Chuva prejudica hortaliças. Preço sobe

Além de atingir mais de oito mil pessoas, as chuvas que castigaram grande parte do estado nas últimas semanas impactarão no bolso dos consumidores. Segundo a Central de Abastecimento do Rio Grande (Ceasa), as plantações de hortaliças tiveram perdas de até 60% devido aos alagamentos, umidade e altas temperaturas.

De acordo com o técnico em Fruticultura da Emater Regional de Lajeado, Derli Bonine, as principais culturas atingidas pelas intempéries são as folhosas como alface, brócolis, rúcula, chicória e radicci.

A situação influencia na oferta de alguns produtos nas feiras e supermercados, além de afetar a qualidade. “Quando a produção é menor, a tendência é de se elevar o valor.” Estima entre 30 e 40 dias, se as condições meteorológicas colaborarem, para voltarem à normalidade os preços, o abastecimento e o plantio nas lavouras.

Conforme Bonine, os agricultores têm muita dificuldade para preparar o solo e outras áreas semeadas foram perdidas em função da chuva. As mudas transplantadas têm crescimento retardado devido ao excesso de umidade. “O calor provoca a incidência de doenças e ataque de fungos. Muitas plantações estão apodrecendo.”

Mesmo onde o cultivo é feito em estufas, as perdas são semelhantes. A ausência do sol também prejudica o processo de fotossíntese. Na fruticultura, podem haver prejuízos nos pomares de laranja das variedades mais tardias como a valência. Devido ao calor, a colheita foi antecipada em um mês e agora os altos volumes de chuva fazem as frutas caírem.

Em anos anteriores, a safra se estendia até dezembro e com menor oferta no mercado os lucros eram maiores. “Agora competimos com a laranja colhida em São Paulo. Perdemos em preço e qualidade.”

Nos parreirais, calcula-se prejuízo de 5% na produção do próximo ciclo em função da queda de geada há duas semanas. Agora a umidade obriga o viticultor a aumentar os tratamentos para controlar fungos e doenças.

Menor oferta

O produtor Daniel Purper, de Lajeado, mantém o cultivo de hortigranjeiros (alface, tomate, brócolis, couve-chinesa, repolho, couve, morango, entre outros) em sete hectares. Além de 11 estufas, parte das variedades é cultivada a céu aberto.

Em culturas como alface e brócolis, cerca de 60% das plantas foram perdidas. “As colhidas são de baixa qualidade. Preciso vender pela metade do preço.” Caso a situação continue, projeta a falta de algumas variedades. Para atender clientes em feiras e restaurantes, será obrigado a comprar de produtores da Serra Gaúcha. Com isso o valor aumentará em 50%.

A produção de 15 mil morangueiros também foi afetada. Por semana, colhia cem quilos. “A alta umidade e o calor resultam em uma queda de 70%. A fruta apodrece ainda verde.”

Hortaliças feias

Para tentar aproveitar parte das hortaliças com deformidades e lesões, consideradas feias e ignoradas pelo cliente, apostou na construção de uma agroindústria há um ano. A matéria-prima é utilizada na produção de pizzas, pastéis e outros produtos. “São hortaliças feias, mas com o valor nutricional intacto que todos nós podemos comer normalmente.”

Purper também investiu na compra de câmeras frias. Quando as variedades estão no ponto ideal de colheita, são armazenadas por até três semanas no local e depois encaminhadas ao mercado. O sistema ajuda a preservar a qualidade.

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