Bons exemplos de sucessão familiar entusiasmam jovens

O espírito de empreender e criar alternativas de renda no meio rural movem os quatro integrantes da família Stein. Com exceção da mãe, Ilaine (54), o pai Lauro (58) e os dois filhos, Paulo (33) e Carlos (28), são associados à Dália Alimentos. E foi este caso de sucesso em gestão e sucessão familiar que motivou a cooperativa e levar a Turma 4 do projeto para conhecer a propriedade da família, em Linha Lenz, no interior do município de Estrela.

A comitiva, composta por 24 jovens, além do professor Lucildo Ahlert, visitou a casa dos Stein na manhã do último sábado, dia 2. A atividade fez parte do cronograma de ações do Projeto Sucessão Familiar da Dália Alimentos, que deu início à quarta turma no início do mês de junho. As aulas estendem-se pelos próximos dois anos, com encontros mensais realizados na sede da cooperativa.

Sentados, numa roda de conversa, os anfitriões expuseram a realidade da propriedade familiar. Lauro contou como a família iniciou os trabalhos, adquirindo a área de terras de terceiros, há 13 anos, e iniciando as atividades na bovinocultura leiteira e na suinocultura. “Antes a gente morava com o meu pai, mas tudo era limitado, do jeito dele. Depois que compramos aqui a realidade foi mudando e conseguimos investir mais”, conta.

Diferente do convencional, em que os filhos já nascem e herdam as terras, Paulo e Carlos participaram da construção da propriedade familiar desde o começo das atividades. Quando adquiriram os 29 hectares em Linha Lenz compartilharam e até sugeriram como seria o “recomeço” dos trabalhos. “A gente morava com o vô e era do jeito dele, sem muita inovação. Com a compra da propriedade isso foi mudando e nós podemos opinar também”, reforça Carlos.

Lauro e Ilaine incentivam os filhos desde pequenos, tanto que emanciparam os dois para adquirir financiamentos bancários, a fim de comprar terras e também aplicar na construção dos pavilhões para suínos e para o gado leiteiro. Participantes assíduos nos negócios, os jovens foram determinantes para que os rumos da família fossem norteados nas atividades suinícola e leiteira. “Eles são nossos parceiros”, diz o pai. “Todas as decisões são tomadas ou no café da manhã ou no jantar. Ninguém decide nada sozinho, tudo é conjunto”, acrescenta a mãe.

Hoje a família administra três galpões no programa terminação com capacidade para 2,4 mil suínos e um plantel com cerca de 100 animais, sendo 47 vacas em lactação e uma produção de 1,1 mil litros de leite diários.

Individualidade

O consenso é o que dita as direções da propriedade, assim como a individualidade de cada um. Apesar de Ilaine administrar as finanças e realizar os serviços bancários, cada um possui sua conta no banco e o próprio cartão de crédito. “Todos trabalhamos para usufruir do dinheiro. É uma parceria entre pais, filhos e irmãos. E assim dá certo”, observa Lauro.

Carlos é um jovem empreendedor. Além de contribuir para as decisões da propriedade, foi um dos jovens participantes da Turma 3 do Projeto Sucessão Familiar da Dália Alimentos e, atualmente, faz parte do grupo de delegados da cooperativa. Liderança, incentiva outros jovens a assumirem a postura de líderes e abraçarem a oportunidade de adquirir conhecimento. “Ser delegado é uma experiência única. Crescemos como pessoa, aumentados nosso conhecimento e participamos de importantes decisões dentro da cooperativa.”

Na avaliação do professor Lucildo Ahlert, a visita comprovou que a sucessão ainda é um dos maiores motivos de continuidade dos trabalhos nas propriedades agrícolas. “Essa família nos deu uma aula de como promover a participação de todos seus integrantes, podendo influenciar no bom andamento dos negócios. Pais e filhos, juntos, é sinônimo de sucesso e perpetuação da agricultura familiar.”

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