Chuva em excesso reduz em 15% o volume de leite na região

As chuvas e alagamentos de julho reduziram em 15% o volume da produção de leite na região. O levantamento é da Emater/RS-Ascar, com base nas informações coletadas junto aos municípios. Já a agricultura não acumula maiores prejuízos, pois o Vale não cultiva grandes quantidades de plantações de inverno.

Além de derrubar muros, entupir bueiros e desalojar famílias, as enxurradas do mês de julho causaram prejuízo à produção de leite. De acordo com o gerente regional adjunto da Emater/RS-Ascar, Carlos Augusto Lagemann, a queda estimada em 15% ocorreu por conta da destruição ou da falta de acesso ao pasto. “Existem duas situações: em alguns casos, o gado não pôde chegar até a área da pastagem. Em outras, a forração foi perdida.”

Assim, segundo Lagemann, a nutrição do gado leiteiro teve que ser feita com ração, feno e silagem já armazenados. “Isso representa uma quantidade menor de alimento, por isso os rebanhos produzem menos”, destaca Lagemann.

Como a região não tem “vocação” para o plantio de culturas de inverno, não houve registro de prejuízo agrícola. Apenas em Colinas um produtor de trigo desistiu de iniciar o manejo nos 25 hectares da propriedade por causa da quantidade de chuva acumulada. “No geral, o plantio do milho, que em alguns municípios começa em agosto, não deve ser prejudicado”, avalia Lagemann.

De acordo com o Centro de Informações Hidrometeorológicas (CIH) da Univates, até a quarta-feira, dia 22, a chuva medida no campus da instituição em Lajeado somava 425,7 milímetros. O valor é mais que o dobro da média histórica que é de 170mm.

Safra seca

Nos meses de inverno, os rebanhos produzem menos por natureza. Há menor oferta de alimento volumoso, como pastagens. Neste mês de julho, além de contar com a oferta menor de pasto, alguns produtores tiveram que investir na compra de ração e suplementação alimentar. Segundo o gerente adjunto da Emater/RS-Ascar, a condição pode ter elevado os custos de produção. “Porém não há como dimensionar ainda esse impacto nas propriedades rurais”, complementa.

Nenhuma situação de emergência

Conforme o sargento Márcio Fernando Siteneski, coordenador adjunto da 11ª Regional da Defesa Civil, nenhuma das cidades do Vale precisou decretar situação de emergência. O cálculo para que se decrete o estado de emergência leva em conta os prejuízos humanos, sociais e ambientais. “Não tivemos nenhuma grande perda na lavoura, nem no patrimônio púbico – como destruição em estradas e rodovias. Os deslizamentos também ocorreram em pontos isolados”, justifica.

O sargento Siteneski explica que o valor do prejuízo tem que ser igual ou superior a receita corrente do município. No caso de Lajeado, por exemplo, onde a receita é de R$ 267,4 milhões, para que o município decretasse situação de emergência, as perdas com as chuvas deveriam ser superior a R$ 8 milhões.

Embora a instabilidade do tempo tenha passado, a Defesa Civil regional mantém em alerta as coordenadorias municipais, seguindo os protocolos estabelecidos para enchentes. “Estamos em um ano de El Niño, e a manifestação dele é intensa. Em agosto podem ocorrer mais volumes significativos de chuva”, ressalta Siteneski.

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