Certel comemora 60 anos de boas realizações com inauguração de hidrelétrica

Os 60 anos da Certel, mais antiga cooperativa de infraestrutura em atividade no País, foram comemorados na tarde da sexta-feira, dia 19, no Distrito de Cazuza Ferreira, interior de São Francisco de Paula, com a inauguração da Hidrelétrica Cazuza Ferreira. Diversas autoridades, como a primeira-dama do Estado do Rio Grande do Sul e secretária do Gabinete de Políticas Sociais, Maria Helena Sartori, secretários estaduais, lideranças municipais e regionais e imprensa, prestigiaram o evento. Situada no Rio Lajeado Grande, a Hidrelétrica Cazuza Ferreira tem também como sócios a cooperativa Coprel, de Ibirubá, e a Geopar, de Porto Alegre.

Com uma potência instalada de 9,1 mil kilowatts (kW), a Hidrelétrica Cazuza Ferreira vai gerar energia limpa para 30 mil pessoas. A usina atende o padrão dos demais empreendimentos das cooperativas Certel e Coprel e também da Geopar, respeitando as normas e legislações ambientais vigentes. Tanto que um dos focos é a manutenção do aspecto cênico da cachoeira existente nas proximidades, com 87 metros de queda d’água.

Até 1996, esse mesmo local abrigava uma pequena usina de 150 kW da Cevicaf, cooperativa que foi incorporada pela Certel em 2001. A cooperativa Certaja, de Taquari, também foi uma importante influenciadora para que este projeto se tornasse viável.

Além de gerar energia limpa e renovável, a Hidrelétrica Cazuza Ferreira repassará muitos benefícios a São Francisco de Paula através da geração de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Agradecimento

“Todos podem ter certeza que, se estão aqui, alguma parcela de contribuição deram para a realização desta obra.” Foram as primeiras palavras do diretor de geração de energia e diretor-técnico do empreendimento, Julio Cesar Salecker.

É a primeira hidrelétrica construída numa parceria entre mais cooperativas, o que o diretor avalia como um grande exemplo de intercooperação. “Temos 22 hectares de lago para 9,1 MW, e isso é maravilhoso, pois se alaga pouca área em relação à energia que se gera. A Organização das Nações Unidas classifica todo empreendimento hidrelétrico com mais de 4 MW por quilômetro quadrado como um empreendimento limpo para o mundo, e este aqui tem 41 MW por quilômetro quadrado de área inundada, ou dez vezes mais do que a ONU considera como obra com energia limpa”, comparou.

Salecker sublinhou que a Cazuza Ferreira é a primeira obra do sistema cooperativo administrada com total engenharia e controle do proprietário. “Cumprimos prazo, ou seja, não atrasou, e dentro do orçamento previsto. Com muito orgulho, não tivemos acidentes, estamos há 638 dias sem nenhum afastamento grave. Além da natureza, respeitamos também o ser humano. Aqui, provamos que a união de pessoas, uma das bases do cooperativismo, é mais determinante do que a densidade de capital”, enfatizou.

Avanço

O presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Frederico Perius, lembrou da época em que a Cevicaf recebeu recursos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para movimentar uma pequena turbina a fim de produzir energia para 35 famílias. “E hoje, são 30 mil pessoas beneficiadas”, comparou, referindo-se à grandeza do empreendimento. “As crises do mundo sempre são de capital financeiro, e as cooperativas avançam neste momento”, endossou.

Perius congratulou o quadro social da cooperativa. “Um abraço a todos os mais de 70 mil sócios da Certel pelos 60 anos. Cooperativas como Certel e Coprel produzem energia para seus sócios e, quando sobra, 12% são aplicados para energia bifásica e trifásica. Parabéns pela obra humana que não prejudicou nenhuma vida. Pelo contrário, energia gera vida”, exclamou.

Incansáveis

“Posso entender um pouco da felicidade da Certel, da Coprel e do sistema cooperativista. Tenho também a felicidade de estar numa secretaria que tem envolvimento e consegue trabalhar ao lado do cooperativismo.” Assim iniciou sua saudação o secretário estadual de minas e energia, Lucas Redecker.

O secretário lembrou das muitas reuniões e debates em busca de soluções para as cooperativas de infraestrutura. “Vemos se consolidando um empreendimento que começou lá atrás, e eles não desistiram, acreditaram nos governos, nas pessoas e no Estado. E eles continuaram tentando e buscando empreender, e buscaram resolver os problemas que nós também enfrentávamos”, disse.

