Arroio do Meio a Capitão: Obra parada traz prejuízo aos moradores

Aguardado a pelo menos 17 anos, o asfalto entre os municípios de Arroio do Meio e Capitão, na ERS-482, continua indefinido. Em agosto do ano passado, o então secretário estadual de Infraestrutura e Logística, João Vitor Domingues, prometeu a retomada dos trabalhos, iniciados em 1998. Porém apenas 30% da obra foi contratada.

A parte é executada pela construtora Giovanella. Os trabalhos começaram em setembro e pararam em dezembro, devido ao período de férias. Segundo a empresa, devem ser retomados neste mês, dependendo das condições metereológicas.

Os outros 70% da obra ainda são uma incógnita. De acordo com o prefeito de Capitão, Cesar Beneduzi, o governo anterior prometeu uma definição, mas não cumpriu. “Agora teremos que negociar com o novo governo, o Daer e a empresa que venceu a primeira licitação em 1998”, frisa.

Pretende se reunir com o prefeito de Arroio do Meio e outros líderes regionais e retomar a pressão para que a obra seja concluída. Enquanto a situação não se define, o município segue sem acesso asfáltico.

Beneduzi lembra que Capitão é o segundo maior produtor de suínos do Estado e tem uma frota significativa de veículos. “Nossa cidade cresce a cada ano e muitos municípios com menor importância econômica receberam acesso com asfalto”, critica.

Morador das margens da rodovia, o agricultor e empresário Auri Ziem, 57, afirma que a estrada tem movimento diário de automóveis e caminhões que fazem o escoamento da produção. Ressalta o aumento nos gastos com logística devido às más condições da via.

Proprietário de uma empresa de transportes, Carlos Castoldi, 46, trafega no trecho entre os dois municípios desde 1987. Todos os dias leva para Lajeado alunos que moram em Capitão e estudam na Univates.

Acredita que o asfalto reduziria pela metade o tempo da viagem, além de reduzir os custos com manutenção dos ônibus. Algumas vezes Castoldi ainda é obrigado a aumentar o trajeto em 15 quilômetros, acessando a ERS-130 pela Linha São Jacó, em Palmas, devido às condições da estrada.

Também alega ter sofrido prejuízo com um carro recém comprado. “Em três meses de uso tive que trocar a suspensão a ar”, diz. Apenas em pneus, calcula um gasto extra de 60%, devido à redução na vida útil do produto. Segundo ele, os gastos inviabilizam qualquer redução no preço cobrado pela passagem.

O que era ruim ficou ainda pior, diz agricultora

As obras iniciadas em setembro do ano passado deram esperança aos moradores, mas a interrupção dos trabalhos trouxe a desconfiança de volta. Para a família Kuhn, as mudanças realizadas pela empresa responsável gerou novos transtornos.

Conforme a agricultora Hilária Kuhn, 78, toda vez que chove a água e a lama invadem hortas, galpões e as propriedades dela e dos filhos. “Todo dia tenho que tirar pedras de dentro da lavoura. Nunca vi nada assim”, relata.

Segundo ela, os problemas são causados pela obstrução de bueiros que faziam a drenagem. “Teve um dia que saí na chuva e cavei um buraco em um deles para que a água parasse de correr na minha propriedade.”

Dono de um clube de lazer que funciona desde 2005, Guido Kuhn, 57, sofreu duas enxurradas desde que as obras começaram. “A água estragou a entrada do clube, inundou o motor da piscina e chegou a cobrir 40 centímetros do bar”, conta.

Além do trabalho para limpar os estragos, ficou três dias sem receber clientes. “Realizamos diversas festas aqui e agora temos que nos preocupar toda vez que chove”, frisa.

Segundo ele, o local recebe visitantes de vários municípios da região, que elogiam a beleza do local, mas reclamam das dificuldades de acesso.
Filho de Hilária, Kuhn lembra de aguardar o asfaltamento da via desde os 12 anos de idade. “Passaram vários governos e nenhum resolveu o problema”, destaca. Já mãe dele, diz ter ouvido as primeiras promessas de asfaltamento há pelo menos 50 anos.

17 anos de espera

A ligação asfáltica entre Arroio do Meio e Capitão, em trecho de 16,5 quilômetros da ERS-482, chegou a ser iniciada em 1998, após licitação vencida pela empresa Beter de São Paulo.

Na época, todo o terreno foi preparado, feita a drenagem e colocadas as pedras para aguardar o asfalto. Depois as máquinas deixaram a pista e não voltaram para terminar o serviço. Segundo o governo, problemas financeiros envolvendo a empresa responsável emperraram o andamento.

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