Cerca de 850 pessoas prestigiaram a 8ª Edição do Fórum Tecnológico do Leite de Teutônia

Ao todo, nos dois dias de atividades a comissão organizadora do Fórum contabilizou a participação de cerca de 850 pessoas, entre estudantes, produtores rurais, autoridades, apoiadores e parceiros, representantes de entidades do agronegócio, comunidade e imprensa.

União de esforços pauta noite de abertura

Na noite de quarta-feira, dia 17, ocorreu a abertura oficial do Fórum Tecnológico do Leite – 8ª edição, evento promovido pelo Colégio Teutônia e parceiros com o tema “Cadeia do leite e suas interfaces – qualificação do produtor e do processo de produção, geração de renda e alimento”. O evento marcou as comemorações pelo Dia Estadual do Leite em Teutônia, celebrado anualmente na terceira quarta-feira do mês de setembro, evidenciando a importância do leite e incentivando o seu consumo.

Tendo por local o Auditório Central do educandário, a solenidade contou com a participação de estudantes, produtores rurais, autoridades, apoiadores e parceiros, representantes de entidades do agronegócio, comunidade e imprensa.

Os discursos no uso da tribuna destacaram essencialmente a união de esforços para qualificação das atividades no campo, contribuindo para índices de eficiência e produção de alimentos de qualidade.

Inovação

O diretor do Colégio Teutônia, Jonas Rückert, realizou breve resgate das temáticas das edições anteriores do Fórum e reforçou o caráter pedagógico da iniciativa. “Vivemos um novo cenário na produção leiteira, e os fóruns trazem esse contexto, buscando efetivamente a promoção e o desenvolvimento da cadeia produtiva do leite”, frisou, lembrando uma das inovações do evento de 2014 com o Circuito Temático realizado na Granja do Colégio Teutônia. “É um desejo latente, de muitos anos, que nesta edição dará seu start. É um momento muito significativo para a instituição”, concluiu, agradecendo o envolvimento e a participação de todos.

Potencial

Falando em nome dos patrocinadores do Fórum, o presidente da Cooperativa Languiru, Dirceu Bayer, qualificou a união das entidades ligadas ao agronegócio. “Precisamos aproveitar toda esta força, com cada organização desempenhando o seu papel, fundamental para o desenvolvimento do agronegócio, alavancando o progresso, melhorando a renda dos produtores rurais”, disse.

Bayer ainda destacou a importância da produção leiteira para produtores rurais. “O leite está presente em cerca de 95% das propriedades rurais, e aproximadamente 85% da produção leiteira no Brasil provém das pequenas propriedades.”

Ele finalizou lembrando o trabalho desenvolvido pela Cooperativa Languiru, com associados presentes em mais de 60 municípios gaúchos, reconhecida como a terceira maior cooperativa de produção do Rio Grande do Sul e a maior empresa com sede no Vale do Taquari. “Isso é fruto do trabalho que é feito por todos esses parceiros do agronegócio nas pequenas propriedades rurais. O agronegócio é viável quando bem conduzido, temos um enorme potencial de crescimento para o setor do leite. O Rio Grande do Sul é o segundo maior produtor nacional, atrás apenas de Minas Gerais, e o leite gaúcho é o de maior qualidade no Brasil.”

Autonomia dos produtores

O gerente adjunto da Regional da Emater de Lajeado, Diego Barden dos Santos, falou em nome dos apoiadores e lembrou o incremento no consumo de leite. “O consumo de leite aumentou e, hoje, chega a 165 litros/ano por habitante. Podemos relacionar esse acréscimo à evolução das classes sociais. Pessoas com melhor situação financeira e com maior escolaridade buscam por produtos de qualidade e estão dispostas e pagar mais por isso. Precisamos aproveitar essa oportunidade e produzir alimentos de qualidade para atender a demanda crescente.”

