Audiência sobre telefonia móvel mobiliza comunidade regional

Um grande público, entre líderes e entidades dos municípios do Vale do Taquari permaneceu nesta quarta-feira, dia 19, por duas horas, na Câmara de Vereadores, na Audiência Pública que teve como intuito criar um instrumento de cobrança na tentativa de pleitear melhorias no sinal para a telefonia móvel – em especial da operadora vivo. Representantes de diversos segmentos da sociedade manifestaram seu descontentamento com o serviço, relatando as experiências frustradas nas comunicações, sejam de cunho pessoal ou de negócios.

O presidente da Dália Alimentos, Gilberto Piccinini, relatou que ao longo do ano a empresa deparou-se com situações desagradáveis. “Comerciantes perderam vendas por não conseguirem efetuar negócios via cartões, devido à baixa qualidade do sinal telefônico”. O médico André Peretti, diretor do Corpo Clínico do Hospital Beneficente Santa Terezinha, reiterou que é um problema muito grave vivido na região, em especial em Encantado. “Pacientes e secretárias de médicos têm dificuldade de confirmar ou agendar consultas, mas os casos mais graves ocorrem nas urgências e emergências, muitos deles terminando em fatalidades”.

Representando as comunidades do interior, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Encantado, Gilberto Zanatta, disse que os produtores rurais compram telefones celulares e, muitas vezes, têm que devolver o aparelho por não conseguir usá-lo devido à falta de sinal. “Precisamos de eficiência nas ligações e conexão com a internet”. A vereadora de Relvado, Marciana Dabroi Fulcks, disse que telefone não é um luxo, mas uma necessidade, e clamou às operadoras maior atenção aos problemas registrados nos municípios de pequeno porte.

A plateia aguardou impaciente a manifestação dos representantes da Vivo. O engenheiro André Luiz Almada Belome, disse que há a intenção de sanar os problemas registrados na audiência, “mas muitas vezes as informações chegam incompletas”. De acordo com Belome, a operadora desconhece esses problemas e que todas as áreas serão informadas. “Certamente faremos uma avaliação, antes de decidir o que é possível fazer”.

O advogado Nei Di Domênico, vice-presidente da subseção da OAB de Encantado, frisou que, se for preciso, a entidade será acionada a nível estadual para que os consumidores tenham, por direito, o serviço que adquiriram e pagam em dia. A pressão continuou em todos os minutos das quase duas horas de duração da audiência.

O vice-prefeito de Encantado, José Calvi, enalteceu que a região é produtora e precisa do telefone como ferramenta de trabalho. “Esperamos que vocês (operadoras) sejam nosso porta-voz junto à Anatel e que saiam daqui com a determinação de resolver o problema”. A presidente da Aci-e, entidade que disseminou a necessidade de buscar alternativas para solucionar o problema na comunidade, reitera que é inadmissível que, em pleno 2014 e no auge da era digital, os consumidores tenham que implorar para ter acesso a um serviço tão básico e indispensável como o da telefonia móvel.

Encaminhamentos

Uma ata registrou todos os depoimentos manifestados durante a audiência, foi avalizada por cerca de 200 assinaturas e será encaminhada ao Ministério Público. Este será o novo instrumento da comunidade para exigir da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e das operadoras de telefonia móvel, melhorias efetivas no serviço do Vale do Taquari. Uma cópia da gravação audiovisual da audiência acompanhará a ata. Os materiais serão protocolados por autoridades locais, na próxima quarta-feira, dia 26.

Relembre o caso

A audiência vem sendo elaborada há meses pela Associação Comercial e Industrial de Encantado (Aci-e) e ganhou apoio de todos os setores constituídos da sociedade regional, principalmente empresas e entidades. O Poder Público e a Câmara de Vereadores também aderiram à iniciativa, contribuindo com ações que atendem ao objetivo.

Um abaixo-assinado contendo depoimentos sobre a dificuldade de se comunicar por meio dos telefones celulares já foi produzido e subscrito por empresas de grande porte, pela prefeitura e por vereadores. Enviado ao Ministério Público e ao Procon/RS, o documento também relata as dificuldades de se estabelecerem negócios que, por muitas vezes, são realizados por telefone e e-mail.

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