CIC-VT e Federasul reforçam união em prol do desenvolvimento

Demandas regionais e estaduais foram a pauta da reunião conjunta da Câmara de Indústria e Comércio do Vale do Taquari (CIC-VT) e Federação das Associações Comerciais e de Serviços do RS (Federasul) realizada na tarde de sexta-feira, dia 7, antecedendo a abertura da Suinofest. O encontro foi conduzido pela presidente em exercício da Federasul e presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Canoas, Simone Diefenthaeler Leite, e pelo presidente da CIC-VT, Oreno Ardêmio Heineck. Os pleitos centram-se, principalmente, na reforma tributária e definição de melhorias na infraestrutura, com foco na gestão das estradas após a extinção dos pedágios privados.

Simone lembrou que os empresários são os grandes geradores de riqueza para o estado, “mas não somos consultados sobre a forma de conduzir os investimentos”. ”Precisamos nos unir e fazer barulho, pressionar pelas reformas”, sustenta a líder empresarial. Os empresários presentes ao encontro, no parque João Batista Marchese, comentaram que “o governador tira fotos com cocar de índio”. “Mas, e o que faz com a pauta dos empresários”, questionam.

Valmor Scapini, diretor regional da Federasul para o Vale do Taquari, propôs o encaminhamento de pauta estadual de reivindicações ao governo, dando prazo para respostas concretas. Se não vierem as respostas, trabalhar a mobilização empresarial para pressionar pelo atendimento da pauta.

Atitude

Henrique Purper, presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços (Cacis) Estrela, defende, com ênfase, a necessidade de “tomada de atitude” por parte dos empresários, citando, como exemplo, o fechamento da BR-386 “por meia dúzia de índios”, atrasando de forma insustentável o desenvolvimento econômico de metade do estado.

A presidente em exercício da Federasul relembrou que a riqueza do estado é gerada no interior. Porém, as decisões políticas acontecem na capital, enfatizando a importância e necessidade do associativismo empresarial para conduzir as demandas regionais ao governo do estado e outras instâncias dos poderes públicos. Este é o objetivo da Federasul, descentralizar e promover reuniões regionais para conhecer as realidades locais e o trabalho realizado pelas entidades empresariais. Comentou a alteração recente do estatuto da Federasul, permitindo que sejam eleitos para a presidência da entidade vice-presidentes regionais.

Respostas

Simone informou pleito encaminhado junto ao secretário estadual da Fazenda no sentido de redução da carga tributária das empresas optantes pelo Simples, que empregam 44% da mão de obra do estado. Essas empresas estão sendo oneradas com o imposto sobre fronteiras, de 5% na compra de matérias-primas e produtos de outros estados. O assunto foi levado ao governador do Estado, que ficou de analisar a questão e dar retorno. A Federasul pretende cobrar resposta, adianta Simone. O presidente da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil), Ronaldo Zarpellon, sugere levar grande comitiva de empresários para a audiência futura com o governador, mostrando a força e mobilização da classe na defesa de seus interesses. A proposta foi aprovada por unanimidade pelos participantes.

Simone também manifestou preocupação quando ao atendimento de socorro mecânico e médico nas estradas com a extinção dos pedágios. “Não adianta abrir as cancelas e ter apoio ineficiente”, alerta. Também neste caso propõe a articulação do associativismo empresarial para cobrar respostas e definições por parte do governo.

Desencanto

Renata Galiotto, vice-presidente da ACI Encantado, manifestou seu desencanto com o não atendimento das demandas levadas a nível estadual e a falta de comprometimento das lideranças públicas que recebem as reivindicações de cada município. Houve manifestação de empresários corroborando as colocações de Renata. Esta defende uma ampla mobilização para pressionar o governo pela reforma tributária.

Otto Blaas Filho – presidente do Observatório Social (OS) Lajeado – pediu o apoio da vice-presidente Simone no sentido de ajudar, junto à Federasul, na disseminação da atuação e criação de novas unidades do OS em todo o Estado.

A preocupação com o atraso da implantação da rede de energia elétrica entre Garibaldi e o Vale do Taquari, que permitirá suprir a demanda crescente da região, foi expressa pelo vice-presidente regional da Fiergs, Egon Édio Hoerlle, também presente ao encontro.

Mobilização forte

Heineck comentou que várias minorias de grupos sociais estão mobilizadas, conseguindo anular as maiorias. Analisando a categoria empresarial, lembrou que esta é constituída de grandes empresários, que têm um papel importante. Porém, a grande maioria é de empresários de pequeno porte, que mais sofrem com a estrutura tributária existente. Reforçando o coro geral de insatisfação expresso pelos presentes, defende a mobilização forte como forma de buscar resultados concretos em prol da reconquista de competitividade por parte das empresas gaúchas.

“Não é uma questão com o atual governo ou com governos anteriores. É de governos porque não sabemos nos fazer ouvir”, comentou Heineck. O presidente da CIC-VT entregou à representante da Federasul dossiê completo com as ações e demandas da entidade regional junto às várias instâncias de governo.

A reunião foi aberta pelo presidente da ACI Encantado e anfitrião do encontro, Júlio César Medeiros, e contou com a presença de dezenas de lideranças empresariais do VT e Rio Pardo e vice-presidentes da Federasul.

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