Casca de arroz origina substrato usado no plantio de várias culturas

“Tudo começou como se fosse uma brincadeira”, define o agricultor e eletricista Neimar Puhl, ao falar de sua iniciativa em produzir substrato a partir de casca queimada de arroz, um importante insumo que hoje é utilizado na produção de moranguinho, tomate, pimentão, pepino e outros produtos hortifrutigranjeiros.

O primeiro experimento, segundo destaca, foi feito em parceria com o também produtor rural Marcos Purper. A “brincadeira” deu tão certo que, atualmente, Puhl dedica boa parte de seu tempo à produção de substrato em sua propriedade no Bairro Floresta, onde instalou um forno com capacidade 35 metros cúbicos para cada queimada.

Tecnologia

A tecnologia, embora já tenha alguns anos, só agora começa a ser difundida e ganha o interesse de agricultores e pessoas que cultivam hortaliças em fundo de quintal. O cultivo em substrato, inclusive, foi tema de uma recente tarde de campo, promovida pelo escritório da Emater de Lajeado, da qual agora Puhl recebe assistência técnica para elaborar seu produto e colocá-lo no mercado de insumos agrícolas.

A casca, considerada um resíduo pelos moinhos que beneficiam arroz, é a matéria-prima fundamental para o início do processo de transformação. Colocado no forno, o produto leva, em média, de 3,5 dias para estar em condições de uso. O passo seguinte é misturar ao redor de 30% de composto orgânico – mas este percentual pode variar de acordo com a cultura na qual será aplicado. Outra vantagem é que, com o substrato, o cultivo é feito em bancadas de madeira, propício para irrigação por gotejamento.

Com esta técnica, ainda reduz-se a mão de obra, a incidência de doenças e não há a presença de plantas invasoras. A pessoa que fizer o trabalho de plantio e colheita, deixará de sofrer com agachamento, uma posição incômoda que se reflete na coluna vertebral.

A queima da casca é necessária, já que isso elimina o problema da captura de nitrogênio no solo.

Conhecimento técnico

A proporção de aplicação do substrato é variável de acordo com o cultivo que se pretende realizar. Para isso, o agricultor, ao vender o produto, faz a orientação necessária sobre a correta utilização. Outro ponto destacado é que o adubo produzido pelo agricultor possui um custo menor se comparado aos convencionais vendidos no mercado.

De acordo com a engenheira agrônoma da Emater de Lajeado, Andréia Binz, para que o substrato tenha qualidade, é preciso conhecimento técnico no momento de sua elaboração. A queima é acompanhada pelo agricultor, que verifica o processo três vezes ao dia. A queima é lenta para que o produto final preserve as propriedades que sejam garantia de um bom rendimento nos cultivos.

Cultivo do morango

Com a mudança do perfil tecnológico em curso, o cultivo do morango, um dos principais a aderir ao cultivo no substrato, passa por uma fase de expansão em termos de municípios envolvidos com sua produção, segundo dados repassados pelo engenheiro agrônomo Lauro Bernardi, do escritório regional da Emater/RS-Ascar.

Dado a demanda que se registra em eventos dirigidos a famílias iniciantes e a busca de informações técnicas sobre o cultivo em substrato em bancadas elevadas sob ambiente protegido, estima-se que a região terá uma ampliação de 20% em termos de pequenas e novas unidades de produção desta fruta.

Próximo a 40% da área de produção da região ocorre em ambiente protegido. E toda a expansão de pequenas unidades, 100% ocorre no sistema de bancadas. A redução da penosidade na fase da colheita que a bancada em ambiente protegido proporciona tem atraído, particularmente, jovens, mulheres e idosos rurais empreendedores nesta atividade.

A estrutura produtiva como regra desenvolve-se em ambiente protegido com padrão modular de 5,2 metros por 48 metros, e altura lateral de 2,5 metros, onde são implantadas 3 mil mudas. Este formato foi sendo qualificado por experimentação e ajuste para que se tenha melhor ventilação em nossa região -associada à correta escolha do local -, coloca o agrônomo. Com o desenvolvimento das chamadas cultivares de dias neutro – que produzem, independente do clima, quase o ano todo – foi possível expandir muito o período de colheita e oferta que pode alcançar oito meses no ano.

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