Após 11 anos de espera, Estrela está de volta à rota do tráfego aéreo

Reabertura do aeródromo traz perspectiva de desenvolvimento econômico para a região

Vale do Taquari – Hoje, o piloto comercial de aeronaves bimotoras e acadêmico da Faculdade de Ciências Aeronáuticas da PUC-RS, Jansen Volkmer (24) vê um pontinho a mais piscando no mapa de pousos, enquanto sobrevoa a região. As coordenadas apontam para a Linha São José, em Estrela, onde está situado o Aeródromo Regional do Vale do Taquari. O local será reaberto em ato simbólico, na manhã de hoje, após mais de uma década de interdição.

Volkmer vem de Santa Cruz do Sul para pousar em casa, na cidade em que nasceu. Para quem, assim como ele, sonha com uma rotina no céu, a novidade traz novos contornos para o futuro. “É muito provável que tenhamos alguma escola investindo na formação de pilotos em Estrela. Para quem é daqui será muito positivo, pois não precisará, necessariamente, fazer todo movimento de sair da sua cidade, como eu fiz”, comenta.

Após a formação, ele buscou colocação profissional em mercados fora do Rio Grande do Sul. “Goiás e Brasília são muito pujantes. Fazendeiros, duplas sertanejas e empresários têm uma mentalidade diferente daqui: para eles, esse tipo de transporte é uma ferramenta de trabalho. Com ele, maximizam lucros, otimizam tempo. Trajetos de cinco horas de carro se transformam em uma hora de voo. Essa pista é uma porta aberta para o resto do país, tanto para a aviação executiva quando para instrução.”

Desenvolvimento
É isso que as lideranças locais enxergam: crescimento. Para o prefeito de Estrela, Rafael Mallmann, a revitalização foi possível graças a união de forças entre Município e setor privado. “Parcerias Público Privadas (PPPs) são essenciais nesses processos e o aeródromo é a prova de que funcionam: o Poder Público resolveu todos os entraves burocráticos e o setor privado fez os investimentos necessários para que saísse do papel”, explica.

Método semelhante também visa recategorizar o Porto de Estrela – e nenhum desses movimentos é por acaso. “Faz parte de uma estratégia maior para o desenvolvimento da cidade. Estamos olhando para esses locais que estavam abandonados e integrando-os novamente ao município, devolvendo-os para a população. É mais uma estrutura que vem auxiliar as demandas da região.”

O vice-presidente da Câmara de Indústria e Comércio do Vale do Taquari (CIC-VT), Henrique Purper, encara a reabertura como uma conquista. “Brigávamos por isso há anos. Era um imóvel subutilizado e praticamente abandonado. Agora, vai atrair empresas e o próprio entorno do aeródromo potencializa isso, por estar bem localizado e direcionado”, avalia.

Infraestrutura e investimentos
O aeródromo conta com 570 metros de pista homologados e quatro hangares que guardam pequenas aeronaves com capacidade para até seis passageiros. A ideia é expandir: mais 400 metros estão prontos para ampliação, e um processo licitatório deve ser aprovado para permitir a construção e concessão de mais quatro hangares.

Segundo o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplade), Paulo Finck, o projeto da pista ainda está sob análise da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). É essa autorização que vai viabilizar a concretagem do novo trecho da pista e, consequentemente, o pouso de aeronaves de médio porte.

“Não podíamos tocar as duas liberações em paralelo, pois a ampliação da pista dependia da liberação do aeródromo. A burocracia é grande, e o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil exige que seja tudo feito com vias físicas e trocas pelo correio. Esperamos estar com essa documentação redonda para, nos próximos 15 dias, encaminhar tudo para a Câmara de Vereadores votar o projeto sobre as PPPs”, esclarece.

Enquanto isso, explica, foram feitas melhorias básicas de pintura de marcos da pista, sinalização vertical e cercamento apropriado. “Mesmo o que for licitado vai ser do Município, e a lei vai ser clara quanto a isso. As responsabilidades vão estar definidas.” Também está prevista a implantação de um parque de abastecimento. “Há interesse de um grupo de empresários, que ainda não quer se identificar, em firmar esta parceria.”

Média de voos
Estrela até Porto Alegre: 30 minutos
Estrela até Florianópolis: uma hora e 30 minutos
Estrela até Curitiba: duas horas

Relembre o caso
– O aeródromo de Estrela foi interditado por que havia risco no local. Uma rede elétrica foi instalada na área próxima a pista de decolagem e por isso, em 2006, a licença de funcionamento foi cancelada.
– Atendendo um pedido do Ministério Público de Estrela, a AES Sul Distribuidora de Energia foi notificada para realocar a rede de eletricidade.
– Em junho de 2013, o prefeito de Estrela, Carlos Rafael Mallmann, pediu ajuda a Assembleia Legislativa (AL) para alavancar o processo via governo do Estado. Na época, uma comissão municipal foi criada para dar sequência ao processo de reativação do aeródromo.
– Em setembro de 2013 foi realizada uma audiência pública em Estrela. Membros da Comissão de Economia e Desenvolvimento Sustentável da AL estiveram na região tratando do tema. Na época, foi levantada a necessidade do Plano Básico de Zona de Proteção de Aeródromos, já apresentado ao governo federal.
– Em junho de 2015, o Instituto de Cartografia Aeronáutica (ICA) aprovou o Plano Básico de Zona de Proteção de Aeródromos.
– O valor estimado para a reforma dos 540 metros da pista e sinalização do traçado foi de R$ 30 mil.

Fonte O Informativo do Vale

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