Caminhos para a agricultura de base ecológica são debatidos em seminário

O município recebeu na última quarta-feira, dia 16, o 1º Seminário Regional do Programa Estadual da Agricultura de Base Ecológica. Durante o evento, mais de 200 pessoas – entre técnicos e extensionistas da Emater/RS-Ascar, representantes de prefeituras, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) e agricultores dos municípios dos vales do Taquari e Caí – estiveram reunidas no Salão Comunitário da Igreja Evangélica local para prestigiar palestras, relatos de experiências, para trocar sementes crioulas e para realizar trabalhos em grupo, tendo a produção agroecológica como tema.

Na abertura, o supervisor regional da Emater/RS-Ascar Álvaro Mallmann, ressaltou o objetivo do seminário – parte de uma série de eventos que estão sendo realizados em todo o estado com o mesmo tema: “incentivar e mobilizar todos os atores envolvidos no processo de transição e consolidação de uma agricultura de base ecológica”. A intenção foi a de abrir um espaço de reflexão e de intercâmbio de informações, oportunizando à comunidade uma aproximação do Programa Agricultura de Base Ecológica, coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR/RS) e operacionalizado pela Emater/RS-Ascar.

Entre os relatos de experiências, representantes do Organismo Participativo de Avaliação de Conformidade (Opac) de Porto Alegre, da Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Caí (Ecocitrus) e da Cooperativa de Produtores de Morango Ecológico de Bom Princípio (Ecomorango) apresentaram ao público presente, o histórico de constituição de cada entidade, enfatizando as dificuldades enfrentadas até chegar ao estágio atual. Também aspectos relacionados a produção, a organização e a comercialização de cada uma, foi debatida pelos representantes.

Para o assistente técnico regional em Agricultura de Base Ecológica da Emater/RS-Ascar, Marcos José Schäfer, a produção agroecológica está em alta, havendo por parte das pessoas uma tomada de consciência muito maior em relação ao tema. Para Schäfer, a divulgação de dados alarmantes, como aquele que dá conta do fato de que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, servem para refletir e para ligar o sinal de alerta. “Hoje, se fala muito em práticas sustentáveis de produção e a agricultura de base ecológica dialoga fortemente com este tema”, enfatizou.

Outras experiências

Durante o Seminário outras experiências foram apresentadas, entre elas a do controle biológico da lagarta do milho, no município de Colinas. Em sua fala, a técnica agropecuária da Emater/RS-Ascar, Lídia Dhein – acompanhada de quatro agricultores -, explicou como foi desenvolvido no município, o método de prevenção que utiliza a vespinha (Trichogramma spp). Em outro momento, os produtores Helena Weizmann e Pedro Kirch, do grupo de Agricultores Ecologistas de Forqueta fizeram o seu relato.

Helena lembrou as dificuldades enfrentadas no início, em 1999, quando o processo agroecológico ainda era considerado demorado e de baixo retorno. “Achávamos que ficaríamos ricos produzindo pepino em estufa, cheios de agrotóxicos, e não foi o que aconteceu”, lembra. A mudança veio com uma reflexão do grupo, composto por cinco famílias. Hoje, vendem todos os tipos de hortaliças e frutas na feira local e também no STR, com o selo de produto orgânico. “Não damos mais conta de atender a demanda e não há valor que pague esse retorno”, sorri.

A experiência de Helena é compartilhada pela produtora Lourdes Scharb, que participa de feira de Colinas vendendo produtos quase integralmente orgânicos. Tentando explicar qual o maior valor de trabalhar sem o uso de agrotóxicos, brincou ao dizer que o “retorno astral” é muito importante. “É claro que o retorno financeiro também é bom, já que um produto tão qualificado agrega valor, mas não há nada como encontrar aquele consumidor que vem todo o sábado comprar a alface na nossa feira, sendo que poderia comprar o convencional em qualquer mercado durante a semana” diz.

Incentivo do Governo

Representando o Núcleo de Agroecologia da SDR/RS, a engenheira agrônoma Sabrina Milano Vaz, explicou os objetivos e as ações que já estão sendo executadas por meio do programa Agricultura de Base Ecológica, do Governo do Estado. “Hoje existe uma grande preocupação da sociedade em relação a produção de alimentos saudáveis e a agricultura baseada nos princípios da agroecologia é uma resposta a esta demanda”, enfatizou. “Por meio desse programa busca-se fortalecer este modelo, gerando renda para o agricultor familiar e alimentos saudáveis para a população”, disse.

Presentes no evento, o coordenador regional da SDR/RS, no Vale do Taquari, Mauro F. Stein e o gerente adjunto da Emater/RS-Ascar, Diego Barden dos Santos, valorizaram o bom momento vivido pela agricultura familiar, com base nos diversos programas realizados pelo Governo do Estado, voltados a este público. “Nos últimos dois anos foram cerca de 800 novos funcionários contratados pela Emater em todo o estado, além de investimentos em carros e tecnologia para atender as demandas do campo e para aproximar o produtor rural das políticas públicas”, enfatizou Santos.

Sobre o evento, Stein disse ser uma possibilidade de refletir sobre os caminhos que podem levar os agricultores familiares a pensarem na transição do modelo convencional para o agroecológico, opinião compartilhada pelo prefeito de Colinas (ainda em exercício na ocasião), Gilberto Keller. Para Keller trabalhar com agroecologia é valorizar as origens. “Não queremos aqui demonizar a produção convencional, especialmente em um período em que a demanda por alimentos cresce, na proporção em que cresce a população mundial”, afirmou. “O que se quer é apresentar uma alternativa para o consumidor, que represente um aumento de qualidade de vida para todos os envolvidos.”

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