Redecker mencionou não só a força de vontade de trabalho das cooperativas, mas também a sensibilidade delas em ajudar. “Quando tivemos em Porto Alegre este grande temporal há dias atrás, pedimos o auxílio das cooperativas e a Certel e a Certaja nos mandaram ajuda, grupos de profissionais eletricistas que pudessem nos ajudar naquele momento difícil. Ou seja, a cooperativa cumpre sua função visando o bem comum, o desenvolvimento e o futuro do Estado”, comentou. “E, nesse momento, vemos aqui como o desenvolvimento pode caminhar junto com o respeito ao meio ambiente, com o encaminhamento dos licenciamentos bem feitos e representando de fato aquilo que nós queremos. Um estado próspero e preservando tudo aquilo que nós queremos de melhor. Junto a este empreendimento, vamos ter preservação do meio ambiente e a condição de poder ter o ensinamento te todos aqueles que virão visitar. A Secretaria de Minas e Energia está muito feliz por, de certa foram, poder ter contribuído com este empreendimento.”

O secretário de minas e energia também parabenizou a Certel pelos 60 anos. “Uma cooperativa que acompanho há muito tempo pela relação que tenho com o Vale do Taquari e pelo trabalho singular que eles realizam, pelas dificuldades que as cooperativas de eletrificação rural enfrentam no Brasil hoje e pela força de vontade de continuar. A Certel, que tem todos os seus postes de concreto há muito tempo, é um verdadeiro exemplo ao estado do Rio Grande do Sul, assim como esta bela união entre as cooperativas”, evidenciou.

Ousadia

Para o secretário estadual de desenvolvimento rural, pesca e cooperativismo, Tarcísio Minetto, as cooperativas estão de parabéns pela ousadia e capacidade de unir esforços na prática da intercooperação e da realização do compartilhamento de propósito de investimento e da visão empreendedora. “Vão gerar energia limpa e, fundamentalmente, o que está envolvido são 30 mil pessoas que serão beneficiadas pelo produto gerado que é a luz elétrica. Este sim é o exemplo do que o cooperativismo é capaz”, afirmou.

Exemplo de sucesso

O prefeito de São Francisco de Paula, Anto­nio Juarez Hampel Schlichting, agradeceu pela numerosa presença de autoridades que prestigiaram a inauguração. “Obrigado por valorizarem esta obra tão importante para a geração de energia limpa nesse Estado, onde São Francisco de Paula pode ser um exemplo de ação correta, de respeito ao meio ambiente, de ação efetiva de homens visionários como os de Cazuza Ferreira que, no passado, criaram a Cevicaf para gerar sua própria energia.

Cumprimento a todos vocês por conseguirem gerar este processo virtuoso de investimento e de geração de energia para muitas pessoas. Água limpa, natureza preservada, impacto ambiental quase zero”, referenciou.

O prefeito criticou a demora para a liberação das obras da usina. “Estamos num Brasil onde um investimento dessa natureza, desse tamanho, demora 20 anos para sair do papel. As autoridades precisam enxergar a importância, a capacidade e o mínimo impacto de uma obra como esta. E nós, cidadãos, temos que esperar duas décadas. Temos que desburocratizar, transformar ações de forma efetiva com menos papel e com mais iniciativa, decisão e vontade de fazer”, pontuou.

Recompensador

Segundo o sócio administrador da Geopar Participações, Julio Moretti Gross, é recompensador atuar em parceria com Certel e Coprel. “Tenho o privilégio de, há 20 anos, trabalhar com este grupo de pessoas cooperativistas, e podem ter certeza de que é extremamente gratificante. Não é à toa que hoje estamos juntos num empreendimento como este. É realmente um grande prazer fazer parte deste grupo”, relatou.

Quanto à questão da beleza cênica do local, que inclui a preservação de uma cachoeira, Gross diz que só foi possível porque, efetivamente, durante todo o processo, foi extremamente bem considerada e sempre muito apoiada pelos parceiros, para que as questões ambientais sempre estivessem em primeiro plano. “Cazuza Ferreira pode ser um exemplo de que, efetivamente, a conciliação do empreendimento hidrelétrico com as questões ambientais é extremamente viável, e aqui há prova. Todo empreendedor que quer colocar uma PCH de pé, com certeza, não vai se privar da compensação ambiental. E com isso, o Estado pode, com absoluta certeza, ganhar muito, pois empreendimentos existem vários. Basta arregaçarmos as mangas e fazermos acontecer.”

