Chuvas intensas têm reflexos diferentes em lavouras de milho

As intensas chuvas ocorridas no Estado e na região, nas últimas semanas, começaram a repercutir no desenvolvimento das lavouras de milho, cuja semeadura já atinge 60% da área a ser plantada nos municípios atendidos pelo escritório regional da Emater/RS-Ascar. Segundo informa o responsável pela área de grãos do escritório, engenheiro agrônomo Alano Tonin, foram registrados alguns problemas, sem muita expressão, em áreas mais baixas, sujeitas a empoçamento de água. É até possível que em determinados locais o rendimento da safra seja maior do que o esperado, já que o milho precisa de uma considerável quantidade de água para desenvolver-se, o que ocorre em áreas de coxilha e com solos mais bem drenados, especialmente no cultivo de milho para produção de grãos.

Problemas com germinação

Já em áreas de várzea, onde se verifica o acúmulo de umidade, ocorreram problemas de germinação das lavouras, bem como a perda de plantas, o que poderá comprometer o rendimento da safra. Em outras áreas, os agricultores deixaram de aplicar ureia, o que também poderá resultar em menor produtividade.

Da mesma maneira, quando da ocorrência do excesso de pluviosidade, ainda havia algumas lavouras de trigo para colher, o que afetou o rendimento ao redor de 30%. Como neste período não se conseguiu realizar a colheita, houve inclusive casos em que houve brotação das espigas do cereal.

Outra questão que afetou a lavoura, com o excesso de umidade, foram a brusone e giberela, que são doenças fúngicas que reduzem a qualidade dos grãos, explica Alano. Em determinados pontos, lembra o agrônomo, o milho ainda a ser cultivado está sofrendo um atraso, já que não ocorrem condições ideais para semeadura. Caso este atraso se agrave, poderá trazer problemas para o plantio do milho safrinha.

Chuvas em excesso

Para o agricultor Roberto Francisco Scheeren, as chuvas têm sido em excesso, pois, com pouco sol, as plantas não desenvolvem de maneira uniforme. Há também o processo de lixiviação, que ocasionou a perda de nutrientes, o que significa menor produtividade e, por consequência, a redução da lucratividade. Ele explica que o produtor é quase totalmente refém do clima, e por isso, não pode formar lavoura sem crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), e evidentemente, coberta por seguro.

Uma lavoura de milho bem preparada significa um investimento por hectare de R$ 600 em sementes, cerca de R$ 770 em adubo e outros R$ 700 com aplicação de ureia, dentro de uma realidade de preços médios. O rendimento por hectare, segundo Scheeren, projeta um resultado de 10 a 12 mil quilos, em condições climáticas bastante favoráveis.

Ele explica que a lavoura do cedo, plantada em 10 de agosto, em uma área de seis hectares e destinada para silagem, escapou das piores condições do clima, mas houve prejuízos na fase do desenvolvimento vegetativo. Ainda pretende ocupar uma área de quatro hectares com milho para produção de grãos, mas está tendo dificuldades de realizar o plantio.

Safrinha

A safrinha, geralmente cultivada após a colheita da 1ª safra, deverá ficar prejudicada, no entendimento do agricultor, pois as intensas chuvas estreitam o prazo para seu plantio. No ano passado, ele perdeu cerca de 400 sacas de grãos em virtude do clima, já que não foi possível fazer a colheita, no período de chuvas.

Saiba mais

Antes do início do cultivo do milho, a projeção do rendimento médio da região era de 5.062 quilos por hectare, e a expectativa de hoje é que a produtividade do milho para grãos possa alcançar 5.342 quilos por hectare, o que trará acréscimo de aproximadamente 5% sobre o rendimento projetado no início. Alano salienta ainda que em Cruzeiro do Sul, uma lavoura foi prejudicada por granizo, mas neste caso, ela poderá demonstrar uma recuperação se não ocorrerem outros fatores adversos.

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