Santos relacionou o evento a essa construção do conhecimento. “Quanto mais conhecimento o produtor rural tiver, mais ele se liberta e cria autonomia para tomada de decisões na sua propriedade. O Fórum se propõe a isso, permitindo que os produtores evoluam e criem autonomia de renda e de vida. Buscamos ampliar este debate que objetiva a qualidade de vida no meio rural”, finalizou.

Trabalho de pesquisa

A palestra inaugural do Fórum Tecnológico do Leite destacou a “Intensificação na alimentação de rebanhos leiteiros em sistemas de produção familiar”, proferida pelo doutor e pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Gustavo Martins da Silva, com mediação do coordenador do Setor de Leite do Departamento Técnico da Cooperativa Languiru, Fernando Staggemeier.

Silva apresentou dados estatísticos e gráficos do trabalho desenvolvido com diferentes grupos de agricultores familiares na região Noroeste do Estado. Com relatos de experiências, falou da relação da intensificação da alimentação de rebanhos leiteiros com o aumento dos custos de produção, do maior emprego de mão de obra, da perda de fertilidade do solo e da maior dependência de insumos.

“Algumas características do Noroeste gaúcho se assemelham com o Vale do Taquari. A melhor alternativa para a superação de dificuldades está justamente nesta união de esforços que encontramos no Fórum do Leite. O programa Rede Leite busca aproximar a pesquisa, a extensão e os agricultores, unindo teoria e prática, aproximando o trabalho acadêmico da realidade do campo”, disse.

Sobre o manejo de pastagens, ele classificou o Tifton como de grande potencial produtivo, e ainda apresentou outras espécies perenes e anuais. “Os produtores devem se preparar para aproveitar ao máximo a produção de pastagens, tanto de inverno como de verão. O Estado é excelente para produção de pasto por contarmos com chuvas relativamente bem distribuídas. Temos condições de produzir pasto o ano todo, sabendo usar o potencial de cada região e conhecendo melhor as forrageiras”, concluiu Silva.

Rede Leite

A Rede Leite é um programa de pesquisa e desenvolvimento que tem o objetivo principal de contribuir para o fortalecimento e viabilidade da agricultura familiar na Região Noroeste do Rio Grande do Sul, a partir da geração de conhecimento em um processo de integração entre pesquisadores, extensionistas e famílias de agricultores. É considerado estratégia de apoio ao desenvolvimento, busca produzir novos conhecimentos de forma coletiva e coerente com as condições socioprodutivas dos agroecossistemas.

Atuam diretamente na Rede Leite cerca de 50 famílias de agricultores, 140 extensionistas rurais e 30 pesquisadores. Abrange 47 municípios correspondentes aos Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes) Noroeste Colonial, Celeiro e Alto Jacuí, beneficiando cerca de 18 mil agricultores com atividade leiteira.

“O trabalho com esses agricultores ganhou dimensões interessantes. Nos dias de campo, damos espaço para que pesquisadores, extensionistas e agricultores se manifestem e falem das suas atividades. Todos trabalham juntos e, com isso, estamos avançando”, explicou Silva.

Motivação e cenários da produção leiteira pautam segundo dia do evento

A recepção para o segundo dia do Fórum Tecnológico do Leite – 8ª edição, foi com café da manhã e ao som do Conjunto Instrumental nas dependências do Colégio Teutônia. A programação de quinta-feira, dia 18, foi bastante variada e atraiu grande público ao Auditório Central do educandário, onde transcorreu o evento na parte da manhã, e à Granja do Colégio Teutônia, que sediou o Circuito Temático no turno da tarde.

“Estamos muito satisfeitos e felizes com a expressiva participação do público nas palestras e no Circuito Temático. Desde já, todos estão convidados para a 9ª edição do Fórum Tecnológico do Leite, a ser realizada em setembro de 2015. Esperamos que todos saiam do evento com novos conhecimentos e possibilidade de aplicação prática de novas ferramentas nas suas propriedades rurais, objetivando a eficiência produtiva, a qualidade de produtos e a qualidade de vida”, avaliou a professora Maria de Fátima Fuzer da Silva ao final do evento.