Segurança

Para o presidente da Coprel, Fecoergs e Infracoop, Jânio Vital Stefanello, o aniversário da coirmã Certel não poderia ser comemorado de maneira mais especial. “O trabalho conjunto entre duas cooperativas nos proporcionou muita segurança ao ingressar neste importante empreendimento. A geração de energia limpa e renovável é fundamental para o crescimento do País, que não pode ficar dependente de usinas térmicas, muito mais caras e poluidoras. A Coprel, a Certel e o setor cooperativo estão trabalhando para atuar neste desenvolvimento”, afirmou.

Stefanello destacou que esta é a 22ª hidrelétrica do sistema cooperativo gaúcho. “A Certel nos orgulha, e ficamos felizes por estarmos juntos neste empreendimento. O cooperativismo mostra que estamos, acima de tudo, construindo grandes saídas para o País e para o mundo, pois tem equilíbrio entre o econômico e o social. Queremos um meio ambiente preservado para os nossos filhos, e isto aqui é a verdadeira energia limpa”, completou.

Importância

O presidente da Certel, Erineo José Hennemann, destacou o engajamento de lideranças da Certel, Certaja, Coprel e Cevicaf, que contribuíram para que o empreendimento se viabilizasse, e sublinhou as riquezas que serão repassadas a São Francisco de Paula por meio da geração de imposto. “Parte destes benefícios retornarão aos mora­dores da Vila de Cazuza Ferrei­ra, destacando-a dentre outras comunidades”, pontuou.

Hennemann destacou que, com a hidrelétrica, o Rio Grande do Sul passa a depender menos da energia que é gerada em outros estados e que abastece os gaúchos através do Sistema Interligado Nacional. “Nosso Estado conta ainda com muitos outros potenciais hidrelétricos que devem ser aproveitados. Somente no Rio Forqueta, onde já temos duas hidrelétricas em operação, temos inventariadas outras cinco usinas que serão edificadas e, para o Rio Taquari, há três projetos viáveis. Somente o Vale do Taquari poderia se tornar autossuficiente, gerando toda sua energia através dessas pequenas centrais hidrelétricas”, afirmou.

Também cumprimentou os associados da Certel pela passagem do 60º aniversário, salientando que o quadro social da cooperativa sempre contribuiu para as atividades implementadas e, principalmente, com o desenvolvimento da região.

“Cumprimentamos cada um de nossos associados, aqui representados principalmente pelos conselheiros administrativos e fiscais. E estejam certos de que um futuro muito promissor nos espera, com ênfase à garantia de um fornecimento de energia elétrica cada vez mais diferenciado”, disse Hennemann.

Agilidade

A primeira dama do Estado e secretária do gabinete de políticas sociais, Maria Helena Sartori, representou, na ocasião, o governador do Estado do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori que, na véspera da inauguração, foi convocado para uma reunião emergencial em Brasília para tratar das dívidas do Estado gaúcho. “Espero que a energia que está sendo gerada aqui, não só a elétrica, mas a humana, também ajude para que a missão do governador hoje possa ter um pouco de sucesso para encontrarmos algum caminho que ajude o Rio Grande a sair da situação que está. O Sartori, com certeza, estaria bem feliz se estivesse aqui”, garantiu.

A primeira dama disse que uma das grandes preocupações do governo Sartori era com a Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. “A grande queixa que vínhamos recebendo era de processos com longos anos parados. Temos feito um grande esforço para agilizar, e muita coisa já mudou. Não mudou tudo, mas criaram-se importantes mecanismos, como exemplo, passar para os municípios o que eles podem licenciar. Caxias do Sul, Santa Maria e Pelotas já estão recebendo essa contrapartida para ver se a gente desentrava isso. Porque o Estado precisa se desenvolver, e muita coisa deixa de andar porque estava parando ali”, enalteceu.

Maria Helena compartilhou com o público o pensamento do governador, que tem um forte vínculo com a filosofia cooperativista. “Diz sempre o Sartori que, sozinho, a gente não consegue resolver, precisamos de parcerias. Ele tem destacado que Deus o ajudou a escolher uma equipe de secretários realmente comprometidos e que está fazendo aquilo que realmente precisa ser feito. Quando enfrentamos as primeiras dificuldades, Sartori dizia esperar que sua equipe continuasse com ele e não o abandonasse. É uma equipe coesa, soube entender as pressões, porque entendeu o processo que hoje todos os gaúchos também estão entendendo”, pontuou.

