Certel prevê instalação de parque eólico

Pioneira na geração de energia elétrica no Vale do Taquari, a Certel Energia pretende expandir a produção. Depois de construir hidroelétricas, desenvolve projeto para implantar o primeiro parque eólico na região, no Morro da Harmonia, em Teutônia. A proposta contempla 12 aerogeradores (cata-ventos), com 50 metros de altura cada.

De acordo com estimativa da cooperativa, baseada em dados de consumo de seus associados, as instalações poderão gerar 15 Megawatts (MW) de potência por dia. Quantidade capaz de promover energia para 45 mil pessoas, equivalente a 63% da população de Lajeado, por exemplo.

A implantação do projeto depende de aval da Fepam e Aneel. Valor dos investimentos, segundo a cooperativa, é impreciso.

Estudo indica que a velocidade dos ventos em morros da região, em médias anuais, chega a sete metros por segundo, quantia suficiente para produção energética. A pesquisa foi elaborada por meio de participação na construção do primeiro atlas do potencial eólico do Rio Grande do Sul, em parceria com a Secretaria de Minas, Energia e Comunicações (SEMC).

Por ser considerada uma energia limpa e pelo potencial existente no Estado, devido à oferta de ventos, o sistema eólico foi definido como um dos 23 setores estratégicos da política industrial do governo gaúcho. Segundo dados, o Rio Grande do Sul conta com 469 MW instalados em 16 parques, sendo um ainda em construção. O potencial chega a 15,8 Gigawatts (GW).

Com isso, o governo acredita que o Estado reúna condições atrativas para a instalação de novos parques e, em consequência, para o estabelecimento de empresas fabricantes de máquinas e equipamentos da cadeia produtiva, bem como para prestadores de serviços especializados.

Três hidrelétricas

Em 2001, a Certel iniciou a construção da Hidrelétrica Salto Forqueta, situada entre os municípios de São José do Herval e Putinga. Quase dois anos depois, a obra foi concluída. A eclusa permite a geração de 6.124 KW de potência.

Há cerca de nove anos, também entrou em funcionamento a Hidrelétrica Boa Vista, em Linha Geraldo, Estrela. A instalação é uma repotencialização da Usina Augustin, construída entre 1947 e 1949, e responde pelo fornecimento de energia para 1,3 mil residências. A hidrelétrica injeta energia no alimentador de 13,8 kV de Teutônia/Garibaldi, reduzindo proporcionalmente a dependência de energia de outras regiões.

A construção da Hidrelétrica Rastro de Auto, entre Putinga e São José do Herval, tem como empreendedora a Certel Rastro de Auto Geração de Energia S/A, sociedade da Cooperativa Regional de Desenvolvimento Teutônia – Certel (70%) e Electra Power Geração de Energia S/A (30%).

Iniciada em setembro de 2011, com investimentos na ordem de R$ 50 milhões, obteve a licença de operação da Fepam em 29 de maio do ano passado. Em fase de construção, essa nova usina terá potência instalada de 7020 kW.

Empresa prevê R$ 76 mi para Guaíba

Estimulado pelos resultados obtidos com a produção energética, o governador Tarso Genso assinou, nessa quarta-feira, um protocolo de intenções com a empresa Engebasa Mecânica e Usinagem. Pelo acordo, devem ser investidos R$ 76 milhões na instalação de uma fábrica de torres metálicas para parques eólicos, em Guaíba.

Pela proposta, serão 230 empregos diretos, sendo mais de 80% para profissionais especializados, além de 85 empregos diretos. Segundo estimativa do diretor-presidente da empresa, José Quina Diogo, a nova fábrica deve entrar em operação no segundo trimestre deste ano.

A fábrica terá 20,7 mil metros quadrados, instalada numa área de 147 mil metros quadrados, com capacidade de produção de 300 torres por ano, superando a capacidade atual em Cubatão – sede da companhia – que é de 168 torres de aço. A empresa é responsável por mais de 35% da produção nacional de torres eólicas.

Funcionamento de um aerogerador

Os aerogeradores, também chamados de cata-ventos, são formados por uma torre e uma gôndola composta por um “rotor” e aparelhos como para-raios e para medir a velocidade do vento e sua direção.

O “rotor” é constituído pelas pás e por um eixo, unidos através de um rolamento. São as pás que captam o vento e transmitem a sua potência ao rolamento, ligado a um multiplicador que aumenta a velocidade do eixo. Do multiplicador, a energia mecânica é transmitida a um gerador elétrico, que a transforma em energia eléctrica para posterior injeção na rede eléctrica.

Na maioria dos casos, os cataventos são formados por três pás. A variedade de potências dos aerogeradores se estendem desde os cem Watts (diâmetro das pás da ordem de um metro) até cerca de cinco MW (diâmetro das pás e altura da torre superiores a cem metros).

Agergs admite risco de apagão

Na última semana, a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do RS (Agergs) reconheceu o risco de o Estado sofrer novo apagão de energia elétrica, caso o inverno seja rigoroso.

Em audiência pública, o conselheiro presidente da instituição, Carlos Martins, observou que o Rio Grande do Sul estava despreparado para o alto consumo registrado neste verão, com recordes de calor e seguidos temporais. Segundo ele, não falta energia, mas existem sérios problemas na distribuição.

De acordo com Martins, até dezembro do ano passado as três principais concessionárias existentes no Estado – CEEE, RGE e AES Sul – apresentavam bons índices na prestação de serviços. Tal cenário, conforme ele, mudou no mês passado, quando as instituições não conseguiram atender a sobrecarga.

No encontro, Martins apresentou aumento de 59% no número de queixas referentes ao serviço de energia no Estado. Entre a metade de dezembro e metade deste mês, foram 16 mil reclamações de consumidores. Nos dois meses anteriores ao período, eram dez mil.

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