Audiência reúne agricultores para tratar de relacionamento com integradoras

Por iniciativa do Sindicato de Trabalhadores Rurais (STR) de Teutônia e do deputado Elvino Bohn Gass (PT), realizou-se, no dia 29 de junho, na sede da entidade, audiência pública da Comissão de Agricultura da Câmara Federal para tratar do projeto de lei que estabelece um marco regulatório para os contratos de integração agroindustrial no país.

Representantes das principais entidades da agricultura familiar do Estado, além de cooperativas, escritórios da Emater/RS-Ascar, associações de produtores, prefeitos e vereadores da região, ouviram depoimentos de produtores que foram unânimes em afirmar que os contratos atuais de integração favorecem muito mais as empresas integradoras do que os trabalhadores rurais integrados. O deputado estadual Elton Weber (PSB), também esteve na audiência.

Situação de desequilíbrio

O proponente da audiência, o deputado Bohn Gass disse que mais uma vez, se consta o desequilíbrio dos contratos de integração que, hoje, não garantem sequer o pagamento do custo mínimo de produção ao agricultor. Destacou que falta transparência na hora de calcular o valor a ser pago ao integrado que se vê praticamente obrigado a aceitar uma negociação onde falta reciprocidade nas questões técnicas e ambientais. “Esse desequilíbrio histórico é o que pretendemos eliminar com as emendas que apresentamos ao projeto que tramita em Brasília”, acrescentou.

A presidente do STR Teutônia/Westphália, Liane Brackmann, disse que o debate sobre o modelo de integração atual precisa ser feito para garantir segurança na questão contratual. “É verdade que o agricultor precisa da empresa, mas também é verdade que a empresa precisa do agricultor. Então, se um precisa do outro, o produtor não pode, por exemplo, arcar com todos os custos ambientais sozinho”, ponderou a sindicalista.

Concordância

Com dois tipos de contrato de integração – produz frangos para a empresa JBS e leite para a Cooperativa Languiru – o agricultor Éderson Alexandre Bauer, do município de Paverama, concorda com Liane: “No caso da cooperativa, a gente consegue falar com o presidente e esclarecer dúvidas; mas no caso da empresa privada, o único contato que temos é com um técnico e a tabela deles é muito complicada.”

Questionado sobre o motivo de não romper com a integradora privada, Éderson revela que seu pai manteve contrato por muitos anos com a Doux-Frangosul e que a empresa era, inclusive, avalista de um empréstimo bancário da família. Com a falência da Doux, os Bauer tiveram que arcar sozinhos com o pagamento da dívida e, por conta disso, se viram praticamente obrigados a aceitar a proposta de integração proporcionada pela empresa.

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