Burocracia impede que acessos asfálticos no Vale saiam do papel

A lentidão no andamento dos processos, vinda de outras gestões, e o congelamento de recursos implantado pelo atual Governo do Estado, já deixam os projetos de quatro acessos asfálticos da região guardados nas prateleiras há 17 anos. Ao todo, sete municípios seriam beneficiados com as obras, dos quais pelo menos três – Boqueirão do Leão, Coqueiro Baixo e Capitão – não possuem nenhuma ligação asfáltica.

Um das obras deveria ser realizada na ERS-425, num percurso de 9,6 quilômetros entre Coqueiro Baixo e Nova Bréscia, mas segue sem previsão de início. O Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), via assessoria de comunicação, relata que a Construtora Giovanella, segunda colocada na licitação, deverá assumir o serviço. Porém, isso depende de tratativas com a detentora do contrato, que é a Beter Engenharia, e também da liberação de verba para a pavimentação, o que não deve ocorrer antes de junho.

As duas obras de acesso a Sério, uma na ERS-421 até Boqueirão do Leão, num trecho de sete quilômetros, e outra na ligação de cinco quilômetros com Forquetinha, também permanecem travadas pela burocracia. Na primeira delas, o recurso previsto no contrato não foi suficiente para terminar a obra e necessita de uma nova licitação, assim como na segunda, que, em vez de de dinheiro, precisa de um novo projeto executivo, o qual o Daer afirma estar encaminhando.

A quarta e última refere-se ao trecho de 5,9 quilômetros da ERS-811, entre Arroio do Meio, na altura de Vila Forqueta, até Travesseiro. Conforme o Daer, o contrato com a Conpasul, responsável pela pavimentação, estaria em processo de repactuação. Porém, no ano passado, o órgão já havia anunciado a finalização das tratativas com a empresa, o que não se confirmou, pois até o momento não foi dada ordem de início para as obras.

Providências

De acordo com o prefeito de Capitão – único representante da região na Frente dos Municípios Sem Acesso Asfáltico – Cesar Beneduzi, um relatório está sendo elaborado pela diretoria do órgão, a fim de encaminhar ao Daer todas as demandas do Estado. Num primeiro, há cerca de 60 cidades na mesma situação destes sete municípios do Vale. “Queremos fazer isto o mais breve possível. A nossa maior exigência será que eles terminem as obras já iniciadas, e assim por diante. Não adianta deixar as coisas pela metade.”

Em Arroio do Meio, o prefeito Sidnei Eckert reclama da demora para efetuação da obra da ERS-811, mas afirma que, por enquanto, o melhor é aguardar. Na ligação com Capitão, na ERS-482, o município está com os serviços em execução e comemora o fato. É o único no Vale a ter o privilégio. “Não queremos que a pavimentação pare. Apesar de devagar, está andando”. Desde novembro, a empresa contratada faz a base da estrutura dos 13 quilômetros. “Depois, quando estiver mais adiantado, vamos buscar a outra obra”, afirma.

Preocupado com a segurança

Proprietário de uma empresa instalada na única via em obras, Marciel Stein (33) diz que, apesar de comemorar a pavimentação, preocupa-se com a questão da segurança. “Compramos aqui em 2010, e até agora foi bem crítico, por causa da poeira. Mas o problema é que não irão resolver a falta de segurança aqui”. Ele afirma que há muitos acidentes nas proximidades, já que a ERS-482 faz ligação com a ERS-130, e reclama que este será mais um ponto sem trevo.

“Não pensaram nisso, o que poderá causar diversas colisões. Nos preocupamos tanto pelos outros quanto por nós, que possuímos vários veículos”, cita.

Saiba mais

Arroio do Meio – 5,9 Km – Travesseiro – Parado
Nova Bréscia – 9,6 Km – Coqueiro Baixo – Parado
Boqueirão do Leão – 7 Km – Sério – Parado
Forquetinha – 5 Km – Sério – Parado
Arroio do Meio – 13 Km – Capitão – Em andamento

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