Codevat buscará renegociar modelo de pedágios na BR-386

Encontro na manhã desta segunda-feira (13) serviu para levantar as demandas da região a serem levadas a ANTT

A privatização da BR-386 foi discutida em encontro na manhã desta segunda-feira (13), na Univates. A reunião convocada pelo Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat) lotou o auditório do Prédio 16 e serviu para levantar questionamentos acerca do modelo proposto pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Foi tratada ainda a possibilidade de judicialização do processo, para que seja possível ganhar mais tempo para o debate.

A presidente do Codevat, Cíntia Agostini, explica que esse é o momento do Vale do Taquari posicionar-se sobre o que deseja a partir da privatização. “Esse é o momento de conseguirmos contribuir com a proposta que está aí. A partir de então vem toda a discussão do tempo de concessão, do número de praças, do custo que está sendo proposto enquanto teto máximo, das obras, do tempo destas obras e outras demandas que estão, ou não, previstas neste edital”, afirma.

Cíntia comenta que a lembrança dos pedágios não é boa para população da região, mas a retomada das cobranças parece inevitável. “Nos parece que vai acontecer. O que temos que fazer é trabalhar para que ele seja o melhor possível para a sociedade”, acrescenta.

Duas praças entre Lajeado e Porto Alegre
O edital da ANTT prevê a instalação de duas praças de pedágio no trecho entre Lajeado e Porto Alegre. Conforme o engenheiro civil e membro da diretoria da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT) Ivandro Carlos Rosa, a privatização é inevitável e o que ainda pode ser discutido são as formas.
“A nossa preocupação é que pelo cronograma proposto pelo edital as obras acontecerão apenas após 10 anos de concessão. No Vale do Taquari temos três praças da EGR, que vieram há cerca de três anos. Aconteceram obras no trevo Westfália, pavimentação em Lajeado, obras em Boa Vista do Sul e Encantado, mas a comunidade ainda não está satisfeita com o andamento do ritmo das obras.”

O engenheiro pondera que a cobrança das tarifas deve encarecer o frete de mercadorias fazendo com que a região perca competitividade com a região da Serra, por exemplo. “O ideal seria uma praça até Porto Alegre. Duas praças nos prejudica na competitividade com a Serra. Na BR-116 não tem nenhum pedágio e eles não vão ter esse custo embutido nas suas mercadorias”, destaca.
“Um mal necessário”, diz Cenci
Um dos municípios que deverá receber o pedagiamento é Fazenda Vilanova. Para o prefeito da cidade, José Cenci, não há outra alternativa, senão a privatização. “Seria ótimo se não precisássemos do pedágio. Como o Governo Federal não tem a capacidade de manter as rodovias, a única alternativa neste momento é o pedágio. É um mal necessário e precisamos que prejudique o mínimo possível a população”, observa.
As manifestações de lideranças regionais expuseram contrastes. Enquanto alguns defenderam a instalação dos pedágios, outros não admitiram esta possibilidade. Em comum esteve a necessidade de uma discussão mais ampla do edital proposto pela ANTT.

O presidente da Associação Municipal dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat) Rafael Mallmann pontua que o mais importante é tirar o melhor proveito possível para o Vale do Taquari. “Nós temos opiniões contrárias ao pedágio, outras à favor, mas mais do que isso o Vale precisa estar preparado para buscar a melhor alternativa possível. Temos algumas indicações que a gente possa buscar o travamento do processo via judicial, pois o Governo Federal nos deu praticamente uma semana para discutir uma coisa tão importante que vai abranger a vida da população durante 30 anos”, declara.

Confira os valores das tarifas propostas para BR-386
– Montenegro (Km 426) = teto R$ 6,20
– Fazenda Vilanova (Km 370) = teto R$ 9,70
– Soledade (Km 260) = teto R$ 8,40
– Tio Hugo (Km 226) = teto R$ 7,60
Valor máximo de R$ 11,72 a cada 100km
A ANTT publicou o edital sobre a exploração da BR-386 no dia 30 de janeiro. A primeira audiência pública com o órgão ocorre nesta quinta-feira (16), em Porto Alegre. O segundo e último encontro será no dia 23 de fevereiro em Brasília. NH

Fonte Grupo Independente

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