Cerca de 800 pessoas se aperfeiçoam em liderança e vendas

Mais uma vez, a Convenção Lojista, promovida pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Lajeado, atinge seus objetivos. A 14ª edição realizada na última sexta-feira, dia 23, em Lajeado, reuniu cerca de 800 pessoas, vindas de 36 cidades do Rio Grande do Sul. Quatro palestrantes falaram sobre assuntos da atualidade e tendências do varejo, apontando para o público soluções e estratégias de liderança, gestão e desenvolvimento de equipes.

O presidente da CDL Lajeado, Daniel Dullius, associou o evento à proximidade da Copa do Mundo, lembrando o tema do evento, “Equipes Vencedoras – A Fórmula do Sucesso”. “Dessa vez nós somos os anfitriões, os donos da casa, e com isso apareceram os problemas”, ponderou Dullius. Contudo, afirmou que é preciso aproveitar de forma positiva o momento. “Apesar de toda a preocupação, não é propriamente aos problemas que os empreendedores devem se ater, e sim às oportunidades”.

O presidente da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV), Vilson Noer, elogiou a evolução do evento e desafiou a organização a repensá-lo pelas dimensões alcançadas. “Não há outro evento mais autêntico e qualificado que esse em nível estadual”. O evento também foi momento de reflexão sobre temas amplos que afetam o dia a dia do varejo, como o sistema tributário. O deputado estadual Frederico Antunes falou da conquista pelo fim do Imposto de Fronteira na Assembleia Legislativa do RS. Ele lamentou a resistência do Governo do Estado em fazer valer a decisão dos parlamentares, mesmo com exemplos próximos, como em SC, onde não incide a alíquota adicional de 5% do ICMS sobre a compra de produtos vindos de outros estados.

A mensagem do prefeito de Lajeado, Luís Fernando Schmidt, revelou otimismo em relação à Copa do Mundo e seus efeitos. “O país ganha em visibilidade, em obras de infraestrutura e com o impulso econômico gerado pelos turistas”. Schmidt também enalteceu a grandeza da programação e a relevância das empresas. “Sem vocês empreendedores, geradores de emprego e renda, o poder público não é nada. Contem conosco, critiquem e apontem as melhorias necessárias”.

A arte de liderar

O escritor e filósofo Mario Sergio Cortella compartilhou com a plateia seu conhecimento na arte de liderar. Frisou que é essencial compreender que a liderança não é um cargo, mas uma função. “A chefia é a capacidade de mandar. Já a liderança é a capacidade de motivar, de inspirar as pessoas”. Para Cortella, um dos palestrantes mais requisitados da atualidade, a liderança é uma arte, e não só uma técnica.

Ele aponta cinco competências consideradas essenciais, seja na vida pessoal ou profissional: abrir a mente, elevar a equipe (para que as pessoas cresçam junto), inovar a obra, recrear o espírito e empreender o futuro. Cortella salientou o desafio de inovar a obra. “É tolice fazer sempre tudo igual se queremos que algo mude”.

Autor de 22 livros, ele deixou como mensagem a importância da esperança. “Esperança do verbo esperançar, não de esperar. Precisamos ir atrás do que queremos, ir em busca e não desistir”.

Liderança e desenvolvimento de equipes

Foi mesclando experiências pessoais e de diretor de Operações da Carlos Miele e M.Officer que Tiago Mello despertou a plateia para a qualificação da equipe de vendas a partir do papel do líder. Segundo ele, o desenvolvimento deste departamento está relacionado à escolha de pessoas certas, treinamento específico e banco de talentos. Mello disse que a transação de vendas é efetiva quando atinge uma relação de confiança.

Para vendar mais é preciso investir nos seguintes fatores: qualidade do produto; equipes de vendas, visual da loja/merchandising, marketing efetivo, promoção e foco no cliente. “O que importa não é a vontade de vender, mas a vontade de se preparar para isso. O gerente precisa levar esta motivação de qualificação junto aos vendedores”, destacou. Quanto à liderança, o palestrante disse que algumas características são fundamentais: capacidade de escolher as pessoas certas, ser humilde e liderar sempre pelo exemplo.

Copa do Mundo e eleições 

Coube ao jornalista Daniel Scola refletir com o público sobre os efeitos dos principais acontecimentos do ano no Brasil. O comunicador falou sobre a Copa do Mundo e as eleições, buscando também explicar os seus efeitos na economia e no varejo de forma especial. Scola comentou sobre a “Copa do papel” e a “Copa real” e comparou o que estava projetado e o que efetivamente foi feito em obras de infraestrutura para sediar a competição.

Independente disso, destacou o impacto do evento. “A partir de junho, 3,6 bilhões de pessoas vão olhar para o Brasil”, lembrou. Citou as previsões do comércio de que no RS a Copa representará entre um Dia das Mães e um Natal a mais nas vendas. Ao comentar sobre as eleições, entende que serão fatores determinantes o impacto das manifestações e o comportamento da economia.

Varejo virtual x varejo físico

O administrador de empresas José Roberto Resende deixou claro em sua palestra que o varejo vive a ditadura do consumidor. Ele escolhe onde comprar, de que forma e que horas. Citou como aspectos da web a conveniência, a variedade de produtos e o preço. “O nosso tempo está cada vez menor e estamos mais conectados. É preciso perceber a influência que o e-commerce tem nas vendas”. A dica é integrar a empresa às ferramentas digitais. “O consumidor é multicanal, está na internet. Se eu não estiver lá, ele vai comprar do concorrente”.

Para o palestrante, é muito difícil operar varejo no Brasil em razão de fatores como caos tributário, complexidade burocrática e legislação trabalhista arcaica. “Nós somos muito fracos sozinhos. Está na hora de nos unirmos pela força das entidades do varejo”, destacou.

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