A primeira dama sublinhou que o governo atual não diz não porque não se quer fazer ou para beneficiar outros. “O não, quando acontece, é porque realmente não tem como acontecer. E saber dizer não é muito importante, porque, muitas vezes, a gente diz sim, e aquele sim não pode ser cumprido depois. Então, é isso que se está fazendo”, revelou.

Conforme ela, o governador gostaria muito de prestigiar o aniversário da mais antiga cooperativa de energia em atividade no País e a inauguração de uma hidrelétrica que vai gerar desenvolvimento ao município, à região, e vai gerar energia, que é uma coisa tão importante para gerar desenvolvimento. “Vamos continuar fazendo parcerias sim com o cooperativismo, porque, como diz o Sartori, sozinhos a gente não consegue fazer. Esse é o grande exemplo, não foi só uma cooperativa, buscaram mais parcerias e o financiamento do Badesul para fazer acontecer”, concluiu.

Ato religioso

A bênção da obra foi efetuada pelo bispo da Diocese de Caxias do Sul, Dom Alessandro Carmelo Ruffinoni. Ele afirmou ser muito bom dar a benção a um empreendimento de tamanha envergadura no ano da ecologia da Casa Comum. “Estamos inaugurando uma hidrelétrica bonita, em meio à natureza, e que ajudará também a conservar bem a estrada para o padre que tem que realizar a missa e o bispo que realiza a crisma. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Bendito sois, Senhor, nosso Deus. Sois digno de louvor, porque, com a inteligência e o trabalho dos homens e das mulheres, ofereceis a toda criatura os meios para aperfeiçoar-se, e também, com suas invenções e descobertas, revelais admiravelmente a vossa grandeza e bondade. Concedei que todos quantos vierem em sua necessidade usufruir da energia desta hidrelétrica, possam agradecer, louvar a Deus por este dom. E agradecer a tantas pessoas que aqui trabalharam. Concedei que saibamos sempre buscar a vossa face e possamos encontrar em voz, para além das trevas do mundo, a grande luz que não se extingue, em que vivemos, nos movemos e somos. Deus, de quem procedem-se todos os bens, lance o seu olhar sobre voz e voz dirija no caminho da paz. A bênção de Deus, todo poderoso, desça sobre esta obra, sobre as pessoas que aqui trabalharam, para que possam receber muita paz e muita saúde. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.”

Preservação

A Cachoeira dos Degolados, com 87 metros de queda livre, conhecida na região em função das degolas ocorridas no período da Revolução Farroupilha (1835 a 1845), cria nesta reserva ambiental uma paisagem marcante e bela do final do barramento da Hidrelétrica Cazuza Ferreira. Até a implantação da usina, não havia visitação no local. Hoje, graças aos programas ambientais desenvolvidos durante e após a construção, é possível vislumbrar uma das mais belas obras da natureza rio-grandense.

Presenças

Entre os conselheiros administrativos e fiscais da Certel e da Coprel que, após a solenidade, puderam visitar todos os setores do empreendimento e participaram de um coquetel, estiveram a deputada estadual, Zilá Breitenbach; presidente do Badesul, Susana Kakuta; diretora de operações do Badesul, Jeanete Lontra; superintendente de negócios empresariais do Badesul, Vera Carrion; vereador de São Francisco de Paula, Assis Tadeu Barbosa Velho; ex-presidente da Certel e atual vice-presidente, Egon Édio Hoerlle; vice-presidente da Coprel, Elso Scariot; secretário de meio ambiente de São Francisco de Paula, Flavio Leandro Prestes Alves; presidente da Associação Pró-Desenvolvimento Cazuza Ferreira, Erni Bento da Silva; presidentes da Certaja, Renato Pereira Martins; da Cerfox, Jandir Conte Zanotelli; da Ceriluz, Iloir de Pauli; da Coopernorte, Jairton Nunes da Silva; da Creluz, Elemar Battisti; secretário da Certel, Silvério Brune; presidentes da Cooperativa Languiru, Dirceu Bayer; da Sicredi Ouro Branco, Silvo Landmeier; da Sicredi Vale do Taquari, Adilson Metz; da Sicredi Região dos Vales, Ricardo Cé; diretor executivo da Sicredi Ouro Branco, Neori Ernani Abel; diretor executivo da Sicredi Vale do Taquari, Luis Mário Leite Berbigier; presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) Vale do Taquari, Ito Lanius; secretário da indústria e comércio de Teutônia, Fabiano Eckel; vereador de Poço das Antas, Pedro Klein; reitor da Faculdade La Salle, Irmão Marcos; e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lajeado, Lauro Baum.

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