Centrífuga garante diminuição de lodo gerado em frigorífico

A Divisão Produtos Suínos (DPS) da Dália Alimentos conta com uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE). Localizada aos fundos da área do frigorífico, foi construída em meio a árvores e próxima ao Rio Taquari, para onde retorna parte da água tratada na estação, atendendo a todos os padrões de lançamento exigidos pelos órgãos governamentais.

Parte da água tratada na estação é reaproveitada em alguns dos processos externos de limpeza, que não exijam água potável. Já o lodo gerado no sistema de tratamento dos efluentes do frigorífico é acondicionado num tanque e, posteriormente, disposto em solo, nas áreas licenciadas da Dália Alimentos.

Desde o mês de abril, uma inovação foi incorporada à estação. Trata-se de um processo para a centrifugação do lodo produzido e acumulado. Uma centrífuga Decanter, desativada há alguns anos, voltou a funcionar, sendo utilizada para a redução de volume desse material que, após o processo, torna-se um composto orgânico pastoso.

A química de alimentos e supervisora da DPS, Diana Bagatini Soga, ressalta que a previsão é de que o composto possa, futuramente, passar por outra etapa como, por exemplo, um leito de secagem. “Isso daria a opção da própria empresa comercializar o produto”, considera. Enquanto isso, o processo atual é realizado na escala de aproximadamente 2,5 mil quilos por dia.

Antes da utilização do equipamento, todo lodo gerado na empresa era transportado até as propriedades. Para atender ao volume de lodo gerado, diariamente dois caminhões eram contratados para fazer o transporte, o que implicava em altos custos para a cooperativa.

Diana explica que o processo é simples. O lodo acumulado nos processos de tratamento do efluente é bombeado para a centrífuga que executa o processo final, até chegar à consistência de uma pasta. Para isso, junto ao lodo, é agregada a cinza produzida pela caldeira do frigorífico. “São cerca de 800 quilos de cinza produzidos por semana, cujo resíduo também estamos dando um destino ecologicamente correto.”

Água reutilizada

Diana frisa, ainda, que a água utilizada para a preparação das soluções de cinza e polímero é oriunda do reaproveitamento feito pela ETE após seu tratamento. “Para uma melhor eficiência do processo, a mistura de lodo e cinza recebe o complemento de uma substância chamada de polímero. Ela tem a ação de agrupar o material, dando a consistência de pasta, com menor teor de umidade e volume”, detalha.

Atualmente, esse produto gerado é transportado para uma empresa do ramo de adubos orgânicos. Entre os principais benefícios da utilização da centrífuga Decanter, Diana cita a redução dos custos com transporte e a diminuição dos impactos causados ao meio ambiente.

Hoje o volume está sendo reduzido e com o processo normal da ETE o transporte já consegue ser feito com um caminhão. “Ainda estamos em fase de testes e levantamento dos novos custos gerados pelo atual processo, mas, ao que tudo indica, teremos uma redução significativa nos custos gerais, além de um trabalho ambientalmente mais correto com projeções futuras de novos negócios.”

Responsabilidade social

Todo material que desce pelo ralo da Dália Alimentos e chega até à ETE sofre um controle rígido, dentro dos padrões ambientais. Esse efluente gerado, carregado de gordura, sangue e outras sobras, quando direcionado à estação, passa por um processo de tratamento.

O primeiro passo está no gradeamento, onde os resíduos mais “grosseiros” são retirados. No segundo, a água cai em duas peneiras que coletam o resíduo mais fino. No passo seguinte, a água é alojada em um pequeno tanque, de onde é bombeada constantemente para as lagoas de aeração. O quinto passo é o reator biológico e, por último, os decantadores.

Depois de todo o processo, a água retorna para o Rio Taquari. Parte dessa água tratada é utilizada para lavar as baias e os caminhões que transportam os suínos, e também para preparação das soluções do Decanter. Diana revela que cerca de 180 mil litros são reutilizados todos os dias pela empresa para os processos de higienização citados.

Em todo o processo de tratamento de efluentes, apenas um produto orgânico é utilizado, feito a partir da casca de acácia, chamado de tanino, que serve para dar o polimento final à agua. “Com isso, temos um efluente com menos toxicidade.” A Estação de Tratamento de Efluentes trata cerca de 1,3 mil metros cúbicos de água e opera 24 horas por dia.

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