Calor antecipa colheita do figo na região

A safra de figo neste ciclo está adiantada em função das altas temperaturas. As frutas amadurecem mais rápido e exigem do produtor agilidade na hora de colher. Para evitar perdas, muitos recorrem à contratação de diaristas, porém, a oferta de trabalhadores é escassa.

Para conseguir colher o figo verde no ponto ideal, a família Krintges, de Poço das Antas, contratou um casal de vizinhos. O custo, somando despesas com transporte e alimentação, alcança R$ 130 ao dia por funcionário. “Os jovens migraram para a cidade. Por isto está difícil conseguir ajudantes”, relata Jacinto, 64.

Ele se recupera de um câncer de próstata. Com as sessões de quimioterapia, precisa ficar em repouso e não pode trabalhar, nem ficar exposto ao sol. O calor apressa a maturação e faz com que apenas o filho e mulher não consigam dar conta do serviço.

Outro motivo que afugenta os trabalhadores é o fato de o figo, ao ser colhido, liberar um ácido que queima a pele. Por isto, o aconselhado é vestir roupas de manga comprida, botas e luvas. “É um serviço fácil. O que atrapalha é o ácido, as altas temperaturas e as vestimentas”, comenta o filho Ivanir, 34.

Nos quatro hectares cultivados, o apanho das frutas começou em dezembro e vai até maio. São 35 mil quilos de figo verde, da variedade roxa de valinhos, vendidos por intermédio de uma associação de produtores estabelecida em São Pedro da Serra, para a indústria de caldas e schmiers.

Sucessivas quedas no preço desestimulam. Nesta ano, o quilo está cotado em R$ 2,80, cerca de R$ 0,80 mais barato em relação ao ciclo anterior. “Mesmo na falta de matéria-prima, com qualidade dos frutos, o valor despencou”, lamenta Jacinto.

Apesar das dificuldades, a família pretende manter o cultivo. “É melhor do que produzir leite, criar suínos ou aves. Já desistimos pelo baixo retorno e exigências impostas pelas integradoras.”

Para complementar a renda, outra opção é a produção de uvas. Neste ciclo, foram colhidas 17 toneladas da variedade niágara rosada.

Área reduz, produção aumenta

Conforme a Emater, a área cultivada no Estado reduziu em 24% entre 2005 e 2014. De 1.134 hectares passou para 860 no ano passado. No entanto, a produção 5,17% neste período. De 5,8 mil toneladas passou para 6,1 mil. Derli Paulo Bonine, técnico em Fruticultura da Emater Regional de Lajeado, atribui a mudança aos cuidados com o pomar. “Mesmo com a área reduzida, mantivemos a oferta.”

O preço varia entre R$ 1,30 (figo maduro para indústria) e R$ 3,50 (para consumo in natura). Para Bonine, a atividade é rentável, desde que o produtor invista em irrigação e tenha pessoas para trabalhar. O pomar da família Krintges tem sistema de gotejamento, implantado logo após o plantio, em 1999. “Cada planta consome até 50 litros de água no verão”, diz Jacinto.

A falta de mão de obra só pode ser solucionada com a organização dos produtores em cooperativas, onde se possa contratar equipes para poda e colheita. “A Ecocitrus resolveu este problema nos pomares de citros assim.”

Quanto à demora ser maior do que a oferta, sugere uma melhor remuneração ao produtor para poder expandir a produção.

você pode gostar também Mais do autor

Comentários

Carregando...