará incluído.

Preocupação com dejetos

  • Uma das preocupações do condomínio é com a destinação dos dejetos gerados pelos suínos. Atualmente, eles são lançados em reservatórios e são retirados por um caminhão taque da prefeitura. Após, são transportados para propriedades rurais e servem de adubo. Uma alternativa que está em análise é a transformação dos dejetos em composto orgânico para a produção. “Estamos estudando a viabilidade econômica para implantar este sistema no condomínio”, observou o secretário da Agricultura, Luciano José da Silva. Para isso, estão ocorrendo visitas a propriedades em municípios que adotaram esse sistema.

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