Circuito Temático

Uma das novidades do evento neste ano foi a realização do Circuito Temático nas dependências da Granja do Colégio Teutônia. Foram nove estações, destacando espécies forrageiras, manejo de pastagem, cerca elétrica, silagem e desensilagem, conservação de forragem – fenação, manejo nutricional do rebanho, qualidade do leite e criação de terneiras. Cada parceiro participante teve 20 minutos de explanação, com o público participante dividido em grupos menores, qualificando o contato com os profissionais técnicos.

O encerramento do evento contou com a degustação de produtos lácteos, oferecidos pela Cooperativa Languiru, sorteio de brindes e o concurso Leite em Metro.

Motivação e qualidade de vida

A primeira palestra da manhã de quinta-feira propiciou momentos de diversão, integração e reflexão aos participantes. Contando com a interação do público, o engenheiro agrônomo e especialista em Motivação Humana Reflexiva, Ainor Francisco Lotério, abordou o tema “Vida de qualidade e prosperidade no campo”. Já no seu ingresso no Auditório Central, ele surpreendeu a todos quando chegou pedalando sua bicicleta.

“Quem planta e cria tem mais alegria. Viver no campo é uma arte, principalmente neste mundo competitivo. O campo mudou, as famílias evoluíram, os recursos são utilizados mais intensamente. A vida de qualidade é feita de princípios e valores, de cooperação entre as pessoas. Por isso, case com quem você gosta de conversar”, frisou, ressaltando que o primordial para começar algo é ter vontade. “A única coisa que não posso comprar para andar de bicicleta, é o equilíbrio. Fora isso, uma bicicleta emprestada e a vontade me bastam para a primeira pedalada.”

Uma das bases da palestra motivacional esteve no relacionamento familiar. “A alegria de viver está dentro de cada um de nós. Devemos dar atenção especial aos relacionamentos, ser comprometido com o futuro, preparado no presente e atento às mudanças. Além disso, precisamos valorizar os pais e o passado. Sejamos felizes por termos nascido no campo, por sermos agricultores. Mais importante que nascer na terra é ver a terra nascer dentro da gente. E quando atingir o sucesso, nunca esqueça quem batalhou do seu lado”, explicou.

Futuro da cadeia produtiva do leite

Fechando o roteiro de palestras, o engenheiro de alimentos, gerente técnico adjunto da Emater/RS-Ascar, Renato Cougo dos Santos, falou sobre o tema “Leite: produto nobre e diferenciado”.

“O leite é tão importante para a alimentação humana que, em alguns países, sua produção e fornecimento são tratados como responsabilidade pública, com papel fundamental para a saúde da população”, frisou.

O leite no Brasil e no Rio Grande do Sul

Conforme dados de 2011 do IBGE, o Brasil é o terceiro maior produtor de leite no mundo, com 33,2 bilhões de litros, atrás apenas dos Estados Unidos (88,6 bi) e da Índia (52,5 bi), estando à frente de países como a Rússia (31,7 bi) e a China (30,7 bi). Segundo dados do Leite Brasil, a produção nacional alcançou 35 bilhões de litros em 2013, crescimento de 5,7% com relação ao ano de 2012. “O Brasil é destaque neste cenário da produção de leite mundial. Mesmo assim, considerando a concentração da capacidade industrial instalada na região Sul e Sudeste do país, registramos ociosidade de quase 45% das plantas de laticínios, um grande déficit com relação à produção”, ponderou Santos.

Baseado nas informações do Leite Brasil, ele falou da produção de leite no Rio Grande do Sul. “Em 2013, a produção leiteira gaúcha foi de 4,3 bilhões de litros, crescimento de 6,17% com relação ao ano anterior, superior à média de crescimento nacional.” Na distribuição geográfica da produção de leite no Estado, a maior concentração produtiva está localizada no Noroeste gaúcho.

