Condições de rodovias pioram em 10 anos

O quadro comparativo das principais estradas da região é preocupante. Desde 2005, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Transportes (CNT), as condições de trafegabilidade nas rodovias estaduais pioraram. A decadência do principal modal viário é verificada em todos os quesitos analisados pelos estudos: estado geral, pavimento, sinalização e geometria. Coleta de dados ocorreu entre maio e junho de 2014.

Conforme o relatório do estudo, “o pavimento deve suportar os efeitos das mudanças de clima, permitir deslocamento suave, não causar desgaste excessivo dos pneus e nível alto de ruídos, ter estrutura forte, resistir ao fluxo de veículos, permitir o escoamento de água e ter boa resistência a derrapagens.” Mas, irregularidades, buracos, trechos destruídos e ausência de acostamento afastam as rodovias da situação considerada ideal pela CNT.

No Vale do Taquari, o destaque negativo ficou com a ERS-332 – que liga Encantado a Arvorezinha. As avaliações oscilaram entre “regular”, “ruim” e “péssimo”. Com boa parte dela localizada em terreno íngreme, e com intenso tráfego de caminhões que realizam o escoamento da região alta, a via de pista simples carece de reparos na pavimentação pelo Daer.

A situação dela era melhor. Em 2005, por exemplo, figurava entre as melhores da região. Naquela época, a CNT classificou como “ótimo” os itens que avaliam o pavimento e a sinalização da estrada. Cinco anos depois, os mesmos indicadores apresentavam uma leve piora nas condições de trafegabilidade. Essa degradação só aumentou desde então.

Outras rodovias estaduais pioraram desde 2005. A RSC-453, por exemplo, recebeu agora avaliações negativas em todos os quesitos. Há dez anos, a pavimentação e a sinalização foram consideradas “ótimas”. A ERS-130 e a ERS-129 estão em melhores condições do que as demais. Mesmo assim, bastante abaixo dos índices apresentados na década passada.

BR-386 segue estável

A principal rodovia do Vale do Taquari apresentou os mesmos índices computados em 2005. Boa pavimentação, mas com geometria e sinalização regulares. No geral, ela é considerada regular pelos estudos. Nos últimos dez anos, a BR-386 oscilou. Em 2010 e 2013, por exemplo, o estado dela foi considerado “bom”. Hoje, passado mais de um ano do fim do pedágio, ele voltou a ser “regular”.

Excesso de peso danifica asfalto

A falta de balanças nas rodovias dificulta a fiscalização dos caminhões que trafegam acima do peso permitido. Nas estradas das regiões Norte e Noroeste, que estão entre as piores do Estado, o fluxo constante de veículos pesados danifica o asfalto. Estudo do Dnit aponta que o sobrepeso reduz a vida útil da pavimentação em 40%.

Na BR-386, no dia 19 de setembro, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) flagrou um caminhão com 23 toneladas de excesso de peso. O veículo tem capacidade para transportar 27 toneladas, carregava 49.970 quilogramas de pedregulhos, e se deslocava de Montenegro para Viamão.

A empresa infratora é uma pedreira, que conta com mais de 200 autos de infração por excesso de peso. Segundo a PRF, além do estrago na pista, outros riscos como a dificuldade de parar, manobrar e guiar o caminhão são circunstâncias que causam dificuldades ao condutor do caminhão, e por consequência riscos aos demais usuários das rodovias.

Nas rodovias estaduais, dos 40 postos da PRE, apenas um tem aparelho de pesagem. A fiscalização se resume à vistoria das notas fiscais.

Posição do governo e da EGR

Para o presidente da EGR, Luiz Carlos Bertotto, é difícil analisar os índices expostos. “Temos de ver a metodologia. Não sabemos como apuraram as informações.” Segundo ele, pela data do estudo, feito entre maio e junho, era um período em que a estatal começava a fazer melhorias nos trechos sob concessão do pedágio comunitário.

Bertotto acredita que se hoje fosse feito o mesmo levantamento, o resultado seria diferente. “Fizemos melhorias, colocamos asfalto novo em diversas estradas sob nossa responsabilidade.”

A Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística (Seinfra) alega que o governo está revertendo esse quadro com investimentos em contratos de conservação permanente. Entre ele,s o investimento de R$ 500 milhões do Banco Mundial, com obras em andamento em diversas regiões.

Falta de planejamento aumenta insegurança

Proprietário de uma transportadora de Lajeado, Valmor Scapini, acrescenta aos problemas expostos na pesquisa os erros nos traçados das rodovias. “Curvas perigosas, descidas íngremes, isto tudo contribui para o aumento da insegurança no trânsito.”

Segundo o empresário, os prejuízos com a má conservação da malha viária atingem toda a sociedade. Avalia que onde há pedágio a estrada é um pouco melhor. “Não sou contra o pedágio, desde que seja por um preço justo e que resulte em rodovias com boas condições e sinalização adequada.”

Detalhes da pesquisa

Os estudos foram realizados pela CNT e pelo Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest/Senat) entre 19 de maio e 17 de junho. A pesquisa apurou as condições de toda a malha federal pavimentada. Nas estaduais, foram verificados os trechos mais relevantes para o transporte de cargas e de passageiros.

O estudo pesquisou cerca de 98,4 mil quilômetros em todo o Brasil. Nos últimos dez anos, a extensão avaliada cresceu 20,1%. Em 2014, foram analisados 1.761 quilômetros a mais em relação ao ano passado. Isto representa uma elevação de 1,8%. Do total avaliado, 62,1% apresenta alguma deficiência.

A pesquisa levou em conta quatro indicadores: estado geral, geometria da via (condições de pontes, viadutos, faixa adicional, curvas e acostamento), pavimento (condição da superfície e velocidade adequadas para a pavimentação verificada) e sinalização (faixa central, lateral, placas de limites, interseção, visibilidade e legibilidade das placas).

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