Ciclo da economia aponta para momento de recuperação

Para o economista-chefe da Fiergs, André Nunes de Nunes, a recuperação cíclica está em curso. Porém, um novo ciclo de investimentos e a aceleração do crescimento além da utilização dessa capacidade dependerão de uma melhora estrutural na economia brasileira.

 

Lajeado – “A economia se move em ciclos. Ela passa pela expansão, desaceleração, recessão e, naturalmente, pela recuperação. Vamos viver várias vezes este ciclo ao longo das nossas vidas, alguns serão mais intensos que outros. A economia do nosso país está na fase da recuperação, mas a retomada ocorre em ritmo lento.” A afirmação foi feita pelo economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), André Nunes de Nunes, que palestrou em café da manhã desta terça-feira (21.11). O evento foi promovido de forma conjunta pela Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil), Sebrae Vales do Taquari e Rio Pardo (VRTP) e Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) do Vale do Taquari. A exposição, intitulada “A crise acabou. E agora? Cenários e perspectivas para a economia”, teve a presença de mais de 100 lideranças empresariais, comunitárias e políticas.

Mundo
De acordo com Nunes, o cenário internacional é muito favorável. “Estamos em um momento que os economistas gostam muito, que é um período de taxas de juros muito baixas. Por exemplo, a Europa, os Estados Unidos e o Japão são países que possuem um capital desenvolvido e têm uma taxa de juros mais baixa. Isso gera liquidez para o resto do mundo. O PIB mundial cresceu 3,2% em 2016, em relação ao ano anterior. A expectativa de crescimento para este ano (2017) é de 3,6%; e estima-se mais um pequeno aumento para 2018,” explica. Além disso, do ponto de vista macroeconômico, o resultado é um ambiente de baixa volatilidade nas ações dos mercados emergentes. Esta realidade cria um ambiente benigno para os países emergentes, entre os quais situa-se o Brasil.
Sobre as previsões para a taxa de câmbio, o palestrante explica que os movimentos internacionais do dólar são mais importantes para a dinâmica da taxa de câmbio do que a conjuntura nacional. “Acreditamos que o dólar continuará num patamar mais elevado nos próximos anos”, projeta.

Brasil
“Os resultados do PIB mostram que a recessão mais longa da nossa história começa a se dissipar”, anuncia Nunes. A expectativa é que o PIB total do país, encerrado com -3,6 em 2016, alcance 2,5 em 2018. Além disso, resultados na margem (com ajuste sazonal) mostram a diferente dinâmica entre os setores da economia. “A melhoria não chegará para todos os setores imediatamente, alguns sentirão antes, outros começarão a sentir em 2019”, explica.
Sobre a situação financeira das famílias, Nunes aponta que o consumo caiu mais do que a renda na crise devido à conjuntura incerta. As famílias geraram uma poupança precaucional por conta da crise, o que levou à redução do seu endividamento.
Segundo ele, a recuperação cíclica está em curso. “Um novo ciclo de investimentos e a aceleração do crescimento além da utilização dessa capacidade dependerão de uma melhora estrutural na economia brasileira.”

Rio Grande do Sul
A economia do RS beneficia-se do mesmo cenário macroeconômico e também inicia uma retomada cíclica. O setor da agropecuária ajudou no processo de retomada em 2017. Porém, previsões da Emater, Conab e IBGE apontam para queda em 2018. “Estamos perto do fim da maior recessão da história, mas ainda há um longo caminho pela frente”, pondera.

Previdência
O economista encerrou sua apresentação discorrendo sobre os desafios de longo prazo a serem enfrentados para recuperação da economia, tanto em âmbito nacional quanto do estado.
Respondendo a uma pergunta de participante, comentou os vários mitos e interpretações equivocadas que cercam a questão da dívida da previdência nacional. Explicou que há vídeos apresentando informações manipuladas que mostram uma realidade distorcida da área. O déficit da previdência é real e precisa ser estancado de forma urgente com medidas drásticas. Os gastos públicos com previdência sobre o PIB e parcela da população com mais de 65 anos é um dos maiores do mundo. Apesar de jovens, gastamos muito com a previdência. Por outro lado, o país tem uma das menores idades média de aposentadoria no mundo – 58 anos, comparado, por exemplo, com a Coréia do Sul, que é de 72 anos. A reforma da previdência é o primeiro passo para começar a resolver a questão das contas públicas do país; trata-se de uma condição necessária, mas não suficiente para evitar uma crise mais severa.

Estiveram na recepção ao economista-chefe da Fiergs, o presidente da Acil, Miguel Arenhart; a gerente regional do Sebrae VTRP, Liane Klein; o presidente da CIC Vale do Taquari, Ito Lanius, e o vice-presidente regional da Fiergs, Nelson Eggers, entre outras autoridades.

 

Fonte Assessoria de Imprensa Acil

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