Com aula teórico-prática, Escola do Leite realiza segundo módulo

A sombra de um plátano na propriedade de Mauro Casagranda, em Anta Gorda, foi o local escolhido para a realização do segundo módulo da Escola do Leite, na quarta-feira, dia 6. Estacionada embaixo da árvore, a caminhoneta furgão e toda sua estrutura recebeu em torno de 30 produtores associados à Dália Alimentos para a segunda aula do projeto itinerante iniciado em outubro.

Em Linha Santos Filho, interior do município, a cooperativa ministrou a segunda aula do projeto, que foi lançado em agosto e teve o primeiro encontro no mês de outubro, também em Anta Gorda, na propriedade de Arlei Parisotto.

O módulo tratou do tema “Melhoramento Genético de Bovinos Leiteiros” e foi ministrado pelo zootecnista e coordenador do Projeto Escola do Leite, Fernando Araújo. De forma objetiva, o profissional destacou a importância da realização de avaliações do rebanho e também do uso de inseminação artificial para garantir animais eficientes e padronizados.

Ofereceu dicas de como fazer o melhoramento do rebanho. “É preciso definir as características, fazer a avaliação genética, utilizar poucos reprodutores por geração, manter assessoria técnica e trabalhar com empresas idôneas”, aconselhou. Segundo Araújo, melhorar o gado leiteiro consiste em um trabalho bastante minucioso. “Com avaliação genética morfológica e funcional, elimina-se a possibilidade de haver consanguinidade nos acasalamentos e permite a correção de defeitos pontuais de cada animal”, ressalta.

Por meio de gráficos, o zootecnista definiu a estrutura corporal de uma vaca, a morfologia correta indicada para um animal, seja da raça Jersey ou Holandês. “O importante é analisar a garupa, as pernas e os pés, o sistema mamário e a força leiteira”, observou. E alertou: “quem pretende melhorar várias características ao mesmo tempo, acaba levando um tempo maior para melhorar o rebanho”, disse, aconselhando que o produtor resolva um problema isolado de cada vez.

Araújo observou, que hoje, os produtores tendem a descartar as vacas mais novas ao invés das mais velhas. “Vendem-se as novilhas ao invés de substituir as vacas do rebanho e isso está errado.” Ele fez um comparativo, mostrando a ilustração de uma vaca do fim da década de 1950, com uma de 2013. “O animal de hoje é uma vaca moderna, que exige maior atenção em manejos sanitário e nutricional, mas que também dá mais dinheiro”, comentou.

Por fim, lembrou, mais uma vez, que os produtores devem seguir algumas regras simples a fim de ter um rebanho geneticamente correto e produtivo. “O primeiro passo é sempre fazer uso de inseminação artificial, depois realizar avaliação genética e depois descobrir, dentro do rebanho, qual o principal problema”, pontuou.

Planilhas desde 1990

Na propriedade onde a Escola do Leite montou sua estrutura para o segundo módulo, a família Casagranda possui um rebanho 100% controlado e participa do Programa Vale dos Lácteos, também da Dália Alimentos. O casal Mauro e Eliane realiza o controle genético e leiteiro desde seu ingresso na atividade, em 1990.

As planilhas amareladas e rasuradas guardadas em uma gaveta preservam toda a história do rebanho da família. São anotações com os dados de todas as gerações de animais, desde os que chegaram até os que já deixaram o local. Mauro e Eliane dizem que o controle não é difícil de ser realizado, basta ter em mãos papel, caneta e alguns minutos para preencher a tabela.

O casal possui um rebanho de 59 animas da raça holandês. Desses, 22 em lactação e o restante são novilhas, terneiras e vacas secas. A produção diária é de 500 litros de leite. Além dos pais, o filho Maurício, de apenas 12 anos, também ajuda na atividade. O pequeno estudante da 6ª série, no turno inverso ao escolar, auxilia a mãe na coleta do leite para análise e nas anotações das vacas. “Ele tem que começar a tomar a frente, porque isso aqui vai ficar para ele”, cutuca a mãe.

Aula prática

Divididos em grupos, os alunos da Escola do Leite participaram também da aula prática, junto às instalações dos animais. O exercício proposto por Araújo foi aplicar o estudado e aprendido durante a aula teórica na prática. Os associados analisaram quesitos adequados – ou não – ao gado com relação à morfologia como úberes, tetos, pernas e pés, capacidade leiteira, além de outros aspetos.

Também foi um momento de integração entre o grupo e a oportunidade de sanar dúvidas. Alunos assíduos, os associados Leonir Luiz (67) e Neiva Alba (58) estão associados à Dália Alimentos há mais de duas décadas. Moram em Linha Terceira Moresco e acreditam que a Escola do Leite é uma oportunidade para aprofundar ainda mais o conhecimento sobre a atividade leiteira.

No total, possuem 98 animais entre vacas, novilhas e terneiras. Atualmente, 26 se encontram em produção, gerando 680 litros de leite diários. Leonir e Neiva também trabalham com 650 cabeças de suínos em terminação. Os filhos Joel (32), Samuel (30) e Maciel (25) não abandonaram o meio rural e ajudam os pais a desempenhar as funções agrícolas.

“A gente nunca sabe de tudo, sempre existe muito o que aprender. Por isso decidimos participar e não perder uma aula sequer da Escola do Leite”, diz Neiva. “Participamos de tudo o que é reunião, gostamos de saber de tudo. Sobre a escola, estou gostando, porque conhecemos sempre alguma novidade do setor que se pode levar para casa”, complementa Leonir.

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