Mercados interno e externo

“O Brasil mais importa do que exporta leite. Se na década de 90, 12% das nossas empresas exportavam seu produto, hoje apenas 3% comercializam o leite no exterior. Mesmo importando o leite de outros países para atender a demanda do mercado interno, ainda temos o parque industrial ocioso. O consumo de leite está em franco crescimento no Brasil, o que nos mostra que existe um grande mercado interno a ser explorado. A FAO – órgão da ONU para a agricultura e a alimentação – sugere que o consumo per capita seja de 220 litros de leite ao ano. O Brasil, em 2014, deve alcançar 172 litros/ano por indivíduo”, projetou o palestrante.

Outro gráfico interessante apresentado por Santos considerou o leite a bebida mais consumida no Brasil, com 28,67%, à frente dos refrigerantes (28,24%) e da cerveja (21,61%). Uma preocupação é a proporção inversa de consumidores e de produtores. “Acreditamos no crescimento do consumo e da produção de leite, mas também deve ocorrer a diminuição do número de produtores de leite. Hoje contamos com animais de melhor genética, melhores tratos de água e alimentação, com maior produtividade de leite e menor número de animais. Mas o que nos preocupa é que o cenário aponta para que tenhamos cada vez menos pequenos produtores e mais produtores com grandes volumes”, ponderou.

Novos produtos

Outro foco da palestra abordou produtos comoditários, moeda na bolsa de valores, como o leite em pó e o leite condensado. Nesse cenário surgem com muita força as maiores empresas de lácteos do mundo, a maior delas a suíça Nestlê. “Com o mercado globalizado, muitas grandes empresas procuram o Estado para instalar plantas de industrialização do leite. Havendo esse déficit de produção, há a necessidade de compra de leite estrangeiro. Aliado a isso, o custo de produção do leite no Brasil é mais caro que o custo de venda no mercado internacional. Ou seja, não somos competitivos”, explicou o palestrante.

Se por um lado o desenho da cadeia leiteira para o mercado externo não anima, o mercado interno pode ser a solução nacional. “Temos capacidade para crescer, de rentabilizar a cadeia do leite, atendendo o mercado brasileiro. Diariamente são lançados novos produtos, atraindo mais consumidores, como é o caso do leite aromatizado e o mercado em expansão dos produtos orgânicos – sem o uso de insumos sintéticos – e dos alimentos funcionais, trazendo mais benefícios à saúde do consumidor”, analisou.

Queijo

Por fim, Santos ainda falou do mercado de queijos, com envolvimento das agroindústrias. “O Rio Grande do Sul conta com 19 mil produtores de queijo, cada um com suas particularidades, oferecendo produtos diferenciados no mercado. Percebe-se a valorização da identificação local desses produtos”, concluiu, afirmando que o leite é um produto nobre e diferenciado em função de todas essas características. “Por isso tudo se justifica o trabalho de organização dos produtores rurais, objetivando que tenham melhores resultados na sua atividade, ao mesmo tempo em que desfrutem de qualidade de vida e geração de renda.”

Agradecimentos

O Fórum Tecnológico do Leite – 8ª Edição foi uma realização do Colégio Teutônia, com apoio de Emater/RS-Ascar, Regional Sindical Vale do Taquari, Fetag/RS, Governo do Estado – Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Prefeitura de Westfália, Associação dos Engenheiros Agrônomos do Vale do Taquari (ASEAT), Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CAPA) e Ocergs-Sescoop/RS, com o patrocínio de Nutrifarma, Languiru, Certel Energia, Sicredi Ouro Branco, Du Pont Pionner, Banrisul e Prefeitura de Teutônia. O Circuito Temático ainda contou com a parceria de Emater, Nutrifarma, Du Pont Pioneer, Languiru, PGW Sementes, Atlântica Sementes, Ipacol Equipamentos, Zebu Cercas Elétricas, Fundação Agrícola Teutônia – curso Técnico em Agropecuária – e Samaq – representante Massey Fergusson do Brasil para os Vales do Taquari e Rio Pardo.

você pode gostar também Mais do autor

Comentários

Carregando...